sexta-feira, 29 de outubro de 2010

FILMES BRASILEIROS TAMBÉM EMOCIONAM E NOS FAZEM PENSAR.


Inicialmente quero parabenizar a direção do Centro Cultural SESI e a UFAL, pela realização deste brilhante evento, presenteando os cinéfilos alagoanso e quem nos visita, com filmes nacionais ineditos em nossa cidade. 

O título desta postagem resume bem a minha opinião sobre os dois curtas e três longas que eu assistir na IV Amostra de Cinema Brasileiro, realizada na semana passada, que eu passo a comentar agora.

Na noite de abertura, tivemos dois filmes. O primeiro foi o interessante e divertido curta Recife Frio. De forma bastante criativa, assistimos um pseudo-documentário de uma emissora fictícia da TV Espanhola, registrando um curioso fenômeno meterológico, que atingiu a cidade de Recife, reduzindo drásticamente a sua temperatura. Com um elenco excelente, que consegue convencer como se estivessemos assistindo um documentário de um fato real e um roteiro criativo, o diretor faz uma crítica sutil a frieza humana que a cidade de Recife se tornou. Enfim, um curta que também pode ser chamado também de São Paulo Frio, Rio de Janeiro Frio e até mesmo Maceió Fria, afinal de contas a frieza humana é um fenômeno assombroso que atinge a maioira das cidades. Um curta imperdível, que merece ser conhecido

Após a exibição do curta, ocorreu a abertura da Amostra e fomos apresentados ao diretor Caco Souza, que fez uma introdução do seu primeiro longa, o badalado 400 contra 1: Uma História do Crime Organizado. A trama conta a história de uma quadrilha de assaltantes de banco, presa no Presídio de Ilha Grande, juntamente com presos políticos. Após este contato com estes intelectuais, o grupo resolve unir os demais para lutar por direitos e ideais coletivos. William (Daniel de Oliveira, fraco à altura do seu comprovado talento) é um dos líderes deste grupo, que fundou o Comando Vermelho. A nova organização cria uma conduta de solidariedade entre os presos, algo inédito até então. No início dos anos 80 o Comando Vermelho passa a agir nas ruas do Rio de Janeiro, realizando ousados assaltos.

O filme nos mostra que enquanto a ditadura estava mais preocupada em perseguir quem se opunha a ela, criminosos comuns iam se organizando, formando assim um Estado Paralelo, que  hoje reina absoluto em nosso país e leva medo e terror a todos nós.

O filme apesar de muito interessante, não me agradou muito, em virtude do roteiro sem ordem cronológica dos fatos (ora estava nos anos 80, de repente voltava ao começo de 70, depois voltava para os fins deste período, e assim por diante), pela trilha sonora black, que apesar de ter tudo a ver com o período que se passa o filme, particularmente não me agrada. e por algumas cenas violentas, que aliás, também não desagradou a boa parte do público presente a sessão. Em síntese, 400 contra 1 é prova clara que filmes policiais brasileiros que narram o submundo já estão perdendo o folêgo. Não é a toa que José Padilha, brinlhantemente, inovou, em Tropa de Elite 2, focando mais a história na burocracia do sistema estatal.

Na sexta, cheguei logou cedo e tive a graça de prestigiar três ótimos filmes, entre eles, os dois que para mim, foram os melhores filmes que eu assistir na amostra.

O primeiro, e para mim, disparado o melhor que assistir na IV Amostra SESI/UFAL de Cinema Brasileiro foi Sonhos Roubados, de Sandra Werneck. O filme narra a história de Jéssica, Daiane e Sabrina, três amigas adolescentes (interpretadas por boas atrizes maiores de idade, com carinhas de meninas), moradoras de uma comunidade carente, que se prostituem para sobreviver. O filme é bastante realista e emociona, com uma excelente direção, que nos presenteia com excelentes interpretações, num roteiro baseado em fatos reais, envolvente, sem pieguice, em locações reais.

O filme conta com excelentes atores  como Marieta Severo, Nelson Xavier, Angelo Antônio, Daniel Dantas e com a estreia do cantor de rap MV Bill, que ao contrário da cantora Nega Li totalmente apagada em 400 contra 1, brilha, na pele de um presidiário que se apaixona por uma das meninas.  Mas todos esses são coadjuvantes de peso, pois sem dúvida o grande destaque do filme são as jovens protagonistas Nanda Costa, Amanda Diniz e Kika Farias, que roubam a cena e nos emociona e envolve com excelentes interpretações da vida sofrida de Jéssica, Daiane e Sabrina, respectivamente.

No filme, vemos que as meninas entram nessa vida, além dos problemas que cada uma tem (uma delas é a mãe solteira e briga com a sogra evangélica pela guarda da filha e a mais nova é abusada sexualmente em casa pelo marido da tia), mas pela total falta de assistência no Estado, com destaque ao caos da educação, já que protagonistas na maioria do filme, ficam ociosas por  não terem aulas na escola em que estudam. 

Em síntese, um excelente filme que figura no rol dos melhores filmes nacionais. Além de emocionar, o filme nos faz pensar. Quantas Jéssicas, Daianes e Sabrinas, no exato momento que escrevo esta postagem, esão perdendo a inocência, se prostituindo para sobreviver?

Após um breve intervalo de aproxidamente meia-hora, voltamos a exibição de mais dois filmes. O primeiro foi o curta Azul, que apesar do nome, não narra a história do meu querido time CSA. Quase sem nenhum diálogo, o curta narra a história de uma senhora que mora sozinha  nos cafundós do brejo, que sempre se arruma à espera de um filho que acredita irá visitá-la. Cativante e emocionante, com um final supreendente, o curta mostra bem que mesmo na solidão, uma mãe nunca perde a esperança de encontrar o seu filho. Outro curta que merece ser visto.

O último filme exibido na sexta-feira e assistido por mim na amostra foi o documentário Paulo Gracindo: O Bem-Amado, que contou na plateia com a presença do seu neto, que é diretor de fotografia do filme. O documentário, que para mim é o segundo melhor filme que eu assistir na amostra, narra a trajetória do saudoso ator Paulo Gracindo, mostrando sua saída de Maceió em busca de realizar o sonho de ser ator até os seus últimos dias de vida. O diretor Gracindo Junior, filho de Paulo Gracindo e também ator, de forma cativante e emocionante, conduz os espectadores, através de cenas reais do homenageado em cena e em família, intercalando com depoimentos emocionantes de familiares e colegas de trabalho como Lima Duarte, Eva Wilma e Fernanda Montenegro. De fato um excelente documentário histórico, que nos faz matar a saudades e apresentam a nova geração este grande ator. Com certeza, quem assiste este documentário perceberá o quanto a dramatugia brasileira e mundial, carece de grandes a atores, como Paulo Gracindo.

Apesar de ter ido apenas dois dias, eventos como a IV Amostra SESI/UFAL de Cinema Brasileiro precisam ser cada vez mais realizados e valorizados pelo público alagoano.

Com eventos como esta amostra, o público descobre Cinema Nacional não é apenas os filmes da Globo Filmes, as comédias descompromissadas, os retratos do mundo cão e propagandas da doutrina espírita. O nosso cinema é riquíssimos de excelentes filmes criativos que emcionam e nos fazem pensar.

Mais uma vez, parabéns a direção do Centro Cultural SESI e a UFAL pela brilhante iniciativa.

E que venham as próximas amostras.

Rick Pinheiro.
Cinéfilo, já à espera da V Amostra SESI/UFAL de Cinema Brasileiro.

PIRANHAS VOLTAM EM GRANDE ESTILO.

Calma galera!!!!! Não é o que parece. A postagem é sobre um filme e não sobre a certas mulheres, digamos, dadas demais. Feito os devidos esclarecimentos, vamos ao que interessa.

Termino a minha não planejada trilogia de postagens  sobre filmes de terror, fazendo comentários ao remake de Piranha, que eu assistir na última terça-feira, na tela do Centerplex 4, a única sala da Maceió, até o presente momento, que exibe em 3D.

Os dois filmes da série Piranha são trashões, que na época de seus lançamentos pegaram carona no sucesso de Tubarão de Steven Spielberg. Tanto esta super-produção, como também os trashões mencinonados e Orca, a Baleia Assassina, eram presenças frequentes nos anos 80, nas sessões globais Supercine, Domingo Maior, Corujão e mais recentemente, nos anos 90, na Sessão da Tarde. Hoje, todos estes filmes estão pegando poeira no porão da emissora carioca.

Particularmente, por incrível que pareça, quando criança gostava um pouquinho  mais da Piranha (o filme é claro) do que Tubarão.  Me assustava mais o ataque de um cadume devorador de carne humana, mesmo tendo em mente os ataques dos dois primeiros filmes da série Tubarão, acompanhados da inesquecível trilha composta pelo grande maestro John Williams. O primeiro Piranhas até que assustava e o segundo, Piranhas 2: Assassinas Voadoras,  mesmo com a ideia patética de colocar asas no cadume mortífero, também era bom, graças a um diretor estreante, um tal de James Cameron, que dois anos depois de dirigir este trashão, revolucionaria a parte técnica do cinema com a produção barata  O Exterminador do Futuro, aperfeiçoando e evoluindo ainda mais em super-produções como Aliens: O Resgate, O Exterminador do Futuro 2, Titanic e mais recentemente, Avatar, provando que filmes com tecnologia avançada, podem contar com um bom roteiro.

Sessão nostalgia a parte, vamos aos comentários do novo filme.

Começo dizendo que Piranha 3D é um trashão de luxo. Parece contraditório, mas não existe outra melhor definição para uma super-produção, que utiliza o formato 3D e conta com coadjuvantes de luxo, como os grandes atores  Elisabeth Shue, Christopher Loyd (ambos da série De Volta para o Futuro, sendo que ela interpretou a namorada do Marty Mcfly nos dois últimos filmes e ele ninguém menos que o Dr. Brown em pessoa), os não tão famosos como Ving Rhames (trilogia Missão Impossível) e Jerry O' Cornell (Pânico 2) e até mesmo um dos astros do clássico Tubarão, o grande ator mas sumido, Richard Dreyfuss.

A trama é a de sempre. Num pequena cidade que atrai vários turistas por temporada, ocorre um pequeno terremoto, onde no fundo do frequentatíssimo lago, são libertadas piranhas pré-históricas esfomeadas, que passam a atacar (no original elas escapavam de um laboratório científico). Isso tudo regado a mulheres gostosas nuas e semi-nuas, sangue e mutilação para tudo que é lado, ação initerrupta e um dos finais mais previsíveis e patéticos da história do cinema, dando um enorme gancho para uma possível continuação. Resumindo: um filme repleto de clichês.

A parte técnica decepciona um pouco, prinicpalmente para um filme que tem os meus produtores do excelente 300. A piranha não assusta tanto quanto no original e aparece pouco no filme, já que a maioria dos ataques é sob a ótica do espectador.   

O 3D não chega a ser inexistente como em Fúria de Titãs, mas também não influe, nem contribue no filme. podendo este filme ter sido realizado no formato original, que não mudaria em nada o produto final.

A maquiagem das feridas e mutilações, são as de sempres utilizando latex, toscas como nos filmes antigos, mas chegam a assustar e a enojar. Em comparação com o original, foi utilizado sangue e feridas até demais, uma contribuição dos games modernos.

Enfim, não há nenhuma inovação na parte técnica.

Mas apesar disso, Piranha 3D supreende e chega até ser um bom filme. Isto graças a perfeita trilha e ao roteiro que, apesar de está cheio de clichês, consegue envolver o espectador durante todo filme, causando bons sustos e até risadas, com um humor negro  típico dos antigos trashões, como na cena onde duas piranhas (peixe), brigam para devorar o pênis capado de um recém devorado produtor de filme pornô. A união perfeita entre excelente trilha e roteiro razoável, torna este filme acima da média.

Piranha 3D só não é um filmaço, por causa do exagero do diretor, que apelou para a nudez e sensualidade gratuita das piranhas humanas e pegou pesado na violência, com sangue e mutilação bem ao estilo Jogos Mortais e Cia. Por este exagero apelativo e desnescessário e pelo final mais tosco deste ano, que o filme não é melhor.

Em síntese, Piranha 3D chega até divertir e assustar.  Uma boa opção para quem procura rever grandes atores sumidos dos anos 80 uma diversão descompromissada, com sustos na dosagem certa, mas que tenham estômago forte.

Rick Pinheiro.
Cinéfilo.
A minha paixão de infância e adolescência Elizabeth Shue,
de volta as telonas, como a sherife Julie Forester.
A personagem é uma mistura do Sherife Martin Brody
(interpretado pelo saudoso Roy Scheider  em Tubarão)
e Ripley (Sigourney Weaver, na quadrilogia Alien).
 
Piranhas brigam por um pênis.
Parece manchete de jornais e programas televisisos sensacionalistas, mas não é.
Apenas um cena tosca, mas engraçada, da super-produção trash Piranha 3D.

Cartaz do original e do remake.
A gostosona se bronzeando nua reflete bem o exagero apelativo do novo filme.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

UNS FAZ DE CONTA QUE ENTEDIAM E POUCO ASSUSTAM.

Como já comentei em outras postagens, um sub-gênero dos filmes de terror que eu não curto muito é o conhecido pseudo-documentário, ou seja, filmes, de baixo orçamento, quase que improvisado, que graças a uma campanha de marketing, passam a falsa imagem de ser um produto real. Com o estrondoso sucesso no ano passado de Atividade Paranormal, além da inevitável continuação, outras produções pegaram carona e estão chegando com força total aos cinemas. Da semana passada até hoje, assistir três filmes deste sub-gênero, que eu passo a comentar a partir de agora.

O primeiro é [Rec]. Com a estreia da continuação nos cinemas, como eu não tinha assistido o primeiro, marquei a minha volta a vídeo-locadora, com este filme espanhol de 2007, que conquistou o mundo inteiro, principalmente os Estados Unidos, que não perderam tempo e lançaram no ano passado o remake Quarentena. Na trama, uma equipe de TV está fazendo uma reportagem sobre o Corpo de Bombeiros de Barcelona, que recebe uma chamada num prédio. Ao chegarem lá, o prédio é isolado, pois alguns dos moradores estão contaminados por um vírus que os tornam violentos irracionais (leia-se: zumbis). O filme é regular, com ausência de interpretações (praticamente os atores estão sendo eles mesmo, uma das características de filmes deste sub-gênero) e erros grosseiros no roteiro (uma das cenas, a repórter pede ao cameraman para rever um dos ataques e nós revemos a cena, algo totalmente incoerente. Em compesação, o filme consegue manter o suspense, prendendo atenção. A curta duração (1h e 10 minuto), torna o filme com um ritmo ágil, não cansando o espectador, tornado esta tosca produção espanhola acima da média dos filmes deste sub-gênero.

Após conhecer o primeiro filme,  fui na quarta-feira passada ao Cine Farol, assistir [Rec] 2 - Possuídos. A história começa onde o outro terminou. Horas depois do prédio ter sido isolado, um grupo de policiais de elite entram, para resgatar possíveis sobreviventes. Dentro do prédio descobrem que a tal contaminação na verdade trata-se de (pasmen, caros internautas), possessão demoníaca. Pelo roteiro que mistura zumbis e exorcismo, não preciso dizer que a continuação é bastante inferior ao original, sendo um filme descartável. Apesar de passar a imagem de ser material real, os dois filmes espanhóis, não convence de tão absurdo que é o roteiro. Mas o primeiro ainda consegue prender atenção, graças ao suspense barato e alguns sustos. Já este segundo filme, é tão patético e ridículo, que você fica torcendo para acabar logo. E a tendência é piorar, já que o final de [Rec] 2, dar um enorme gancho para continuação. Resta a mórbida curiosidade: depois de possessão que se pega por mordida e arranhão dos possuídos, que absurdo está reservado para [Rec] 3? Com certeza, pior que está, vai ficar sim.

Hoje foi a vez de ir ao Cine Maceió, para assistir a continuação de Atividade Paranormal, o grande fenômeno de bilheteria do ano passado, uma das produções mais lucrativas da história do cinema (orçamento pífio + bilheteria altíssima). O primeiro filme chega até prender atenção, na história de um jovem casal, que passam por experiências sobrenaturais inexplicáveis. Com suspense e sustos na dosagem certa, o filme chega até ser interessante, e para mim, que não sou muito fã deste tipo de filme, reconheço que este é o "menos ruim" deste gênero. 

Já a continuação, como via de regra, é inferior ao primeiro, com erros grotescos no roteiro (no primeiro, pelo menos o rapaz é um viciado em seu novo brinquedinho, no caso a câmera, ao contrário do segundo, que a câmera fica ligada até entre diálgo entre pai e filha), com poucos sustos, com várias cenas monótonas, sendo tão entediante, que muitos momentos, principie um cochilo. Se não fosse a cafeína da coca-cola que tomei, achou que não tinha conseguido.  Assim como o [Rec] 2, Atividade Paranomal 2, dar um gancho enorme para a continuação, algo que com certeza teremos, já que o filme estreiou com recorde de bilheteria nos Estados Unidos e por aqui.

Em síntese, pelas duas continuações lançadas no cinema, é claramente percebível que este sub-gênero já está dando sinais de desgaste e não tem nada de novo para dizer. Mas enquanto houver público para este tipo de filmes, ainda seremos invadidos, por mais algum tempo, por produções faz de conta medíocres, que só entediam e pouco assustam.

Rick Pinheiro.
Cinéfilo.

ME ASSUSTA QUE EU GOSTO.

Ao fazer uma introdução aos comentários sobre três filmes de terror que assistir recentemente, ela acabou se transfromando nesta postagem, que faz o resumo do resumo da história do gênero no cinema. Evidente que, por não ter sido intencional, acabarei esquecendo de citar muitos filmes e artistas que transformaram este gênero num fenômeno de bilheterias. Mas o que vale é a intenção (neste caso, a falta dela. rssss...). Espero que vocês gostem.

Se existe um gênero de filme que está em luta constante para se reinventar e evitar a extinção é o terror. Entre altos e baixos, os filmes de terror sempre estão sendo produzidos e conquistando o público. Desde do começo do cinema, foram produzidos filmes de terror. Nas primeiras décadas do século passado foram os vampiros, lobisomens, múmias e o monstro Frankstein que consolidaram o gênero, graças a grandes interpretações de ícones como Bóris Karloff, Belo Lugosi,  Vincent Price e Christhopher Lee.

Nos anos 60, Alfred Hithcock dirigiu memoráveis filmes de suspense e até hoje são insuperáveis. As tentativas de refilmar seus grandes sucesso foram um grande mico (a versão de Psicose é um dos piores filmes da história do cinema), provando que cada um dos seus filmes tinham o seu toque genial, logo, praticamente impossível de refazer. Nos fins desta década, foi a vez do mundo conhecer o trash de George Romero, que também trouxe os zumbis para o gênero no clássico A Noite dos Mortos-Vivos. Nesta mesma época, o nosso cinema lançou provavelmente o único personagem do gênero, o também ícone trash Zé do Caixão, interpretado pelo esforçado José Monjica Martins, em filmes toscos de gosto duvidoso. Curiosamente, as obras de Monjica é conhecida e faz mais sucesso lá fora do que por aqui.

Nos anos 70, o trashão ganhou força, se firmando durante todos os anos 80. A década também é marcada por crianças possuídas pelo encardido em filmes que ganharam fama de "amaldiçoados", pelas tragédias acontecidas nos bastidores (O Exorcista, A Profecia). No fim desta década, e início dos anos 80, foi a vez dos ataques dos animais (as séries Tubarão, Piranhas) e o surgimento dos  indestrutíveis assassinos mascarados (as séries Halloween, Sexta-feira), que até hoje, aparecem na telona. Recentemente, as duas séries ganharam remake.

Sem dúvida os anos 80 foi a época de ouro do gênero, pois além de lançar diretores com James Cameron (Piranha 2: Assassinas Voadoras) e Sam Raimi (Evil Dead), e confirmar o talento de outros como Steven Spielberg (Poltegeist, outro filme marcado por tragédias nos bastidores, que também ocorreram nas duas continuações),  a criatividade dos roteiristas estava em alta.  Prova disso, por exemplo, é o aumento da galeria de vilões memoráveis como  Freddy Krueger (A Hora do Pesadelo), Pinhead (série Hellraiser), Chucky (Brinquedo Assassino), que  junto com  Jason (Sexta-Feira 13) e Michael Miyers (Halloween), foram fazer companhia aos já citados clássicos vilões dos Estúdios Universal. Também nesta década o gênero ganhou força com os sub-gênero Terrir  (filmes de terror com muito humor e que para mim é o melhor do gênero), em filmes como A Hora do Espanto, Gremlins, Criaturas, Evil Dead, A volta dos Mortos VivosOs Garotos Perdidos, entre outros.

Nos anos 90, com os Oscars conquistados por O Silêncio dos Inocentes, que lançou Hannibal Lecter, outro personagem memorável para a galeria dos vilões, o gênero ganhou produções de luxo, com elenco de estrelas, em filmes como Drácula de Bram Stoker, Seven: Os Sete Crimes Capitais, Entrevista com o Vampiro. Mas nos meados da década, o gênero andou em baixa, e  retomou o sucesso apenas nos últimos anos e ínicio dos anos 2000 em produções como a trilogia Pânico, Eu sei o que vocês fizeram no Verão Passado e Prova Final. Até os vilões do passado Michael Miyers (Halloween: 20 anos depois e Halloween: Ressureição) e Chucky (A Noiva de Chucky e O Filho de Chucky) ressurgiram para dar uma forçinha ao gênero. Até a maior vilã da vida real, a morte, deu uma alavancada no gênero, com a série Premonição. Mas o gênero ganhou força mesmo, graças ao diretor M. Night Shyamalan e o supreendente suspense, com temática espírita O Sexto Sentido, lançando um modinha de filmes semelhantes, que não durou por muito tempo. 

Neste novo milênio, também foi a vez dos filmes produzidos no Oriente  e os inevitáveis remakes hollyywoodianas ganharem as telonas (O Chamado, O Grito, Espelhos do Medo).  e  das produções trash extremamente violentas (a série Jogos Mortais, O Albergue, Turistas), sub-gênero que tem como percursor a polêmica produção de 1972 O Massacre da Serra Elétrica, que também foi percusor da onda de remakes de clássicos do gênero que tomou conta da segunda metade desta década (Sexta-feira 13, Halloween e A Hora do Pesadelo).

Nestes últimos anos, é a vez dos filmes produzidos como se fossem documentários. Este sub-gênero, que teve como percursor Canibal Holocausto,  produção italiana de 1979, e que ganhou o grande público exatamente 20 anos depois com a produção norte-americana A Bruxa de Blair, tem como características principais serem filmes de baixo orçamento, atores desconhecidos e alguns até amadores que, na maioria das vezes, emprestam seus próprios nomes aos personagens, roteiro quase inexistente e que deixa muito a desejar, e que graças a um grande estratégia de marketing, são produzidos e divulgados como se fossem produções reais.

O resultado é supreendente até mesmo para os próprios produtores. Filmes como Atividade Paranormal (2009) e [Rec] (2007) faturaram valores impressionantemente superiores ao seu orçamento, conquistaram fãs no mundo inteiro e, evidentemente, geraram continuações  e refilmagem (Quarentena lançado no ano passado é o remake norte-americano de [Rec]). Só neste semestre, tivemos as continuações de [Rec] e Atividade Paranormal, e também O Último Exorcismo. Particularmente, não gosto muito deste sub-gênero que para mim é tosco e entediante, e que já está ficando chato e repetitivo. Da semana passada até hoje, assistir três produções deste sub-gênero, que eu comentarei na próxima postagem.

Por fim, com a coqueluche do momento da tecnologia 3D, o gênero do terror não podia ficar de fora, já que  tinha usado o recurso ainda nos anos 80 e 90, no tosco Tubarão 3 e no fraquinho Pesadelo Final: A Morte de Freddy Krueger, sexto filme da série A Hora do Pesadelo, que na época foi anunciado como a desperdida do personagem. No ano passado, o remake de Dia dos Namorados Macabro marcou a (re) estreia do gênero utilizando esta tecnologia. Só este mês,  o remake Piranha 3D e o novo Jogos Mortais, que os produtores juram que será o último (será?), chegam as telonas.

Seja com grandes ou com baixos orçamentos, com roteiros interessantes ou péssimos, o fato é que os filmes de terror, mesmo com aparente desgaste ainda vai assustar e divertir os cinéfilos pelo mundo afora.

Rick Pinheiro.
Cinéfilo.

O BOM CINÉFILO A VÍDEO-LOCADORA RETORNA.


Alguns anos atrás, eu, como com certeza milhares de pessoas, tínha o costume de ir a video-locadora perto da minha casa e alugar alguns filmes, em fitas VHS. Era a época de ouro do Cinema em Casa, onde tínhamos locadoras quase na mesma proporção de padarias e farmácias. Com o surgimento de DVD, o meu ritmo diminuiu um pouco, mas sempre, nos meus tempos folgados, estava na locadora conferindo os lançamentos. 

Mas com o advento da pirataria, as locadoras entraram em crise e num efeito dominó foram fechando as portas, deixando órfãos, cinéfilos como eu, que curtem assistir um bom filme em casa, pagando pouco, e tendo total controle da exibição com apenas um clique no controle remoto. Hoje, não chegamos a 10, o número de locadoras que oferta filmes originais.

Faziam anos que eu não pisava numa vídeo-locadora, quando no sábado, dia 16 de outubro, resolvi entrar e me tornar sócio da locadora 100% Vídeo, localizada na Ponta Verde, a meia-hora da minha casa. A comodidade da locadora na esquina de casa acabou, mas em compensação, a estrutura é excelente, com espaço amplo, funcionários simpáticos, acolhedores e prestativos, e um gigantesco acervo de filmes, passando longe das chatíssimas lista de espera das antigas locadoras. Como toda loja moderna, a vídeo-locadora oferece também outros serviços como  venda de livros, de DVD semi-novos, guloseimas. A foto que ilustra esta postagem é de uma locadora da franquia, localizada no interior de São Paulo, mas a de Maceió é idêntica, não deixando a desejar em nada para a franqueada paulista.

O preço das locações varia entre R$ 3,99 (filmes do catálogo) e R$ 6,99 (super-lançamentos), salgado para os padrões antigos (exceto da extinta Stop Vídeo que cobrava preços absurdos), mas por toda estrutura oferecida esses valores são insignificantes. Sem falar que dia de quarta, tem promoção, que eu não me informei, já que desde de sempre, meu costume é locar apenas aos sábados.

Para se associar, é idêntica as velhas locadoras: levar RG, CPF e comprovante de residência. O cadastro é rapidíssimo e não dura nem cinco minutos, podendo logo depois fazer a primeira locação, só que o pagamento é a vista, outro costume das antigas locadoras. A diferença é que é feito também o cadastro biométrico (aquele com o dedo indicador ) e tirada uma foto digital. É a tecnologia moderna a serviço do bem-estar do cliente e segurança do fornecedor.

A locadora funciona todos os dias, inclusive domingos e feriados, das 10 da manhã até as 23 horas.

Seja no escurinho das salas de exibição ou no conforto de casa, cinema continua e sempre será, a melhor diversão.

Rick Pinheiro.
Cinéfilo.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

"CATECISMO" ESPÍRITA DE VINTE MILHÕES DE REAIS.

Antes de postar os meus comentários que mostram as divergências entre Catolicismo e doutrina espírita,  exponho como cinéfilo a minha opinião sobre o filme Nosso Lar.

O filme narra a história de André Luiz, um médico, que morre, descobrindo que existe vida após a morte. A trama é bem escrita, mas com alguns furos no roteiro, inexplicáveis. Como obra de ficção até que é plausível. Para quem já se acostumou ao ouvir som no espaço em filmes como os da série Star Wars, notebook no outro lado da vida não supreende.

As interpretações são péssimas, sendo o ponto mais fraco do filme. Mesmo contando com ótimos e consagrados atores como Othon Bastos e Paulo Goulart, não convence. Todo elenco parece que está fazendo um monótono discurso da doutrina espírita, com o mesmo tom de um médium numa sessão espírita. E não me venham dizer que todo elenco é médium estava incorporando espíritos, para justificar as péssimas interpretações. Simplesmente trata-se aqui da mais pura e conhecida canastrice. Tenho certeza que nem se o ator de pornô alagoano de 18ª categoria Lobão fizesse um filme do gênero chamado Nosso Bar, sobre o homônimo antigo prostíbulo maceionse, teria interpretações tão insossas como nesta milionária produção espírita.

Se o roteiro e as interpretações não são das melhores, em relação a parte técnica o filme é excelente, com efeitos especiais de primeira qualidade, nunca vistos no cinema nacional. Estes efeitos foram produzidos num estúdio canadense, responsável por sucessos norte-americanos, como o filme Watchmen. O feito histórico em nosso cinema se deu graças ao orçamento milionário e fora do comum para os padrões do cinema nacional.

Curiosamente, quem assiste filme nacional, fica  irritado pois antes de todo filme, temos um longo e penoso tempo de até 02 minutos para mostrar as logomarcas dos inúmeros patrocinadores. Mas em Nosso Lar, isso não acontece, e são exibidos em menos de 30 segundos, um recorde para o nosso cinema. Apesar do orçamento caríssimo, o filme teve poucos patrocinadores, sendo o maior deles, a Federação Espírita do Brasil. Em troca, os espíritas tiveram um produto de luxo perfeito para difundi sua doutrina e atrair novos adeptos.

Sugiro que acessem esta reportagem e saibam um pouco mais da produção milonária deste filme: http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2010/09/nosso-lar-chega-aos-cinemas-com-alto-orcamento-e-grande-expectativa.html 

Em síntese, como obra de ficção, Nosso Lar, até que é um filme razoável, agrada aos olhos do espectador e chega até divertir em alguns momentos. Mas do ponto de vista religioso, eu não recomendo para aqueles que não têm conhecimento e convicção plenas da sua própria Igreja, pois correm o risco de, diante de um produto tão bem feito tecnicamente, aderirem como verdade de fé algo que notavelmente é pura ficção.

Exagero da minha parte? Com certeza, não. O fato é que se existem pessoas que tem com verdade de fé a Força da série Star Wars, e outras que acreditam que o ex-jogador Maradona é verdadeiramente deus, imaginana o que um filme patrocinado por uma crença religiosa que tem mais de 1 milhão de adeptos, pode fazer?

Rick Pinheiro.
Cinéfilo.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

NOSSA SENHORA DE FÁTIMA EM FILMES.

Para aqueles que, assim como eu, curtem cinema, algumas sugestões de filmes sobre as aparições de Nossa Senhora em Fátima.


O Milagre de Fátima (1952), como a maioria dos filmes hollywoodianos da época que narravam fatos religiosos, não é totalmente fiel (a pastorinha Lúcia, por exemplo, é interpretada por uma adolescente, mas na época das aparições, a verdadeira Lúcia tinha 10 anos de idade), aumenta na dramaticidade beirando a canastrice mexicana e cria personagens secundários. Mas nada que atrapalhe o brilho deste filme já que os principais fatos estão lá. É um filme tocante, emocionante e divertido. Sou suspeito para falar deste filme, pois graças a ele, é que ainda criança tornei-me um apaixonado pela história ocorrida em Fátima. Nos meados dos anos 80, este filme era presença obrigatória na Sessão da Tarde da Rede Globo. No final dos anos 90, foi exibido, sempre nos dias 13 de Maio e de Outubro, na extinta sessão (por enquanto, pois sempre o patrão Silvio Santos traz de volta a programação) Cinema em Casa do SBT. Infelizmente, no momento este  filme está pegando poeira num porão de alguma emissora. Que eu saiba, não foi lançado em DVD ofiicialmente. Mas pode ser baixado em site especializados e se procurar bem, até ser encontrado em banca pirata. Filmaço. Um clássico imperdível e emocionante. Nota 10,0.


Mais recente, em 1997, a emissora italiana Rai, produziu o filme Fátima, estrelado pelo ótimo ator português  Joaquim de Almeida, figurinha fácil em filmes e seriados norte-americanos. Neste fillme, ele interpreta um jornalista que irá cobrir os fatos ocorridos em Fátima. Este filme belíssimo, com excelentes interpretações e lindas locações, é fidelíssimo aos fatos, e já foi lançado em DVD pelas Paulinas. Obrigatório para quem quer conhecer a história ocorrida em Fátima. Nota 10,0.


Fazendo pesquisa de imagens para esta postagem, descobri que exatamente a um ano foi lançado em Portugal e nos Estados Unidos, o filme britânico O 13º Dia: Um Milagre em Fátima. Ainda não assistir e não tenho conhecimento se já foi lançado em DVD aqui no Brasil. Pelo trailer, muito bem elaborado, parece que este filme também é fiel aos fatos, apesar das crianças que interpretam os pastorinhos  serem acima da idade dos verdadeiros (a atriz Ana Sofia, que intepreta Jacinta tinha 13 anos de idade na época da filme. Já  a verdadeira Jacinta faleceu pouco antes de completar 10 anos de idade). Para dar mais veracidade aos fatos, apesar de ser um filme britânico, as crianças que interpretam os pastorinhos são portuguesas e  o filme é em preto-e-branco, e somente nas cenas das aparições são em cores.  Excelente e criativa ideia dos diretores. Pelo trailer, promete ser um filmaço, com uma envolvente trilha sonora. Estou ansioso para assisti-lo. Confiram abaixo o trailer e saberão porque me empolguei tanto.



Rick Pinheiro.
Téologo e cinéfilo.

O PIOR E MAIS CHATO FILME DO ANO.

Animado para assistir o filme A Lenda dos Guardiões em 3D, sair de casa uma hora e meia antes do início da sessão. Mas devido ao busão da linha Benedito Bentes - Ponta Verde levar uma eternidade para chegar ao Shoping Pátio Maceió e a fila quilométrica para a próxima sessão do filme Tropa de Elite 2, meus planos de assistir o desenho ficou no mundo da imaginação. Para não perder a viagem até o fim do mundo do Biu e para forçar um encontro "casual", no busão de volta, com uma pessoa que anseio ver há semanas, me vi obrigado a assistir outro filme. Infelizmente, sobrou Comer Rezar Amar, baseado num best seller homônimo que vendeu e vende zilhões, uma prova que hoje em dia, os leitores não têm senso crítico, já qualquer porcaria torna-se sucesso editorial. Que o diga os Harry Potter, Crepúsculo, as obras de Dan Brown e outros lixos como este livro.

Ao contrário do título, o livro que virou filme, não é uma autobiografia do nosso irmão Paulo Avatar Carioca ou do Eudes ou de outros comilões da nossa equipe arquidiocesana. Se fosse seria infinitamente mais interessante e melhor. A trama narra a experiência da escritora, feita neste filme de forma insossa e sem inspiração por Júlia Roberts (atriz que há tempo deixou de interpretar e ligou o piloto automático), que após a crise que sua vida está mergulhada (algo que a própria escritora provocou), resolveu chutar o pau da barraca e tirar um ano de férias (algo que só uma desocupada com dinheiro pode fazer) fazendo tour na Itália, Índia e Bali. Nesta última, ela conhece um brasileiro, interpretado por um mexicano, que também é desocupado e está na mesma merda que ela. Os pombinhos desocupados se apaixonam, entram em crise e no final, juntam as escovas de dentes, vivendo felizes para sempre (ou até a escritora não se cansar mais uma vez do tédio da vida de casada, dar um pé na bunda no Mané e escrever outro livro que virará filme).

O filme é longo, chato, um tédio total. A experiência da tal escritora sequer faz jus ao título, já que ela come um pouquinho a mais apenas quando está na Itália, não reza, mas enrola na meditação hinduística e ama, apenas nos primeiros vinte minutos de filme quando começa namorar e termina rapidamente com um atorzinho que interpreta um dos seus livros num teatrinho de 15ª categoria (interpretado por James Franco, que fez o filho do Duende Verde na trilogia Homem Aranha, mas sem ter o que fazer neste filme entediante), e nos últimos vinte minutos quando ela conhece o brasileiro com sotaque paraguaio.

Enfim, se eu queimasse os R$ 5,00 ao invés de pagar ingresso para ver este lixo, eu teria mais lucro, pois ao menos o dinheiro queimado serveria de adubo. O filme para mim e para boa parte da meia-dúzia de espectadores da sessão de hoje das 15:15, da sala 5 do Centerplex deveria se chamar  Comer pipoca com Pepsi geladinha, Entediar durante mais de duas horas de projeção e Rezar para que o filme acabasse logo. Um filme perfeito para aqueles que vão com namoradas, apenas para namorar no cinema, e para os que sofrem de insônia. Ao menos neste último quesito eu me encaixo. Estou até pensando comprar o DVD pirata (não vou pagar trinta conto quando este lixo for lançado oficialmente) para as noites que eu estiver com este problema. Sonífero natural melhor não há.

Ah, para completar a tortura, o tiro saiu pela culatra, já que eu não encontrei no busão a gata que pretendia encontrar. Filme ruim e desencontro: um dia para esquecer.

Rick Pinheiro.
Cinéfilo.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

DUAS NOVAS SALAS DE CINEMA EM MACEIÓ.


Mesmo com o filme Tropa de Elite 2 estreando num cinema pertinho de casa e iniciando a primeira sessão meia-hora antes, fiz questão de me deslocar ao Mini-Shoping Farol para prestigiar não somente a estreia do tão aguardado filme, mas também de um novo cinema em Maceió.

A princípio devo dizer que o ditado popular: "A pressa é inimiga da perfeição", se encaixa perfeitamente no caso da inauguração destas duas novas salas, já que ainda falta algumas coisas a organizar na reforma que o antigo Cine Farol passou. 

A boboniere ainda está com pouquíssimo produto e a pipoqueira não estava disponível antes da primeira sessão. Se não fosse as fotos de cenas clássicas do cinema como Os Três Patetas, Charles Chaplin, O Gordo e o Magro e do Dr. Brown pendurado no relógio da torre em De Volta Para o Futuro, não parecia que ali é um cinema. A bilheteria é única, como no Cine Maceió, e o preço dos ingressos, inclusive até os dias de promoções, idênticos ao citado cinema.

Em compesação, somos presenteados com uma sala confortável, com aconchegantes e novas cadeiras, e mais espaço, já que a úlitma fila foi juntada de lado a lado. O som é perfeito, apesar de, como de costume nos cinemas de Maceió, não está tão alto. Já a tela aproveitaram do antigo Cine Farol.

Os funcionários são educados e acolhedores, algo comum aos outros cinemas, apesar dos dois Cine Maceió, do Grupo Severiano Ribeiro, só deixar um pouco a desejar no quesito organização.

Em síntese, apesar da aparente arrumação de casa, valeu o esforço em inaugurar o cinema hoje, como dois super-lançamentos: o brasileiro Tropa de Elite 2 e o desenho animado Norte-Americano A Lenda dos Guardiões.

Mais uma vez desejo as boas vindas ao goiâno Grupo Lumiére, que presenteia Maceió, com duas excelentes salas de cinema, abrindo com chave de ouro sua primeira inclusão na Região Nordeste.

Rick Pinheiro.
Cinéfilo, feliz por mais duas novas de Cinema em Maceió. E que venham mais e mais.

TROPA DE ELITE 2 SUPREENDE.

Depois de esperar ansiosamente por mais de um ano, por três filmes,  fui hoje mesmo conferir o último da minha "trilogia da ansiedade".  Tropa de Elite 2: O Inimigo agora é outro, estreia hoje em todo Brasil, e está sendo exibido em quatro salas aqui em Maceió. Primeiramente quero dizer: esqueçam as frases marcantes, a ação alucinante e a truculência do Capitão Nascimento do primeiro filme. Como o diretor vem dizendo e eu pude conferir hoje, Tropa de Elite 2 é um novo filme, que não repete a fórmula do primeiro. Ligeiramente é um pouco inferior a este, porém, não é um péssimo filme. Muito pelo contrário, é um excelente filme. Se o primeiro filme a adrenalina rola solta, no novo filme o que prevalece é a reflexão e uma luta mais silenciosa, tão estratégica quanto um jogo de xadrez. O inimigo desta vez não são os traficantes do Rio de Janeiro, mas o próprio sistema, representados por péssimos políticos, policiais corruptos que formam as milícias para "proteger" o povo de suas próprias ações.

Como no primeiro filme, a trama inicia-se quase no fim da história, com o carro do nosso herói, agora Coronel Nascimento sendo fechado numa emboscada para executá-lo. Após a eletrizante sequência de créditos iniciais com cenas marcantes do primeiro filme ao som da conhecida música tema do Tihuana, o roteiro volta no tempo, precisamente a quatro anos atrás, onde o BOPE é chamado para controlar uma rebelião no presídio de Bangu I. Após uma ação precipitada do agora Capitão Matias (André Ramiro, mais uma vez perfeito, só que agora o antigo idealista, dar lugar a um truculento figurinha repetida do Cap. Nascimento do filme anterior), testemunhada por um defensor dos Direitos Humanos, que mete bronca através da mídia, pedindo ao Governador providências. Evidente que, por questão política, Nascimento e Matias foram rebaixados.

Como a corda sempre arrebenta para o lado mais fraco, Matias é expulso do BOPE e volta ser um aspirante na PM, indo servir no Batalhão comandado pelo Capitão Fábio, o ex-recruta 02. Já Nascimento, por ganhar as graças da opinião pública que apoiou a ação do BOPE no presídio, foi exonerado do Comando do BOPE, e como ele mesmo disse "rebaixado para cima", tornando-se sub-secretário de Segurança Pública. Paralelamente, policiais corruptos descobrem um modo melhor para arrecadar dinheiro e formam as conhecidas milícias, levando terror e extorsão ao povo de comunidades carentes.
Nos dias de hoje, Nascimento se depara agora com um inimgo que ele não está acostumado a lidar: a política. Melhor dizendo, a péssima politicagem infelizmente tão presente em nosso país. Aos poucos, junto com Nascimento, vamos conhecendo que o problema da falta de segurança é causada pela politicagem, por conchavos entre péssimos políticos e os milicianos, formados por polícias corruptos. O filme é ousado e corajoso em mostrar toda essa podridão que rola nos bastidores do poder e chegamos a conclusão que eleição é um negócio. Se levarmos em conta que o Governo do Rio de Janeiro é um dos patrocinadores do filme, sem dúvida, o diretor José Padilha e sua equipe, são corajosos ao extremo.

O subtÍtulo "O Inimigo agora é outro", faz jus ao filme. Somos apresentados neste filme a criminosos piores e mais cruéis que os traficantes do primeiro filme, justamente, por serem pessoas que, em via de regra, deveriam está lutando pela melhoria da nossa sociedade e não servindo e facilitando a bandidagem.

Um desses péssimos políticos, interpretado brilhantemente pelo hilário André Mattos, é um Deputado Estadual que foi eleito graças a sua outra função de apresentador de programa sensacionalista, onde prega a tolerância zero aos bandidos, ao tráfico, mas serve-se e é servido pelas corruptas milícias.

O filme é um ataque direto a classe política e ao governo como um todo. Percebemos que todas as malzelas  são geradas pelos péssimos governantes que só visam os seus próprios interesses e acabam perpetuando este círculo vicioso. Diante da podridão que nos é apresentada, até deveríamos perder as esperanças de mudança do caos do nosso país.

Deveríamos. Mas Padilha nos mostra que nem tudo está perdido e que jamais devemos perder as esperanças. Em contrapartida a tanta corrupção, temos pessoas que realmente fazem política e lutam por um Estado melhor, com no caso de Fraga, o defensor dos Direitos Humanos, que é eleito Deputado Estadual graças ao incidente em Bangu I, que luta incansavelmente contra toda corrupção que geradora deste caos que estamos mergulhados. O personagem é interpretado brilhantemente pelo sempre competente Irandhir Santos.

 O outro herói, que nos dar esperanças por melhoras em nosso país, , não poderia deixar de ser o Coronel Nascimento, que agora terá que deixar de lado todos os métodos que ele achava eficazes para o combate a violência e descobriu novos, dentro do próprio sistema. 

Os dois personagens  são rivais apenas pelos métodos de ação, mas na verdade, ambos são genuínos heróis brasileiros, pois lutam, cada um ao seu modo, para uma sociedade e governo mais justo.

O elenco, assim como no primeiro filme, está ótimo, com destaque mais uma vez a Wagner Moura, que mais uma vez supreende ao interpretar um Nascimento perdido na nova função, à beira de uma depressão, com medo de perder o filho, mas que corajosamente, não se deixa vencer, lutando com todas as forças que lhe restam para combater o sistema, levando segurança a população. Wagner Moura humaniza o nosso herói e segura perfeitamente esta nova fase do personagem.

Além de Wagner Moura e André Ramiro, também estão de volta Maria Ribeiro, como a ex-esposa de Nascimento, Bruno D'Elia que no primeiro filme aparece negando pedido de férias a um PM, pelo mesmo não lhe pagar um suborno, e que neste filme, tem uma participação maior, onde o seu personagem, agora capitão, funda e dirige uma milícia, e Minhem Cortaz, que nos fez rir no primeiro filme como o corrupto Fábio que se deu mal no curso do BOPE, onde era conhecido como 02, e que agora é Capitão de uma guarnição da PM.

As caras novas, porém conhecidas, além do já citados André Mattos e Irandhir Santos, conta também com a presença de dois cantores populares: Seu Jorge e Dudu Nobre. O primeiro, aparece pouco, mas simplesmente rouba a cena na pele do traficante, que lidera a rebelião no presídio de Bangu I.  Seu Jorge é um velho conhecido como ator, atuando até mesmo em filmes internacionais, sempre roubando cena. Seria um alívio se ele só se dedicasse a carreira de ator, pois nos pouparia de ouvir "Burguesinha".

Já Dudu Nobre, o diretor José Padilha deveria ter seguido a ideia que declarou ontem no Programa do Jô, que pretendia fazer o concurso "Quem viu Dudu Nobre", pois simplesmente não conseguimos vê-lo em cena, como um soldado figurante do BOPE. Até para conseguir a foto ao lado que comprova a sua participação no filme foi dífícil de encontrar.  O diretor jura que ele está no filme, mas eu tenho por mim que o mico foi tão grande que Dudu fico no chão da ilha de edição. Quando for lançado o DVD do filme, vou procurá-lo atentamente. Se Dudu Nobre for mesmo bom ator como Padilha anda dizendo por aí, faço os mesmos votos que desejei a Seu Jorge.

Reparei uma certa fustração de boa parte do público ao fim da exibição de Tropa de Elite 2. De fato, quem foi ao cinema para ver ação frenética, táticas policiais violentas e a truclência e frases marcantes, tiveram uma grande fustração com este filme.

Pai e filho resolvem as crises de relação no tatame.
Algo normal quando o pai é o durão Nascimento.
Mas é uma injustiça que o público comete, pois Tropa 2 é tão bom quanto o primeiro, com um roteiro inteligente, criativo e até mais realista que o primeiro. Uma prova clara que uma continuação, quando se tem de fato algo novo a contar, pode gerar um filmaço.
 Rick Pinheiro.
Cinéfilo.