quarta-feira, 17 de novembro de 2010

AINDA HÁ REGENERAÇÃO À CARREIRA DE VAN DAMME?

Antes de ser um tosco trocadilho com o subtítulo deste filme, o titulo desta postagem é uma pergunta que muitos de nós, fãs do ator Jean Claude Van Damme, nos fazemos após assistirmos Soldado Universal 3: Regeneração. Antes de tecer os meus comentários a mais um filme "B" de ação estrelado (?) pelo astro belga, farei um breve comentário sobre sua carreira e sobre a série Soldado Universal.
Podemos comparar a carreira de Jean Claude Van Damme com a de outro astro de filme de ação, Steven Seagal. Ambos surgiram na mesma época, nos últimos três anos da década de 80, tiveram altos e baixos em suas respectivas carreiras, acertaram em algumas escolhas, erraram feio em outras e nos dias de hoje estão fora da lista dos grandes astros hollywoodianos. Seagal iniciou sua carreira tendo um grande estúdio, no caso o Warner Bros, investindo pesado nele. Mas por ser um péssimo ator (fato que não impediu Leonardo Di Caprio, Robert Patinson e outros péssimos atores de terem carreiras sólidas) e ter relaxado na forma física (com certeza o que ferrou verdadeiramente com sua carreira), não alcançou vôos mais altos. Porém, é mais esperto e humilde, aceitando oportunidades para reerguer a sua carreira. Foi assim no começo desta década, ao ensaiar um reerguida no bom e divertido filme policial Rede da Corrupção. Recentemente, mais duas felizes decisões:  aceitou fazer o vilão no filme Machete, do renomado e talentoso diretor Robert Rodriguez e estrela um reality show televisivo, que foca a sua carreira verídica de xerife de uma cidadezinha norte-americana. Mesmo gorducho e canastrão, Seagal ainda está em melhor situação que o seu "rival".

Já Van Damme, iniciou sua carreira fazendo ótimos filmes de baixo orçamento, estourando no mundo inteiro e ganhando moral em Hollywood, fazendo super-produções para grandes estúdios, graças ao seu talento como ator, lutador e simpatia como pessoa. Mas no auge da carreira faz a grande merda de se envolver com drogas, algo que não é novidade nenhuma em Hollywood. Livrou-se das malditas, à exemplo de Robert Downey Jr., mas ao contrário deste, deixa-se levar pelo orgulho, fazendo escolhas erradas e equivocadas. Até que no ínicio de sua carreira, este defeito lhe ajudou quando pulou fora do set de filmagens de O Predador, com Arnold Schwarzennegger, onde ele seria um dos dublês que interpretaria o famoso ET ("Fui contratado como ator e não como dublê", disse Van Damme) e aconselhado pelo seu "padrinho" Chuck Norris, foi estrelar, pela extinta produtora de filmes "B" Cannon, O Grande Dragão Branco. Mas diante da situação carreira atual da sua carreira, negar atuar como vilão em A Hora do Rush 3, estrelado por Jackie Chan e esnobar o convite de Sylvester Stallone de participar de Os Mercenários, alegando não querer mais filmes de ação, foi um verdadeiro tiro no pé. Porém, ainda há uma luz no fim do túnel, já que Van Damme está negociando ser uma das várias estrelas a participar do novo filme infantil dos Muppets (no Brasil, Vila Sessámo), prova que finalmente ele está começando a pensar em como a sua carreira está em queda livre. Espero que desta vez ele acerte na decisão. Tempos difíceis que não lembram sua fase de ouro.

Em 1992, iniciando uma série de super produções de grandes estúdios (a primeira foi o excelente Duplo Impacto no ano anterior), Van Damme estrelou um dos melhores filmes da sua carreira, Soldado Universal, ao lado de Dolph Lundgren em sua melhor atuação e dirigidos por ninguém menos que Roland Emmerich  que graças a este filme, alavancou a sua carreira, dirigindo arrassa-quarteirões como Stargate, Independence Day, Godzilla, O Patriota, O Dia Depois de Amanhã e 2012. Soldado Universal é um filmaço, com um roteiro criativo, repleto de ação e reviravoltas,  excelentes interpretações e uma duelo clássico entre dois astros do gêneros, que chega a se igualar ao duelo  entre o saudoso Bruce Lee e Chuck Norris em O Vôo do Dragão. Em síntese,  Soldado Universal é um filmaço completo, insuperável, logo, não merecia ser rebaixado a uma série tosca de filmes "B".

Mas nem mesmo um excelente filme escapa  de continuações  inferiores  e toscas. No caso de Soldado Universal, tudo começou poucos anos após o lançamento do original, quando os produtores, visando apenas lucro, cheios de merda na cabeça, resolveram lançar para TV dois filmes da série, estrelado pelo astro de filmes de ação classe "Z"  o kickboxing Jeff Wincott e um sei lá quem Matt Battagila (o terceiro teve a participação do veterano Burt Reynolds, que deveria está passando por crise financeira para aceitar pagar este mico). Aliás, Van Damme deveria entrar para o Guiness como o ator que teve mais continuações de filmes não estrelados por ele. Além de Soldado Universal, Kickboxer (quatro filmes), Cyborg (dois filmes), Timecop (apenas um) e até seu maior sucesso O Grande Dragão Branco (três filmes), tiveram a desgraça de ter séries inferiores aos seu originais, graças a ganância dos produtores medíocres e com titica na cabeça.

Soldado Universal tem uma diferença e ligeira superioridade  as outras séries supracitadas, por contar com Van Damme em suas continuações, fato  inédito também para o ator. Depois do mico televisivo, a série volta a ser estrelada por ele no fraquinho Soldado Universal: O Retorno. Ao contrário do primeiro filme, Van Damme simplesmente ligou o piloto automático e não interpretou nada, não conseguindo acertar o tom do personagem que ele mesmo já tinha atuado tão bem. Com certeza o motivo foi o fato do astro ainda está saindo das drogas.  Mas em comparação as outras duas continuações anteriores e a maioria dos atuais filmes do baixinho, até que este filme não é totalmente ruim. Existe um ligação entre o original e este filme, e umas cenas de luta e ação legais. Mas a incoerência do roteiro (um super computador pirado que guarda um corpo de um Soldado Universal para um ataque aos humanos) e a falta de atenção melhor da produção (se os soldados univesais não envelhecem, deveriam pelo menos maquiar melhor as rugas e a aparência de idoso de Van Damme em decorrência das drogas), tornam este filme bastante inferior e indigno do original.

Mais uma vez é comprovado que a frase "Pior que tá não fica!", dita pelo palhaço Tiririca na sua vitoriosa campanha à Câmara Federal, é inverídica, com este Soldado Universal: Regeneração (o 3 no título foi colocado pelos distribuidores brasileiros, já que como vimos este filme na verdade é o quinto da série). O roteiro é incoerente, cheio de furos, confuso e não se explica (a filha do personagem do Van Damme que aparece no filme anterior sequer é mecionada). Apesar do cartaz anunciar três nomes, não temos aqui um protagonista (por isso o sinal gráfico de interrogação utilzado no primeiro parágrafo) e sem nenhuma chances dos três brilharem.

Como em todo filme "B" de ação a trama é simplória e só desculpa esfarrapada para a porrada. No caso de Soldado Universal: Regeneração, um grupo terroristas, separatistas de um país fitcticio, invade a antiga instalação da Usina de Chenobyl e ameaça explodir tudo, tendo como um dos guardas costas um novo modelo de Soldado Univesal, interpretado (?) pelo ex-lutador de luta livre Andrei. O governo então resolve enviar quatro soldados universais das antigas, que evidentemente falham, para que finalmente, possam recorer ao velho e obsoleto Luc Deveraux (Van Damme). Paralelamente, o louco cientista contratado pelo tosco chefe dos terroristas, levar na "mala de viagem", o clone de um antigo soldado universal, já prevendo tentar dominar a situação. Enfim, tudo desculpa esfarrapada para muita explosão e tiroteio, e lutas toscas.

O tal do Andrei The Pitbull Arlovski aparece um pouco  mais que Van Damme e Lundgren (este filmou em apenas 05 dias, enquanto que Van Damme em 20 dias, numa produção que demorou três meses para ser realizada) , que só entram em ação depois de exatamente uma hora de filme (tendo menos meia-hora para dar o ar da graça), o que justifica seu nome aparecer primeiro nos créditos. Provavelmente ele será o "novo astro" da série, já que o péssimo final tosco, que dar um gancho descarado para continuação, demonstra claramente a vontade dos produtores em manter a franquia. Pelo roteiro preocupado apenas em tiros e explosões desnecessárias, o ex-lutador de luta livre, como seus colegas de elenco mais conhecidos, não teve muita chance de mostrar se é ou não bom ator. Nem mesmo sabemos se ele é um bom lutador, já que a tosca coreografia de luta  também não ajudou. Com certeza, ao contrário dos também ex-lutadores de luta livre The Rock, Steven Austin e Randy Coulture, este Pitbull terá muita mais dificuldade em se firmar com astro de filme de ação.

Sem dúvida a pergunta que não queria calar, desde do anúncio deste novo filme, foi o que Dolph Lundgren está fazendo no elenco, já que o seu personagem Andrew Scott, literalmente virou picadinho na luta final do filme original. A desculpa do roteiro é que este na verdade é um clone do original, só que menos lunático e com crise existêncial, outra prova clara da incoerência do roteiro e da falta de criatividade dos quem o escreveram. Lundgren ainda tenta dar um pouco de dignidade a este filminho "B" em suas primeiras cenas, mas a tosca interpretação da crise existêncial do personagem e sua passagem relampago no filme, que sequer lhe dar tempo de sair na porrada com o Pitbull, só provam que sua presença foi desnecessária.

O esperado novo duelo entre Van Damme e Lundgren decepciona bastante, sendo rápido e sem sal, não lembrando em nada os clássicos embates entre os dois no primeiro filme. Em alguns momentos, é possível ver que ambos são dublados, o que fustra  ainda mais quem desejava rever o reencontro destas duas feras das artes marciais. Pior que o embate entre os dois só mesmo o duelo final entre Van Damme e The Pitbull, que resume-se apenas a um soquinho e corre-corre repetidamente, e os dois aguarradinhos atravessando paredes, onde também é notável a presença dos dublês. Em época que o cinema norte-americano importa coreografos de luta de Hong-Kong chega a ser ridículas e patéticas as lutas deste filme.

Em síntese, Soldado Universal: Regeneração é mais um filminho classe "z" da atual carreira de Jean Claude Van Damme. Incomparável e inferior ao original, mas que até se sobressai em relação as toscas versões televisivas, empatando com Soldado Universal: O Retorno, o título de "menos ruins", do triste e tosco caminho que a série tomou .

A série saiu do luxo ao lixo,  e parece não terminar já que os produtores anunciaram e está em fase de pré-produção mais um filme da franquia, Soldado Universal 4 - 3D, que será filmado neste formato e contará com Van Damme e Lundgren (do jeito que está, Scott vai bater o recorde de ressurgimento dos mortos do Jason da série Sexta-Feira 13). Surge a questão: se os filmes tanto da série, quanto os atuais de Van Damme são lançados diretamente em vídeo, será que os produtores pensam em inovar e lançar um filme 3D diretamente para ser assistido em nossos lares? Se de fato a ideia é essa, é mais um comprovação que o slogan do Tiririca: "Pior que tá não fica!", é pura mentira.

Em relação a Van Damme a pergunta que dar título a esta postagem e se passa em nossa cabeça, permanece. Chega a ser incompreensível ver sua carreira na merda, já que o cara é talentoso, ótimo ator, ainda está em forma para cenas de ação e é uma simpatia como pessoa, atitudes que vão de encontro  com suas péssimas escolhas que não ajudam em nada a alavancar sua carreira. Como fãs, resta-nos apenas rezar para que ele reconheça o seu valor, seja mais humilde e não desperdiçe mais as oportunidades de reerguer a sua carreira, que cada vez se tornam raras.

Rick Pinheiro.
Cinéfilo

terça-feira, 16 de novembro de 2010

O LIVRO DE ELI: UM FILME QUE SUPREENDE E NOS FAZ PENSAR.

De tempos em tempos, Hollywood nos supreende com um filme estrelado por um grande astro e que nos leva a refletir sobre a nossa própria fé, sem necessariamente ser um filme religioso. Este é o caso de O Livro de Eli, ficção estrelada pelo grande ator Denzel Washington, também um dos produtores do filme.

A trama se passa num futuro pós-apocalíptico, onde num Estados Unidos destruído por um guerra nuclear, Eli, interpretado magistralmente por Denzel Washington, peregrina solitariamente. Ele sabe que tem uma missão, que nem ele mesmo entende de  levar um único exemplar de um Livro ao Oeste.

Sem querer estragar a supresa, mas este Livro é o último exemplar da Bíblia, que também é cobiçado por Carnegie, interpretado brilhantemente pelo também excelente ator Gary Oldman, que sempre é escalado para fazer vilões. Ao contrário de Eli, cuja a motivação é fazer o Livro ser difundido e assim, levar esperança a humanidade, Carnegie ambiciona utilizá-Lo para dominar o mundo pós-guerra.

O roteiro do filme é envolvente, prendendo a nossa atenção do começo ao fim, repleto de reviravoltas, nos supreendendo quando menos esperamos. Em contra partida, o filme pode decepcionar um pouco quem curte muita ação, ao estilo Mad Max e cia. Mesmo assim, o roteiro compensa e até mesmo os mais aficcionados por ação não sentirão falta, pois ação, apesar de pouca, é suficiente para o filme que tem como atrativo o roteiro.

Apesar de se passar num futuro pessimista e no caos, em momento nenhum o filme passa uma mensagem negativa. Muito pelo contrário, a mensagem de esperança está explícita durante todo filme, principalmente através do personagem de Denzel, que está disposto a dar vida, para cumprir a suz missão de proteger e fazer conhecer a Palavra de Deus. Até mesmo quem não é religioso, vai gostar deste filme, graças ao  carisma de Denzel Washington roteiro que não faz discurso religioso e  traz grandes lições que nos fazem refletir, principalmente, que a esperança para o caos que a humanidade anda mergulhada está exclusivamente em Deus e em Sua Palavra. Todas estas lições passadas de forma surtil e envolvente, sem apelar para o sentimentalismo e conversão instantânea diante do sofrimento, características típicas dos filmes protestantes norte-americanos.

Em síntese, O Livro de Eli é um excelente filme, um dos melhores estrelados por Denzel Washington. Recomendado principalmente para aqueles que como eu, acredita que a Palavra de Deus é o tesouro que pode salvar toda a humanidade. Mas  para isso, precisamos  fazer com Eli e assumir a nossa missão de defende-La e propaga-La.

Rick Pinheiro.
Cinéfilo.

domingo, 7 de novembro de 2010

UM FILME MARCANTE E DIFERENTE.

Há mais de quinze anos, é realizada, no Cine Maceió, a Sessão de Artes. Particularmente, nunca tinha ido, já sou povão,  logo, prefiro as porradas e barulheira dos filmes de ação, as gargalhadas soltas das comédias e os sustos dos filmes de terror e suspense, aos filmes, digamos, mais íntelectuais e artísticos.

Ontem quebrei este longo jejum. E não foi por ser o meu aniversário e não tivesse opção melhor para ir assistir, até porque este fim de semana está recheado de lançamentos. O motivo foi o próprio filme, O Mundo Imaginário do Doutor Parnassus, que marca a última aparição do talentoso e saudoso ator Heath Ledger, antes da sua trágica e prematura morte.

Na trama,  o Dr. Parnassus, interpretado pelo veterano excelente ator Christopher Plummer e sua trupe mambembe, percorre as ruas da atual Londres, oferecendo ao público a possibilidade de, através de um espelho, entrar em um mundo de ilimitada imaginação, controlado pela mente do estranho Doutor. Ambicionando a imortalidade, o personagem, alguns séculos atrás, faz um aposta com o encardido, na qual se ele perdesse, iria dar o seu filho mais velho ao chifrudo, quando completasse 16 anos. Arrependido e às vésperas da sua única filha, Valentina, completar a idade que o chifrudo vem resgatar a sua aposta, Parnassus faz uma última aposta com ele. Mas o aparecimento do misterioso e charmoso forasteiro Tony, vivido na maioria do filme por Heath Ledger, mudará o rumo da vida de todos.

O filme é supreendentemente brilhante, com um visual excepcional e excelentes interpretações, com destaque a Christopher Plummer e Heath Ledger, que simplesmente rouba a cena, com uma interpretação tão inesquecível quanto a do Coringa em Cavaleiro das Trevas.  Se não fosse pela sua trágica morte prematura com certeza seríamos presenteados com mais interpretações brilhantes. Uma triste ironia a partida dele, justamente quando começava a mostrar o seu talento.

Supreendente é como o diretor Terry Gillam, sobre contornar a tragédia da vida real, substituindo Ledger por excelentes atores. Numa das soluções mais brilhantes e nunca vista em casos como esse de atores que morrem em meio a realização de uma obra, toda vez que o personagem atravessa o tal espelho muda de face. Impressionante como Johnny Depp, Jude Law e Colin Farrel que assumiram o papel do forasteiro Tony, conseguiram manter a mesma interpretação de Ledger, convencendo o público que eram a mesma personagem. Mais brilhante que isso, só a atitude dos três, que na vida real eram amigos de Ledger, doarem seus cachês a filha do saudoso ator, a pequena Matilda.

Em síntese, um filme de fantasia perfeito, que não é apenas um tributo a Heath Ledger, mas também uma prova que ainda existe criatividade e originariedade no cinema norte-americano.

Rick Pinheiro.
Cinéfilo.