sexta-feira, 9 de setembro de 2011

BARBÁRIES ORIGINAIS.

Filmes.
Barbáries originais.

Na próxima sexta, dia 16 de setembro, a super-produção Conan, O Bárbaro chega as telonas brasileiras. Como todos sabem, esta mega-produção em 3-D não é a primeira inclusão do herói  na sétima arte. Nos anos 80, Arnold Schwarzenegger deu vida ao herói cimério em dois filmes que fizeram enorme sucesso e foram responsáveis pelo seu estouro nas telonas.

Seguindo a minha promessa de tentar, a cada semana, postar comentários sobre uma franquia que marcou a história do cinema, trago aqui comentários sobre os dois filmes do Conan e de quebra, sobre Guerreiros de Fogo, que na época do seu lançamento, muitos achavam que se tratava de Conan 3, já que conta com Arnoldão no elenco fazendo outro guerreiro dos "tempos imemoriais" (como dizia  Alex, meu colega de escola na época da infância.). Sem perder tempo, vamos aos comentários das barbáries originais.

Conan foi criado por Robert E. Howard em 1932, fazendo um grande sucesso logo de cara. Segundo o Wilkipédia, "Fez sua primeira aparição na revista Pulp Weird Tales  no conto chamado "The Phoenix on the Sword" (em português, A Fênix na Espada ). Howard escreveu mais dezenove histórias e um romance protagonizados pelo personagem (três dos contos só publicados após sua morte), sendo que outros escritores de renome também criaram histórias de Conan ou reescreveram contos, a partir de sinopses e fragmentos originais após 1936, ano em que Howard se suicidou.  (...) As histórias de Conan e de alguns outros personagens de Howard se passam na fictícia Era Hiboriana, uma época pré-glacial anterior ao registro da história conhecida, posterior à suposta submersão de Atlântida" (Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Conan).

Em 1970, a Marvel popularizou o herói cimério, lançando suas aventuras em quadrinhos. Mais um sucesso estrondoso. Na mesma época, os quadrinhos estrelados pelo Conan chegou por aqui. Particularmente, conheci o herói apenas na segunda metade dos anos 80, pelos quadrinhos da Marvel publicados pela Editora Abril, principalmente, quando estreiou sua revista própria (A Espada Selvagem de Conan). Apesar de ser um gibi diferente dos costumeiros (tamanho grande e quadrinhos preto-e-branco), eu me amarrava nas aventuras de Conan, Sonja, Kull e companhia.

Diante de  estrondoso sucesso nos quadrinhos, a versão para as telonas era questão de tempo. Em 1981, o saudoso produtor Dino De Laurentis recrutou o diretor John Milius para comandar a estreia do herói nas telonas, em 1982, na mega-produção, para os padrões da época, Conan, O Bárbaro. Milius, que também escreveu o roteiro ao lado de ninguém menos que Oliver Stone, escalou o então fisioculturista Schwarzenegger, detentor de vários titulos de Misters,  para interpretar o bárbaro; a dançarina Sandahl Bergman para viver Valéria, o grande amor do brucutu; e os veteranos James Earl Jones (na época, no auge de sua carreira, por emprestar a sua voz ao vilão Darth Vader, em Star Wars) e Max Von Sydow.
Apesar de muitos acharem (inclusive está escrito na sinopse da embalagem do DVD),  este não é o filme de estreia de Schwarzenegger, já que brucutu austríaco tinha feito outros filmes, num período de dez anos. O atual ex-governador da Califórnia estreiou mesmo numa  versão classe "Z" do herói mitológico Hércules (Hércules vai a Nova York, de 1970), com  o tosco nome artístico de Arnold Strong (= forte). Entre outros filmes pré-Conan, estão a comédia Stay Hungry (1976), com Jeff Bridges e Sally Field, o documentário Puping Iron (1977) e a divertida comédia besteirol Cactus Jack, O Vilão (1979), estrelada pelo saudoso Kirk Douglas.  Mas foi com Conan que Schwarzenegger estourou nas telonas.

Como a maioria dos filmes de estreia de um personagem, a trama de Conan, O Bárbaro conta as suas origens. Quando criança, sua aldeia foi dizimada pelo peverso Thulsa Doom, e Conan foi pego para ser escravo. Anos depois, já adulto, torna-se um gladiador e, numa bela noite, sem qualquer explicação, é libertado pelo seu senhorio. Evidente que Conan parte para a forra contra os algozes de seus pais e de toda sua tribo, numa jornada repleta de perigos, ação, suspense e mulheres semi-nuas.

O filme tem um bom roteiro, conseguindo prender a atenção e apresentar bem o personagem. As interpretações são fracas, com exceção dos ótimos James Earl Jones e Max Von Sydow, que apesar de aparecerem pouco, roubam a cena como o vilão Thulsa Doom e o Rei Osric, respectivamente. Schwarzenegger está fraquíssimo e espantosamente mais canastrão do que hoje (dizem que o Hércules na época do Strong, ainda era pior. Não é a toa que este tosco filme é tão raro). Mas é inegável que um brucutu praticamente da idade da pedra,  um personagem que, convenhamos, não exige tanto assim de um ator, caiu com uma luva para o grandalhão, mesmo que o astro não pareça fisicamente com o Conan dos quadrinhos (pontuação alta para o novo filme, neste quesito).

Os efeitos especiais são toscos e até risíveis para os padrões de hoje (ao estilo do original Fúria de Titãs, da mesma época). Com certeza, também neste quesito, o remake ganhará de goleada em cima deste divertido filme original. Mas, em compensação, dificilmente irá superar a excelente trilha composta e conduzida por Basil Poleudoris. Sem sombra de dúvida, esta memorável trilha é o grande mérito da produção. Curiosamente, uma das músicas deste filme foi utilizada nos créditos finais de outra produção estrelada por Schwarzenegger, a excepcional ficção O Vingador do Futuro, de 1990, dirigida por Paul Verhoven.

Apesar de todas as suas limitações, Conan, O Bárbaro é um ótimo filme de ação, que apesar de um pouco envelhecido para os padrões de hoje, ainda empolga e diverte Uma pena que a produção anda sumida da programação das emissoras. Um dos melhores filme de guerreiro brucutu  e que sempre é lembrado e comparado, sempre quando surge um novo filme com outro brucutu sem camisa, dos "tempos imemoriais" (O divertido O Escorpião Rei é um bom exemplo).


Com o enorme sucesso que Conan, O Bárbaro fez pelo mundo, uma continuação era inevitável. Dois anos depois, o herói com pouca roupa e expressão facial zero volta em Conan, O Destruidor, trazendo Schwarzenegger de volta ao personagem, ainda mais bombadão e canastrão, desta vez dirigido por Richard Fleicher.

Na trama, Conan está obsecado pela sua amada Valéria, morta no primeiro filme. Sabendo desta obsessão (que Arnold torna tosca e patética, graças a sua canastrice), uma peversa rainha recruta o herói a escoltar uma jovem virgem estupidamente linda numa arriscada missão e, como recompensa, promete ao brucutu ressuscitar sua amada. Mas, na verdade, a rainha planeja mesmo é detornar com Conan e seus coleguinhas de aventura tão logo a princesa  ser sacrficada a um monstro bastante tosco.

Como 99% das continuações, Conan, O Destruidor é bastante inferior ao original. O roteiro é fraco, amenizando a saga do herói (Provavelmente, para receber classificação etária mas leve e evitar o rótulo de violento que o primeiro filme recebeu). A canastrice rola solta, com destaque para a cantora andrógina  Grace Jones (na época, Sra. Dolph Lundgren), como a exótica guerreira Zula. Jones torna a guerreira patética e altamente tosca, e ainda consegue a proeza de superar o Arnoldão na péssima atuação. As caretas que ela faziam, provocavam risadas na época, imagina nos dias de hoje. No duelo de canastrões que o filme promove, Jones é campeã absoluta e com larga vantagem.

Mas engana-se quem pensa que este filme é uma porcaria total. Muito pelo contrário, Conan, O Destruidor é uma empolgante e divertida aventura. Não é a toa que o filme era  presença constante nas saudosas Sessão das Tarde e Temperatura Máxima, nos meados dos anos 90.  É inegável que em comparação ao original é bastante inferior,  fraquinho e até  bobinho. Mesmo assim, consegue divertir e  chega  a superar muitos  filmes recentes.




 
Com o sucesso dos dois Conan,  outros dois personagens da Era Hibória, criada por Robert E. Howard, ganhariam as telonas. A primeira foi Sonja - A Guerreira (Red Sonja, no original), na aventura Guerreiros de Fogo, tendo a canastrona Brigitte Nielsen (na época, Sra. Stallone) no papel da guerreira e Arnold Schwarzenegger, como Kalidor, par romântico dela.

Um ano depois do último filme do simério, Richard Fleicher retorna à direção de mais uma versão para o cinema do mundo criado por Robert E. Howard. Desta vez, para contar as origens e primeira aventura de Sonja, que perde a família após a malvadona Gedren (Sandahl Bergman, a Valéria do primeiro Conan)invadir e dizimar sua cidade. Evidente, que Sonja parte para a forra e na sua jornada por vingança, encontra Kalidor (Schwarzenegger). Você deve está pensando: "eu já vi esta história, em versão masculina". De fato, você não está errado. Qualquer semelhança com a história de Conan, O Bárbaro não é apenas mera coincidência,  já que a intenção dos produtores, com certeza, era fazer uma franquia tão lucrativa quanto Conan, o que evidentemente, não aconteceu, já que Schwarzenegger, apesar de toda canastrice, tem empatia com o público. Já Nielsen...

O filme até que é divertido e em alguns momentos temos a sensação que chega superar ligeiramente o segundo filme de Conan (na verdade, um empate técnico, com uma ligeira vantagem da segunda aventura do cimério). O problema está justamente na escalação do elenco, principalmente, da protagonista. Brigitte Nielsen é muito fraca e não convence como a  heroína que, assim como o  Conan de Arnold, fisicamente está totalmente diferente da versão dos quadrinhos. Apesar de aparecer com seu nome estampado no cartaz, em letras enormes, Schwarzenegger é coadjuvante, com um o seu personagem fraco e mal construído que serve apenas de escada para Nielsen brilhar. Algo que, pela falta de talento da atriz, evidentemente não ocorreu.

Assim como Conan, O Destruidor, mesmo com todos esses pontos fracos, Guerreiros de Fogo não é um filme totalmente ruim. Diversão descompromissada garantida para toda família (chega a ser bem mais leve que aquele filme do brucutu). Vale também pela mórbida curiosidade de ver Arnold dando "uns beijinhos" em cena, na então esposa do seu rival de bilheteria na época e para ver o pequeno mestre, da série televisiva homônima da mesma época, lutando melhor que Sonja e Kalidor.



O segundo personagen do universo de Howard pós-Conan a ganhar uma versão nas telonas foi o rei Kull, em 1997. Curiosamente, o bárbaro que, assim como Conan, se tornou rei, ganhou um filme por acaso, já que o roteiro foi escrito para uma terceira aventura de Conan. Mas, com a recusa de Schwarzenegger, adaptaram para que o queridinho da época Kevin Sorbo (o Hércules da série televisiva homônima), fosse escalado, originando Kull, O Conquistador. Mesmo com quartorze anos do seu lançamento, e o DVD original baratíssimo, ainda não assistir este filme que, eventual e raralmente aparece na Sessão da Tarde. Mas, tão logo eu assista, postarei aqui os meus comentários.


 
Comentados os filmes originais do Conan e o da guerreira Sonja, agora é só aguardar para assistir o novo Conan, O Bárbaro, que pelo trailer, promete. Será que finalmente o personagem mítico de Robert E. Howard ganhará uma versão digna? Daqui a uma semana, responderemos esta pergunta.

Rick Pinheiro.
Cinéfilo.

ESTÁ ABERTA A TEMPORADA DE CAÇA AOS VEADINHOS.

Resenha
Esta aberta a temporada de caça aos veadinhos.


Resenhas à parte, é inegável que o vídeo acima é muito bem montado, mesclando cenas do episódio do CSI, onde Justin Bieber, pasmen, fez uma participação, com cenas de Rambo, em seu último filme, detornando com a bandidagem. O resultado é impressionante mesmo. Quem fez este vídeo merece uma vaga em Hollywood, né galera?

Rick Pinheiro.
Impressionado com a criatividade do ser humano.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

ATIVIDADE PARANORMAL NA LUA.

Filmes.
Atividade Paranormal na Lua.

Nos últimos anos, filmes feitos de forma amadora, vendidos como se fossem relatos reais, pipocaram nas telonas e espantosamente, arrebentaram nas bilheterias. Particularmente, não sou muito fã deste tipo de filmes, apesar de ter achado legalzinhos os primeiros [Rec] e Atividade Paranormal.  Se eu soubesse que Apollo 18, filme que eu conferir hoje a tarde na sala 6 do Kinoplex, seria o mais  novo representante deste sub-gênero, com certeza não teria gasto tempo e dinheiro assistindo este filme.

O "faz de conta que é verdade" desta vez é sobre um trio de astronautas, enviados à lua, no natal de 1974, numa missão ultra-secreta para instalar instrumentos de comunicação para espionar os soviéticos. Mas, chegando lá, eles se deparam com alguns fenômenos misteriosos, provocados por aliens. E o mais grave: parece que a NASA sabia da existência destes e podem ter enviados os três como cobaias.

O filme é uma mistura de Alien: O 8º Passageiro com Atividade Paranormal, mas sem o suspense daquela obra-prima de Ridley Scott, e sem os sustos gratuitos deste. Nada funciona neste filme que serve apenas como prova clara que este sub-gênero já está  bastante desgastado e não convence, muito menos assusta.

Enfim,  Apollo 18 é um filme totalmente descatável e que nada acrescenta a este sub-gênero.  Não percam tempo e dinheiro, indo assistir esta merda.

Rick Pinheiro.
Cinéfilo.


DE VOLTA PARA O FUTURO À BRASILEIRA.

Filmes.
De volta para o futuro à brasileira.

Quem não gostaria de voltar no tempo, corrigir as merdas que fez, evitar tragédias e sofrimentos, e mudar totalmente de vida, sabendo, por exemplo, o resultado da loteria? Dez entre cada dez pessoas com certeza gostariam de fazer esta viagem. Sabendo deste desejo que povoa o imaginário do ser humano, desde dos primórdios, o cinema trabalha exaustivamente este tema. E dependendo da imaginação dos roteiristas, este tema jamais será esgotado. Chegou a vez do nosso cinema nacional ter o seu representante, na descompretida comédia romântica O Homem do Futuro, dirigida por Cláudio Torres e estrelada por Wagner Moura e Alinne Moraes, que eu pude conferi ontem, na sala 2, do Complexo Kinoplex.

A trama gira em torno de Zero (Wagner Moura, dando um show de interpretação como sempre), um cientista de uma Universidade que, como o apelido já denuncia, é um zero à esquerda. Numa experiência que visa a descoberta de uma nova fonte de energia, o figuraça volta no tempo, justamente no dia em que levou um toco de sua amada Helena (Alinne Moraes, também com ótima atuação) e sofreu uma humilhação homérica, que mudou sua vida para sempre. Evidente que, como qualquer um de nós, ele aproveita para consertar as coisas, se dando bem tanto no amor, como na vida financeira. Mas, ao volta para o futuro, ver que as coisas não saíram como ele desejaria, e que o único jeito é voltar de novo no tempo e impedir que ele mesmo, modifique o seu passado. 

Parece confuso? Não é. O roteiro é leve, não se leva a sério e não tem uma complexidade de um De Volta para o Futuro ou Efeito Borboleta. Acha que já viu esta história? Com certeza, já que o filme sofre uma forte influência daquela espertacular trilogia de Robert Zemeckis, principalmente o segundo filme. Apesar das semelhanças descaradas, O Homem do Futuro é  empolgante e faz  o público torcer pelo atrapalhado Zero, mesmo sendo óbvio o resultado. O filme perde-se apenas nos minutos finais, onde é desnecessariamente alongado, e no pedido repetido exaustivamente por Zero, tentando acalmar ele mesmo e outros personagens que entra em contato. São pequenos detalhes, que torna o filme um pouco chato e enfadonho.

Fora isto, O Homem do Futuro é um filme divertido e envolvente, graças à excelente interpretação de Wagner Moura, que simplesmente, mostra todo seu talento e versatilidade, nas três versões do personagem Zero. Quem também não fica atrás é Alinne Moraes, que também está ótima, nas duas fases da vida de Helena, o grande amor da vida de Zero. O mesmo não podemos dizer de Fernando Ceylão, Gabriel Braga Nunes e Maria Luísa Mendonça, que não têm boas atuações, mas também não comprometem o resultado final.

Com um enredo simples, ótimas atuações e química perfeita do casal de protagonistas, O Homem do Futuro é uma comédia divertida e empolgante. Ideal para quem procura um filme leve e diversão descomprometida.

Rick Pinheiro.
Cinéfilo.



DISTORCENDO A REALIDADE.

Filmes.
Distorcendo a realidade.

Quem acompanha este humilde blog, sabe da preoucupação deste blogueiro em relação a filmes baseados em fatos reais, ou melhor dizendo, em crimes cometidos na vida real, que tendenciosamente, os roteiristas omitem as realidades dos fatos e enaltecem a figura do bandido. Esta tendência perigosa, que principalmente o nosso cinema tem em excesso, já geraram ótimos filmes como Carandiru, Meu nome não é Jonhny. Só este ano dois grandes lançamentos do nosso cinema, VIPs e Assalto ao Banco Central, pegaram carona nesta lamentável tendência de distorcer a realidade e apresentar bandidos reais como heróis. Mas, o filme nacional que extrapolou vergonhasamente nesta triste tendência, sem sombra de dúvida foi Última Parada- 174, dirigido pelo competente Bruno Barreto e que foi exibido na noite do último domingo, na sessão Domingo Maior, da Rede Globo.

A trama gira em torno de dois jovens conhecidos como Alê. Alessandro foi tirado ainda bebê do colo da mãe e foi criado por um violento traficante,  portanto, só conhecendo apenas o mundo do crime. Já Sandro, é um menino talentoso e sonha em ser cantor de rap, que perdeu a mãe trabalhadora num triste assalto. Após este fato, inexplicávelmente, vai morar na rua, escapa da terrível chacina da Candelária e anos depois, revoltado com as decepções da vida e vítima de um mal entendido, acaba fazendo reféns os passageiros do Ônibus 174, fato que na vida real terminou com a morte trágica de uma jovem refém e a morte misteriosa do marginal no camburão do BOPE.

Um roteiro muito bem elaborado e interessante, mas indigesto, por um pequeno detalhe: o filme é baseado em fatos reais, sendo 100%  ficcional, algo que os produtores informam apenas no final dos créditos finais, que ultimamente na TV vem passando em alta velocidade, com a  utilização da tecla fast foward. Não quero fazer juízo de valor da pessoa do  finado Sandro, até porque não conheço a história real dele (e parece que os roteiristas também não). Mas, é vergonhoso e chega  a ser ofensivo à família daquela jovem vítima, que salvo me engano era noiva e estava indo comprar um presente do dia dos namorados para o seu noivo, fazerem um filme totalmente ficcional, onde nada se fala sobre ela e ainda por cima enaltece a figura do seu algoz.

Deixando o mal-estar um pouco de lado, reconheço que Última Parada - 174, é um ótimo e envolvente drama, como excelentes interpretações e com uma lição que ninguém nasce bandido, mas é levado ao mundo do crime, por vários fatores, entre eles, a própria educação (ou falta dela) familiar, as tragédias pessoais e falta de oportunidade. Nestes pontos, o filme é ótimo e merece ser conferido.  

Apesar de reconhecer ser um bom filme como obra de ficção, Última Parada - 174 comete o gravíssimo erro de distorcer totalmente a realidade e elevar ao extremo a figura deste assassino, que ceifou a  vida de uma jovem, com um belo futuro pela frente. Bola fora na filmografia indiscutível de  Barreto.



Rick Pinheiro.
Cinéfilo, mas preocupado com a distorção da realidade e enaltecimento da bandidagem, em filmes baseados em fatos criminosos reais. 

MACACADA EM SÉRIE.*

Filmes.
Macacada em série.

Dando continuidade a minha promessa de a cada semana tentar postar comentários sobre uma série que marcou a sétima arte, ainda no clima de Planeta dos Macacos: A Origem, em cartaz nos cinemas, resolvi rever todos os filmes da série setentista  O Planeta dos Macacos e de quebra ainda o remake de 2001, Planeta dos Macacos, dirigido por Tim Burton. Postarei aqui minhas sinceras opiniões sobre estes filmes que, com seus altos e  baixos, sem sombra de duvida, marcaram a história do cinema. Então, sem perder tempo, vamos direto ao assunto.

UMA OBRA-PRIMA DA SÉTIMA ARTE.

É como podemos definir o filmaço O Planeta dos Macacos (1968), clássico da ficção científica estrelado pelo saudoso Charlton Heston, que interpreta o astronauta George Taylor, que junto com outros três, se perdem no espaço e viajam no tempo até o absurdo ano de três mil e cacetada, caindo num planeta onde a macacada domina geral e os seres humanos são animais irracionais.

Com um roteiro muito inteligente que inclue um dos finais mais impactantes da história do cinema, o filme faz uma crítica ferrenha a conjuntura política-social da época, marcada por guerras, ditaduras absolutistas, a justiça falha, avanços da ciência,  entre outros. Tudo inteligentemente criticado, sobrando até mesmo uma desnecessária porrada a religião, principalmente, a Igreja Católica, que na época vivia sua própria revolução interna no clima do Concílio Vaticano II. Curiosamente, o único movimento da época ignorado (ou não) no filme foi justamente o feminismo, já que a única personagem feminina humana, aparece no filme usando apenas alguns paninhos, entrando muda e saindo calada, sendo um mero objeto de Taylor, também com pouquíssima roupa. Irônicamente, o nome da personagem era Nova, mesmo sendo uma mulher objeto à moda antiga, submissa e inferior ao homem. 

As críticas muito bem elaboradas e inseridas na história fazem de O Planeta dos Macacos mais que um filme de ficção científica, mas até certo ponto um filme político,  já que nos leva a várias reflexões sociais e filosóficas, algumas delas que ainda hoje são atuais. Com isso, a ação é deixada de lado e quase inexistente, o que torna um filme bastante inovador e praticamente único no gênero até hoje. Mas, engana-se que o filme é chato e enfadonho. Muito pelo contrário, Planeta dos Macacos é um filmaço até hoje insuperável, que prende a nossa atenção do começo até a impactante cena final.

Ao contrário das reflexões sociológicas que não envelhecerem com o tempo, os efeitos especiais tornam o filme um pouco tosco para os dias de hoje. Mas, em compensação, a maquiagem ainda impressiona, principalmente por pequenos detalhes nos rostos dos símios, permitindo que os atores pudesse usar e abusar das expressões faciais. Merecidamente, o responsável pela maquiagem ganhou um Oscar especial pelo seu brilhante trabalho, numa época em que ainda não existia a categoria Melhor Maquiagem. 

O elenco está afiadíssimo, com destaque a Charlton Heston em todo seu vigor interpretativo, dando um show na pele do arrogante Taylor, e aos intérpretes dos símios, em especial, Roddy McDowall (Cornelius), Kim Hunter (Zira) e Maurice Evans (Zaius). As brilhantes interpretações, junto com a impressionante maquiagem, só reforçaram ainda mais a "veracidade" dos símios falantes.

Com um roteiro excepcional e inteligente, O Planeta dos Macacos é um filmaço que está entre os melhores da história do cinema. Envolvente e criativo, ao mesmo tempo que diverte, o clássico filme nos leva a pensar sobre vários aspectos, como o ser humano está  desumanizando e  se auto-destruindo. Um clássico que, obrigatoriamente, deve ser visto e revisto. Imperdível! Nota: 9,5.



MICAÇOS SEQUÊNCIAIS.

De uma obra-prima inteligente e divertida ao trash total. É como podemos definir a franquia originada do clássico O Planeta dos Macacos, que invadiu as telonas e influenciou a cultura pop na primeira metade dos anos setenta (até os nossos queridos Os Trapalhões visitou o Planeta dos Macacos, no filme de estreia do saudoso Mussum no grupo). Com o sucesso estrondoso daquela obra prima, os produtores tinham em mãos uma fonte de dinheiro. Por isso, tiveram a ideia de fazer uma franquia, sem ter um cuidado melhor com o roteiro. Dois anos depois daquele clássico excepcional, chegou as telonas a primeira das quatro infelizes continuações: De Volta ao Planeta dos Macacos.

Heston não estava nem um pouco a fim de fazer este filme, mas acabou topando fazer uma participação menor como Taylor. O protagonista aqui é o fraco e desconhecido James Franciscus, que interpreta Brent, astronauta norte-americano que viaja no tempo, indo até 3955 resgatar Taylor. Chegando lá, não somente descobre que os macacos é que mandam no pedaço, mas também encontra um grupo de humanos telepatas e hipnóticos que idolatram com deus, pasmen, uma bomba atômica. Só pelo enredo, típico de filmes "B", já podemos ter ideia que bomba é este filme.

As reflexões inteligentes do primeiro filme diminuem consideravelmente, dando lugar a mais ação. Mas. o filme é fraquíssimo e insosso. Nada escapa da mediocridade, nem mesmo as interpretações. Heston, espantosamente, está canastrão, não lembrando em nada a brilhante atuação do filme original. Personagens interessantes daquele filmaço, como o casal símio Cornelius (David Watson, substituindo McDowall, em único filme da série que não atuou) e Zira (Kim Hunter) são deixados de lado, praticamente sumidos da trama. Por incrível que pareça, apesar do roteiro tosco e das péssimas atuações, o filme ainda consegue prender a atenção até a primeira metade. Mas, quando surge a tosca seita, o filme desanda de vez, indo do razoavelmente aceitável ao patético total, tornando o filme tosco na época, imagina nos dias de hoje.

Em síntese, De Volta ao Planeta dos Macacos, é uma decepcionante e inferior continuação que não faz jus ao filme original. Uma prova viva que excelentes filmes, não precisam de continuações. Descartável e totalmente tosco, serve apenas para arrancar algumas risadas de tão ridículo que é. Apesar disso, o filme fez sucesso de bilheteria e ganhou mais continuações e duas séries televisivas. Nota: 2,5.


 

No ano seguinte, foi a vez de chegar as telonas o divertido A Fuga do Planeta dos Macacos, que desta vez não só deu destaque aos simpáticos Cornelius (Roddy McDowall, voltando ao personagem após não ter  escapado do vexatório filme anterior) e Zira (Kim Hunter), mas também os promoveram ao posto de protagonistas.

A trama continua tosca, tipicamente de filme "B". Os pombinhos Cornelius e Zira, juntos com Milo, outro cientista símio, voltam no tempo, ao planeta Terra dos nossos dias (leia-se 1971), sendo os únicos sobreviventes da tosca explosão nuclear que ferrou com o planeta todo no final do filme anterior. Inicialmente, são recebidos como celebridades, mas depois tornam-se para alguns burocratas uma ameaça à existência humana, passando a ser caçados implacavelmente.

De todas as continuações, esta é a melhor, mesmo não sendo uma obra-prima como o primeiro filme. A comédia é elevada ao extremo, mudança de gênero perfeitamente aproveitada pelos ótimos McDowall e Hunter, que tornam o filme interessante e divertido. Mas, ao exemplo do filme anterior, começa a desandar nos minutos finais, com a caçada e triste desfecho do simpático casal. A cena final onde o bebê-macaco César fala "mamãe" é patética e arranca risadas de tão tosca que é.

Além de McDowall e Hunter, quem também paga um micaço neste divertido trashão é o saudoso Ricardo Montalban (o Sr. Hart da série televisiva Ilha da Fantasia), que interpreta Armando,  dono de um circo que acolhe o casal símio, no meio da perseguição.

Apesar de todas as limitações, o filme é um divertido trash que empolga, emociona e arranca risada. Inferior ao filme original, mas é a única continuação que realmente diverte. Nota: 7,0.



Depois de um divertido filme, no ano seguinte foi a vez da franquia cair mais uma vez de nível, assumindo cada vez mais seu status de trash, na tosca continuação A Conquista do Planeta dos Macacos, estrelado pelo  saudoso Roddy McDowall  desta vez interpretando César, filho de Conelius e Zira, elevando o nível de  canastrice ao extremo. 

Na trama, cada vez mais ridícula, César vive em nosso planeta, no "futuro" (leia-se 1992), onde a macacada substituem os humanos em trabalhos que o filme define claramente como inferiores (garçons, garis, cabeleiras, manicures, cozinheiros, engraxates, etc. Puro preconceito dos roteiristas). Cansado de ver os maus tratos sofridos pelos macacos, César se invoca e lidera a revolução que será o início do domínio da macacada sobre o nosso planeta.

Apesar da trama lembrar o recente Planeta dos Macacos: A Origem, o roteiro do filme símio de 1972 é fraquíssimo e tosco, perdendo de goleada para a recente super-produção. O início da rebelião é sem lógica e patética (César recruta os símios só com um tosco "olhar 43") e chega a provocar risadas, assim como a morte de Armando (Montalban, voltando a pagar mico), de tão mal feitas que são. As fraquíssimas coreografias de lutas junto com as canastrices dos atores só aumentam ainda mais o nível trash do filme. Resumindo: mais um tosco filme descartável da franquia, que não chega a ser ruim, mas, também não faria falta se não existisse. Nota: 4,5.



No ano seguinte, A Batalha do Planeta dos Macacos chegou as telonas para fechar a franquia nas telonas, retornando apenas em 2001 pelas mãos de Tim Burton. E só não foi o fim da franquia por completo, pois no ano seguinte, ganhou uma série na telinha, e no seguinte, uma série animada, ambas com apenas uma única temporada.

Neste último filme, como no anterior, a ideia até é interessante: macacos e humanos, governados por César (McDowall), vivem em harmonia num planeta pós-explosão nuclear. Só que Aldo, gorila  "humanofóbico" e,  paralelamente, alguns humanos que vivem isolados, resolvem acabar com esta paz, querendo ferrar com todo mundo, principalmente com o tonto do César. 

O roteiro é fraco, típico de produções de ação classe "Z", desperdiça mais uma vez uma boa ideia. E tudo só piora, graças as cenas de ação toscas e a canastrice do elenco. Além de McDowall, desta vez quem paga um micaço (pelo menos aqui, sem o tosco olhar 43 convocatório para a rebelião) é o saudoso e genial ator/diretor John Huston, como o orangotango Legislador, que é uma espécie de narrador da história. Incrível como alguém tão talentoso, topou participar desta merda.

Em síntese, o quinto e último filme da  franquia é um trashão morgadinho, que são não é o pior dos piores de uma série, porque o segundo filme inventou de perder o rumo a partir da segunda metade. Outro filme que pode ser esquecido e permanecer pegando poeira nos porões das emissoras televisivas, pois não faz falta. Nota: 4,0.




MACACOS RENOVADOS.

As toscas continuações para o cinema e série televisiva não foram suficientes para deixar a macacada falante extinta. Depois de um longo período de quase trinta anos longe das telonas, em 2001, o talentoso diretor Tim Burton retirou a macacada da apoesentadoria que parecia vitalícia, lançando o remake Planeta dos Macacos, estrelado por Mark Wahlberg, como um astronauta que se perde no espaço e tempo, indo parar num planeta onde a macacada reina. Mas, as semelhanças entre o original e este remake terminam aqui.

O roteiro traz uma nova roupagem ao clássico e inesquecivel filmaço de 68, com novos personagens e trama, uma reinvenção total. Se, por exemplo, no clássico de 68, os humanos não falavam e pensavam, nesta nova versão, eles não só falam, mas também pensam e, inexplicavelmente, são escravos da macacada, se rebelando apenas com a chegada do homem vindo do céu, Leo Davidson (Wahlberg). 

Os discursos e as mensagens engajadas do filme original são totalmente ignorados, fazendo deste remake mais um blockbuster de ação dos nossos dias.  Mas, apesar da total mudança no gênero e no enredo, particularmente não acho Planeta dos Macacos, de Burton, um fiasco total, como muitos o consideram (o filme ganhou três framboesa: pior remake ou sequência, pior atriz coadjuvante para a lindíssima Estelle Warren e pior ator coadjuvante para Chalton Heston). É um filme tão bom quanto o original, mas sem qualquer semelhança entre eles, com exceção do tema "macacos dominam humanos até humano do espaço chegar e liderar rebelião". São dois filmes totalmente diferentes que apesar do mesmo tema, não podem ser comparados. Algo dificil de ser evitado, já que ambos beberam na mesma fonte. Um prova que um remake não precisa ser necessariamente uma filmagem literal do original.

O elenco tem algumas boas interpretações, principalmente os atores que, muito bem maquiados, dão vida aos símios, como Helena Bonham Carter (a Rainha de Copas do novo Alice no País das Maravilhas), Michael Clarke Duncan (o inesquecível John Coffey do excepcional À Espera do Milagre), Paul Giamatti (Se Beber, não case - Parte II) e até mesmo Cary-Hiroyuki Tagawa,  (tradicional vilão oriental em filmes de ação dos anos 90, como Massacre no Bairro Japonês e Mortal Kombat), supreende. Curiosamente, o saudoso Chalton Heston faz uma ponta, desta vez como macaco, interpretando o pai de Thade. Uma homenagem simples, mas sincera de Tim Burton, não somente ao protagonista do memorável clássico, mas a todos os fãs.


Mais o grande destaque do filme, sem dúvida, é Tim Roth (o Abominável de O Incrível Hulk e hoje protagonista da ótima série televisiva Lie to me), que rouba a cena, dando um show de interpretação como o vilão General Thade. Sua interpretação é perfeita e ofusca a de todos os colegas de cena, até mesmo do protagonista Wahlberg, muito fraco e limitado em seu personagem, que não lembra em nada o saudoso George Taylor, interpretado no original por Chalton Heston.  
Já a parte técnica, é o único ponto que supera o filme original, mas, apenas por causa da evolução dos recursos dos nossos dias. Os efeitos especiais são bacanas, perdendo apenas para o novo Planeta dos Macacos - A Origem. A maquiagem é outro ponto alto do filme, muito bem feita e em alguns personagens símios chega a impressionar.

Com um enredo totalmente modificado e ação em ritmo mais acelerado, esta nova versão, que muita gente abomina, para mim é um filme satisfatório. Mas, ao contrário do original, nada acrescenta ao gênero, sendo apenas mais um blockbuster mediano de ficção/aventura, consideravelmente longe de ser uma obra prima como o original. Nota: 7,0.



Rick Pinheiro.
Cinéfilo alagoano.

* = Postagem revisada e reformulada em 1º de junho de 2024.