segunda-feira, 25 de junho de 2018

CINEMA NACIONAL EM FOCO.

Desde a última quinta até amanhã (terça-feira, 26), o Centro Cultural Arte Pajuçara está promovendo o festival Arte Brasil, exibindo nove filmes nacionais recentes de diversos gêneros. Uma excelente iniciativa que valoriza o nosso cinema nacional, que merece ser conferida. Como um entusiasta do nosso cinema obviamente, não poderia deixar de marcar presença, e nesta postagem comentarei quatro dos seis filmes inéditos (apenas os documentários Em um Mundo Interior e Ex-Pajé ficaram de fora). Mais rápido do que os dois gols nos acréscimos do segundo tempo da seleção brasileira contra a Costa Rica, vamos aos nossos comentários.

 = Excepcional. /  = Muito bom. /  = Bom./  = Regular. / = Fraco. / Coco do Cachorrão= Preciso mesmo dizer?.

Amores de Chumbo.
Produção brasileira de 2016.

Direção: Tuca Silveira.

Elenco: Aderbal Freire Filho, Augusta Ferraz, Juliana Carneiro de Souza, Rodrigo Riszla, entre outros.

Blogueiro assistiu na sala Elinaldo Barros do Centro Cultural Arte Pajuçara em 23 de junho de 2018.

Cotação

Nota: 4,5.

Sinopse: Miguel (Filho) é um professor de sociologia, que foi preso durante o regime militar, que acaba de completar quarenta anos de casamento com Lúcia (Ferraz), que aguentou toda barra nos tempos que ele estava preso. A rotina do casal é a afetada com a chegada da escritora Maria Eugênia (Souza), melhor amiga de Lúcia, que era namorada de Miguel nos tempos que ele foi preso, o que acaba trazendo à torna sentimentos e pendências do passado mal resolvido entre eles. 

Comentários: Obviamente que o cinema pernambucano não poderia deixar de marcar presença na amostra, sendo representado por este filme que marca o debute na direção de longas de ficção da diretora Tuca Silveira, que conduz com competência esse filme que peca por ser arrastadíssimo e entediante já na primeira meia hora, que conta com um roteiro satisfatório que traz uma trama que praticamente não avança quase nada, devagar, quase parando. E esse problema acaba gerando um filminho entediante e arrastado, que pode até agradar quem gosta de dramas assim.


Comboio de Sal e Açúcar.
Produção brasileira, moçambicana, francesa, sul-africana e portuguesa de 2016.

Direção: Licinio Azevedo.

Elenco: Matamba Joaquim, Melanie De Vales Rafael, Antonio Nipita, Thiago Justino, Sabrina Fonseca, entre outros.

Blogueiro assistiu na sala Elinaldo Barros do Centro Cultural Arte Pajuçara em 23 de junho de 2018.

Cotação

Nota: 7,0.

Sinopse: Baseado num romance homônimo escrito pelo próprio diretor do filme. A trama se passa em Moçambique, no ano de 1988, onde rola um tensa guerra civil. Em busca de melhorar suas vidas ou de simplesmente sal por açúcar, pessoas lotam trens rumo a fronteira do Malawi. Numa dessa viagens, está a recém-formada enfermeira Rosa (Rafael), que conseguiu um trampo num hospital em Cuamba, terra natal de sua família. A viagem é perigosíssima devido aos ataques promovidos por rebeldes, e escoltada pelo exército, onde alguns homens conseguem ser mais cruéis com os passageiros que os próprios milicianos.

Comentários: Produção da amostra que não é 100% tupiniquim, mas uma co-produção com outros quatro países, Comboio de Sal e Açúcar provavelmente é o filme que teve mais divulgação nas redes sociais nos últimos meses por parte da distribuidora. Dirigido por um brasileiro radicado em Moçambique, temos  aqui um filme tenso e envolvente do começo ao fim, com um trama interessante desenvolvida num roteiro satisfatório, que ganha força com as boas atuações de um elenco desconhecido para nós, porém, muito competente, resultando num filme muito interessante que vale a conferida.


As Boas Maneiras.
Produção brasileira e francesa de 2017.

Direção: Juliana Rojas e Marco Dutra.

Elenco: Isabél Zuaa, Marjorie Estiano, Miguel Lobo, Cida Moreira, Andrea Marquee, Gilda Nomacce, Eduardo Gomes, Hugo Villavicenzio, Germano Melo, Naloana Lima, entre outros.

Blogueiro assistiu na sala Elinaldo Barros do Centro Cultural Arte Pajuçara em 24 de junho de 2018.

Cotação

Nota: 4,5.

Sinopse: Ignorada pela família  e pelos amigos por ter engravidado fora do noivado, Ana (Estiano) contrata Clara (Zuua), um enfermeira também solitária, para ser babá do bebê que irá nascer. Mas, a gestação não será tão tranquila, já que Ana passa a ter comportamentos estranhos, principalmente durante a noite, que acabam afetando diretamente Clara.

Comentários: Filme da amostra que estava mais ansioso para assistir por trazer uma premissa interessante e ser de um gênero que nosso cinema não costuma lançar com frequência. Temos aqui uma premissa até interessante mas nada original, desperdiçada num roteiro fraquinho, recheado de clichês batidões do gênero, que traz uma trama tosca que de tão absurdamente ridícula acaba provocando gargalhadas inevitáveis. A parte técnica e as atuações das atrizes protagonistas são os grandes deste filminho, assumidamente ruim e tosco, que diverte justamente por isso.



Baronesa.
Produção brasileira de 2017.

Direção: Juliana Antunes.

Elenco: Andreia Pereira de Sousa, Leid Ferreira, Felipe Rangel Soares, Gabriela Souza, entre outros.

Blogueiro assistiu na sala Elinaldo Barros do Centro Cultural Arte Pajuçara em 24 de junho de 2018.

Cotação

Nota: 2,5.


Sinopse: Andreia (Sousa) e Leidiane (Ferreira) são duas amigas que moram lado a lado numa comunidade Vila Mariquinhas na Zona Norte de Belo Horizonte, num clima tenso da guerra do tráfico local. Cansada de toda essa tensão, Andreia está juntando dinheiro para construir uma casa nova em outra comunidade num terreno invadido.

Comentários: Provavelmente, a grande surpresa dos filmes nacionais exibidos nesta amostra. Trazendo um elenco onde cada um simplesmente é si próprio, o filme é simplesmente um Big Brother da favela. Preguiçosa ao extremo, a diretora, que também assina como roteirista sabe-se lá de quê, simplesmente, liga a câmera e acompanha a rotina praticamente desocupada de suas protagonistas. Se for para ver pessoas carentes conversando sobre diversos assuntos, eu mesmo vou numa comunidade perto aqui de casa e bato um papinho com pessoal, sem precisar pagar ingresso e entrar numa sala de cinema para isso. Realmente, não entendo porque tanto elogio da crítica para um filminho tão preguiçoso, que só não é ruim totalmente, porque pelo menos mostra a vida como ela é dentro de uma comunidade carente. Esquecível e ignorável. 


Completam a amostra Arte Brasil o documentário O Processo e os longas Querida Mamãe e Paraíso Perdido, assistidos e comentados anteriormente.

Rick Pinheiro.
Cinéfilo alagoano.

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