quarta-feira, 11 de agosto de 2010

FALCÃO: UM DOS MELHORES FILMES DE SYLVESTER STALLONE.

Ao falamos de Sylvester Stallone, vem logo em mente os personagens Rocky e Rambo, e mais recentemente, a merda que ele declarou em relação ao Brasil, a pouco mais de quinze dias. Porém, poucos lembram de uma pequena obra que ele atuou como protagonista e roteirista, produzida por um Estúdio de filmes "B" que tanto rendeu nos anos 80, um filme figurinha carimbada das antigas e originais Sessão da Tarde e Temperatura Máxima da Rede Globo. O filme é Falcão - O Campeão dos Campeões, que para mim é o melhor filme estrelado por ele, junto com clássico ganhador de três Oscar, Rocky - Um Lutador.

Neste filme, Stallone interpreta o caminhoneiro Lincoln Hank (Falcão, em português), um caminhoneiro que abandonou sua esposa e filho pequeno (motivo que não é bem explicado no roteiro). Quando a esposa está entre a vida e a morte, entra em contato com ele, para que o mesmo possa se reaproximar e tentar conquistar o amor do seu filho, um pivete mimado e riquinho, recém-formado numa escola militar. Evidente que no início o relacionamento dos dois é péssimo e no  decorrer do filme, ambos vão se aproximando, enquanto o avô, interpretado pelo grande ator, mas sempre coadjuvante Robert Loggia, fará de tudo para manter a guarda do pirralho Mike. Paralelamente, Falcão vai participar de um torneio de queda de braço, que tem como prêmio, um potente caminhão.


O roteiro do filme é excelente, mesclando cenas sentimentais bregas, mas também grandes mensagens de superação, força de vontade, que não somente são dirigidas ao "ex-Mauricinho" e uma delas no final, é dirigida ao pai caminhoneiro pelo próprio filho, mas também para todo nós. Em se tratando de mensagens edifciantes inseridas no roteiro, Stallone é um roteirista perfeito. Provavelmente inspirado em sua própria vida dura antes da fama. Neste ponto, o roteiro lembra muito o premiado roteiro de Rocky, um Lutador, escrito também por Stallone.

Evidente que, num filme estrelado pelo rei de filme de ação da época não poderia faltar cenas de ação, algumas irreais e sem nexo, como a tentativa de sequestro do pirralho pelos guardas-costas do avô mala e a fuga de casa do mesmo, indo a Las Vegas para acompanhar e torcer pelo papai caminhoneiro, e outras legais como a invasão de Falcão a mansão e o corretivo que ele dar num segurança puxa-saco do velho Cutler. Isso sem falar nas cenas típicas da série Rocky, mega-sucesso na época, como as competições esportivas (o boxe aqui é substituído pela queda de braço) e estilos video-clipes, que não poderiam faltar.

A música é outro ponto forte deste filme. A trilha sonora é marcante e fez enorme sucesso na época, mesmo não tendo famosos nomes. Muitas dessas músicas são tocadas até hoje, nos programas radiofônicos e em chamadas de filmes e novelas na TV. No filme, essas são inseridas perfeitamente nas cenas, formando verdadeiros videoclipes. Enfim, para quem curte boas músicas pop e românticas dos anos 80, esta trilha é indispensável.

Como o filme foi realizado pela Cannon, extinto estúdio de filmes "B",  que marcaram e fizeram tanto sucesso nos anos 80, a precariedade da produção é um pouco visível em comparação a outros filmes da época estrelados por Stallone, apesar do astro brucuto ter embolsado um cachê imenso, somado a porcentagem nas bilheterias, já que na época, ele era o ator mais bem pago do mundo. Mas em comparação com outras produções do mesmo estúdio, só perde em luxo para filme, repleto de  efeitos especiais de Mestres do Universo, versão melhorada para o desenho He-man, estrelada pelo canastrão e também astro de ação, Dolph Lundgren.

Merece também destaque as interpretações. Robert Loggia, está perfeito como o avô que luta pela guarda do neto, apesar do roteiro sem consistência lhe ajudar. Stallone está bem, fazendo o seu personagem típico "Ferrado na vida, que não desiste de lutar pelos seus sonhos". A quimica entre ele e o garoto David Mendenhall é perfeita, apesar de injustamente, este ter recebido o troféu framboesa (uma espécie de Oscar que "premia" os piores do ano) como pior ator mirim. Mendenhall soube conduzir perfeitamente a mudança comportamental do seu personagem e em algumas cenas, chegou até ofuscar o seu parceiro de cena, Stallone.

Outro ponto que merece destaque sem dúvida é a dublagem brasileira original. Apesar de preferir filmes no idioma original, é inegável que a clássica dublagem deste filme que a Rede Globo tanto exibia em sua programação vespertina, é perfeita e inesquecível, tendo a frente o saudoso André Filho, (que nos deixou em 14 de março de 1997, vítima da AIDS), que dublava perfeitamente Stallone.

Absurdo em dose dupla é que este filme é ignorado, tanto pela Rede Globo, que prefere exibir lixos atuais classe Z na sua programação, quanto pelas distribuidoras de DVD, pois até onde eu sei, ainda não foi lançado oficialmente neste formato. Para assistir este e outros filmes inesquecíveis, precisamos recorrer a internet baixando-o ou ao velho VHS. Uma pena mesmo, que seja dado tanto destaque a filmes medíocres de hoje em dia e total desprezo a filmes que marcaram uma época a exemplo de Falcão.

Enfim, Falcão - O Campeão dos Campeões é um filme leve, emocionante, com belas mensagens de otimismo e cenas de ação empolgantes, que merece ser revisto várias vezes por aqueles que já assistiram e também ser descoberto por aqueles que ainda não, sobretudo, a nova geração. De fato o melhor filme de Stallone. Pelo menos até daqui a dois dias, quando eu irei conferir de perto se o esperado Os Mercenários, tirará este título de Falcão e de outro clássico, Rocky, um Lutador.

Rick Pinheiro.
Cinéfilo, com saudades dos bons filmes do Século XX.

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