segunda-feira, 9 de julho de 2012

CLÁSSICOS DA AMÉRICA VÍDEO: CYBORG - O DRAGÃO DO FUTURO.

Ficção apocalíptica de décima quinta categoria pega carona no estouro da Van Dammemania e arrebenta nas bilheterias brasileiras.

No começo dos anos 90, quando O Grande Dragão Branco chegou por aqui arrebentando nas bilheterias e apresentando aos brasileiros o astro de ação Jean Claude Van Damme, anunciado na época como o novo Bruce Lee. A distribuidora Paris Filmes, que em VHS era detentora da América Vídeo, começou a lançar, um atrás do outro, os filmes do baixinho belga, lançados lá fora, antes e depois do inesquecível clássico das artes marciais. A ficção apocalíptica de nítido baixo orçamento Cyborg - O Dragão do Futuro é o primeiro filme que o astro fez, ainda pela Cannon, após a saga de Frank Duxx, e figurou por anos, na opinião do próprio Van Damme, o melhor filme de sua carreira (opinião que, com certeza, nos dias de hoje deve ter mudado após a fase de ouro nos anos 90, onde ele entrou no primeiro time dos astros hollywoodianos, estrelando super-produções de orçamentos consideravelmente maiores).

A trama se passsa num futuro não muito distante, nos arredores de Nova Iourque, onde o mundo que conheçemos vive na penúria, com boa parte da população foi dizimada por um epidemia. Uma cyborg (Dayle Haddon) carrega na sua memória a cura da peste desenvolvida por cientistas, e precisa levar as informações a cientistas que estão em Atlanta. Mas,  é perseguida e capturada por uma gangue liderada pelo sádico e cruel Fender Tremolo (Vincent Klyn, assustador só com sua cara feia), que quer mais é que o mundo permaneça ferrado deste jeito, para poder continuar seu reinado de terror. Eis que surge no caminho da moça, meio humana, meio robô, o guerreiro solitário e caladão Gibson Rickenbacker (Van Damme), que pouco está se lixando para a cura mundial e quer mais é acertar as contas com Tremolo do que salvar o mundo, pelo vilão ter detornado com a família dele. O guerreiro durão partirá com tudo na sua vingança pessoal, tendo ao seu lado a ajuda da bonitinha Nady Simmons (Deborah Richter).

As sérias limitações orçamentárias claramente vistas no filme que foi produzido já na fase decadente da Cannon, são superadas por um roteiro que, apesar de regular, está bem acima da média de uma produção classe "C", somado a um climão de suspense e caos bem legal, ótimas sequências de ação, com Van Damme no auge de sua forma física, arrebentando nas sequências de luta. Além da dar chutes e distribuir porrada nos figurantes, e abrir a obrigatória escala nos seus filmes da época,Van Damme arrebenta com uma atuação excepcional, uma das melhores de sua carreira, dosando perfeita toda dureza e os traumas que o tornaram assim. Outro destaque da produção é Vincent Klyn, que rouba a cena e convence com um dos vilões mais assustadores do gênero. Somente sua caracterização já mete medo em qualquer um, o que acabou disfarçando sua limitação como ator.

Curiosamente, mesmo com todas as deficiências orçamentárias, Cyborg estourou nas bilheterias e ganhou mais duas continuações, com produções um pouco mais caprichadas, mas sem nenhuma relação com o original, nem entre eles, muito menos com Van Damme no elenco ou tendo seu personagem citado. Cyborg 2, aliás, conta no elenco com o saudoso Jack Palance e marca a estreia nas telonas de ninguém menos que a gatíssima e atualmente estrela Angelina Jolie. Mas, nem este, nem a péssima continuação, mesmo sendo produções com orçamentos um pouco maiores, supera o filmaço original estrelado por Van Damme, logo, não fazendo o mesmo sucesso por aqui. Um clássico trashão para ser visto e revisto, sem deixar de ser divertido. Nota 9,0.

Rick Pinheiro.
Cinéfilo alagoano.

CLÁSSICOS DA AMÉRICA VÍDEO: NINJA III - A DOMINAÇÃO.

Filme de artes marciais com toques toscos de O Exorcista fez um enorme sucesso em nosso país.

Último filme da trilogia estrelada pelo atualmente sumidíssimo Sho Kosugi (conhecido também por aqui por estrelar Contato Mortal, uma imitação barata de 007 que trazia Van Damme como vilão), iniciada com Ninja: Programado para Matar e A Vingança do NinjaNinja III - A Dominação provavelmente é a mais famosa por aqui. Apesar de ter uma das tramas mais patéticas da história, o filme consegue a proeza de se superar suas deficiências e ser bastante divertido. O filme já começa com tudo, com tosco ninja fodástico, quase imbatível matando metade dos figurantes. Depois de ser praticamente fuzilado pela polícia (contrariando à regra que só um ninja pode matar outro ninja, dita no próprio filme), o cara mesmo ferrado de balas consegue ter forças para ir ao encontro de uma linda funcionária da telefônica (a lindíssima e atualmente sumida Lucinda Dickey, musa da Cannon que estrelou os dois Breakdance) e lhe passsar, não somente a sua espada ninja, mas o seu espírito. A moça começa a ser possuída (no bom sentido da palavra) pelo tal ninja, e a matar, um por um, os policiais que detornaram o fodástico ninja. Para detê-lo incorporado na gostosa, chega no pedaço Yamada (Sho Kosugi, apesar de está no piloto automático, convence só fazendo cara de mau), um mais fodástico ninja caolho, que vem acertar contas com o antigo inimigo e libertar a gostosa do seu domínio.

Como se pode percebe só lendo o resumo acima, Ninja III é um típico filme de ação classe "Z", com um roteiro que serve apenas para desculpa esfarrapada para muita ação e a porrada correr solta. Mesmo assim, o filme surpreende e consegue bastante divertido e o melhor da trilogia, graças a ótimas sequências de ação, conduzidas por Sam Firstenberg, que tornou-se um especialista em filmes classe "C" de ninjas made in Cannon, ao dirigir este filme e os dois primeiros American Ninja. Clássico oitentista, que era presença frequente e obrigatória nos bons tempos do Domingo Maior, que precisa ser descoberto pela nova geração. Uma pena que, até onde eu esteja sabendo, o filme não foi lançado em DVD ou Blu- Ray e só encontramos na net, no Youtube, em versão dublada, com o audio adiantado em 26 segundos. Um clássico oitentista dos filmes de ação classe "c" que com certeza agrada aos fãs do gênero menos exigente, e que só engrosssa a lista dos filmes da época que merecem um atenção melhor dos programadores televisivos do nosso país. Nota 8,5.

Rick Pinheiro.
Cinéfilo alagoano.





LUNDGREN EM DIVERTIDA PARCERIA COM O HERDEIRO DO DRAGÃO.

Entrosamento perfeito de grandalhão sueco e filho do lendário Bruce Lee é o grande atrativo do filme.

Dolph Lundgren pode ser canastrão, mas, sempre que pode, usa seu Q.I elevado e faz perfeita escolhas, aceitando atuar em projetos interessantes, sem se importar em dividir o estrelato. Foi assim na sua estreia em Rocky IV, encarando o mítico personagem interpretado por Sylvester Stallone, em 1992, com Soldado Universal, ao lado de Jean Claude Van Damme, e recentemente, nos dois Os Mercenários, ao lado de um timaço de astros do gênero. Entre seu primeiro encontro com Stallone e com Van Damme, Lundgren fez uma divertida parceria com o saudoso Brandon Lee (1965 -1993), filho de ninguém menos que o lendário Bruce Lee (1940 - 1973). Mesmo sendo produzido por um grande estúdio, Massacre no Bairro Japonês, de 1991, é um típico filme de ação classe "Z" com um roteiro tosco só serve como mera desculpa para a porrada correr solta. Lundgren e Lee são policiais de Los Angeles que acabam de se conhecer e de cara, terão que encarar a Yakuza, a máfia japonesa, liderada pelo sádico e cruel Yoshida (Cary-Hiroyuki Tagawa), que acaba de chegar na cidade. 

Dirigido por Mark L. Lester, que havia dirigido o clássico do gênero Comando para MatarMassacre no Bairro Japonês é um filme inferior ao encontro histórico entre Lundgren e Lee. E é justamente o perfeito entrosamento entre os dois astros do gênero, e, principalmente, pelo carisma do saudoso Brandon, que além de ser um ator tão bom quanto o pai, na hora da luta lembra bastante o lendário Lee, que torna o filme mais interessante do que de fato é. A boa atuação de Tagawa e a beleza jovial de Tia Carrera são outros atrativos que só favorecem o filme e elevam a sua nota. Com curta duração (uma hora e quinze minutos), Massacre no Barro Japonês agrada aos fãs que curtem  sequências de ação surreais que beiram ao ridículo, causando inevitáveis gargalhadas (como a que Lundgren pula um carro em movimento) e pouco estão se lixando para o roteiro. Bem que o SBT, que vem ultimamente resgatando filmes dos anos 80 e 90 produzidos pela Warner, deveria exibir este filme que, mesmo com todas as falhas, merece ser visto e revisto, só pela divertida e histórica parceria entre Lundgren e o saudoso Lee. Nota 8,0.

Rick Pinheiro.
Cinéfilo.

Na falta do trailer, vai o filme completo mesmo.
Pena que na versão dublada. Mas, vale a pena conferir
Lundgren e o saudoso Brandon Lee em ação.

CLÁSSICO DA SESSÃO DA TARDE EMBALANDO À NOITE DE SÁBADO.

SBT supreende ao tirar do porão e exibir um inesquecível e divertido clássico oitentista.

Quem acompanha este blog sabe que a maior de todas as reclamações deste blogueiro é com o descaso das emissoras televisivas brasileiras (exceto Telecine Classic e TCM, ambos canais fechados não contidos no meu pacote) como os  filmes mais antigos, principalmente dos anos 80 e 90, um passado não muito distante. Mas, nem tudo está perdido. Dos canais abertos, destaque para o SBT, que no meio de tanto filme ruim recente de décima quinta categoria, acaba exibindo um filmaço antigo. Caso de Os Goonies, filmaço de aventura oitentista, produzido por Steven Spielberg, que aparecia frequentemente nos saudosos tempos da Sessão da Tarde da Globo. Escrito por Spielberg e Chris Columbus, dois mestres do cinemão entretenimento para toda família, e dirigido por outro mestre, Richard Donner (que antes havia dirigido Superman - O Filme, e posteriormente, dirigiu a excepcional quadrilogia Máquina Mortífera), a trama gira em torno de um grupo de garotos amigos que dão nome ao filme. Prestes a serem despechados e cada um, com seus familiares, tomarem rumos separados, um belo dia encontram um mapa no sótão de um deles e partem em busca de um tesouro. É o ínicio de uma empolgante aventura, com muitos desafiso e perigos, onde eles não estarão sozinhos, já que uma figuraça e estranha família de criminosos, formada pela matriaca Mama Fratelli (Anne Ramsey (1929 - 1988), excelente) e seus desastrados filhos Jake e Francis Fratelli (Robert Davi e Joe Pantoliano, hilários, em perfeito entrosamento).

Os Goonies é uma aventura eletrizante e divertidíssima, que  prende à atenção do começo ao fim e empolga crianças de todas as idades, com um roteiro muito bem escrito, que ganha força com um elenco afiadíssimo formado atores e atrizes mirins e adolescentes, encabeçados por Sean Austin, e que marca a curiosa estreia de Josh Brolin (visto recentemente em MIB 3, como a versão jovem do Agente K), muito novo e irreconhecível. Dirigido por maestria por Donner, que nos presenteia com um filmaço de primeira, o filme ainda tem um trilha excepcional, e uma animadíssima música-tema cantada por Cindy Lauper. Um clássico oitentista inesquecível, com a marca Spielberg de qualidade, que o tempo não apagou e até hoje, insuperável. Dar uma pisa feia em muitas produções recentes do gênero, inclusive, na minha opinião, detornando com toda franquia Harry Potter. Um filme para ser visto e revisto, por toda família. Nota 10,0.

Rick Pinheiro.
Cinéfilo.

Trailer original deste filmaço inesquecível.

Clipe da dançante música cantada por Cindy Lauper
e que conta com a participação do elenco central e do mestre Spielberg,
que consegue ser tão divertido e engraçado quanto o filme.

 
Os Goonies ontem e hoje.

 
Cartaz original do filme, com o então
estreante Josh Brolin em destaque.

 
Várias sequências deste divertidíssimo filme
com o padrão Spielberg de qualidade.

RECORDAR É REVER: RAMBO (QUADRILOGIA).

Stallone é imortaliza o clássico herói exército de um homem só, num dos personagens mais inesquecíveis da sua carreira e da história do cinema.

Com pouco mais de dois anos da minha vida de blogueiro admito que venho adiando comentar algumas franquias cujo os filmes que as compõem são tão bons e, particularmente, tenho um carinho afetivo por cada um deles, que torna difícil este blogueiro fazer comentários sem fugir a empolgação exagerada, e principalmente, dar notas, determinando a ordem de preferência e quem são os melhores entre eles, a exemplo das franquias Star Wars (principalmente a trilogia original), Duro de Matar, Máquina Mortífera, O Senhor dos Anéis, etc. Em compensação, com o passar do tempo, fui me sentindo mais a vontade a deixar de lado esse medo bobo e a escrever sobre estas franquias tão inesquecíveis para mim. Agora, é a vez da quadrilogia Rambo, imortalizada por Sylvester Stallone, que tanto alegrou a minha pré-adolescência, e que praticamente inaugurou e firmou o sub-gênero dos filmes de ação cujo o personagem central é tão fodástico a ponto de ser um exército de homem só.

No começo dos anos 80, os Estados Unidos ainda viviam o trauma do vexame da patética e infeliz guerra do Vietnã. O cinema até então, evitava tocar na ferida. Em 1982, os produtores Mario Kassar e Andrew G. Vajna resolvem levar às telonas a adaptação o livro First Blood, escrito por David Morrell (também um dos roteiristas do filme, junto com Stallone e outros dois roteiristas), convocando o então astro em ascensão Sylvester Stallone para estrelar o filmaço homônimo que em nosso país recebeu o título de Rambo: Programado para Matar. De forma bastante convicente que até arrancou elogios de boa parte da crítica (o monológo no final do filme, ao mem ver, é um dos melhores momentos interpretativo do ator), Stallone interpreta John Rambo, um veterano do Vietnã que, após a fustração de descobrir que seu amigo, companheiro de guerra, tinha falecido, só queria descansar um pouquinho numa cidadezinha, para depois seguir o seu caminho. Só que inexplicávelmente, o xerife da tal cidadezinha (Brian Dennenhy, num show de interpretação, no melhor personagem da sua carreira) cisma com a cara do herói de guerra e implica com ele, até prendê-lo injustamente. Ao chegar na delegacia, os traumas de Rambo vêm a torna e ele foge do local, se refugiando na floresta. Invocado e se achando com a reputação ferida o paranóico xerife realiza uma verdadeira operação de guerra, sem sequer sonhar com quem tá mexendo.

Com um roteiro muito bem escrito, mesmo fugindo bastante da sua fonte original (no livro, Rambo é morto pelo seu amigo,  Coronel Trautman) uma direção primorosa de Ted Kotcheff (que fez um tímida carreira com filmes bem menores, com destaque apenas para a comédia Um Morto Muito Louco), um trilha empolgante e um elenco afiadíssimo, o primeiro Rambo é disparado o melhor filme da quadrilogia, recebendo bastante elogios também da crítica que o coloca entre os melhores filmes de ação e aventura de todos os tempos. Com ação e suspense na medida certa, Rambo: Programado para Matar é uma verdadeira obra-prima do gênero e mesmo depois de trinta anos, não envelheceu e continua empolgando e  envolvendo. Em síntese, um filmaço de ação de primeira, para ser visto e revisto várias vezes, sem perder a graça. Nota 10,0 é pouca para um dos melhores filmes de ação de todos os tempos.



Curiosamente, no final de Rambo: Programado para Matar, o personagem cometeria suicídio, cena que inclusive chegou a  ser filmada, mas, genialmente, optaram pela prisão do personagem. Com cereza, os realizadores sabiam do portencial do personagem que voltaria às telonas, três anos depois, em Rambo II - A Missão.  Dirigido pelo saudoso George Pan Cosmatos (1941-2005), que um ano depois dirigiu Stallone Cobra, outro clássico do gênero, e com roteiro de Stallone e de um certo James Cameron, o filme inicia com o personagem numa prisão, cumprindo pena pelos estragos que fez no primeiro filme, sendo convocado pelo seu ex-comandante e amigo Coronel Trautman (o saudoso Richard Crenna (1926-2003), no personagem mais inesquecível de sua carreira) para um missão simples: voltar cladestinamente no Vietnã e verificar se ainda havia prisioneiros de guerra por lá. A missão é meramente política e quando Rambo descobre que de fato há prisioneiros por lá, o chefão de toda operação, Muddock (Charles Napier (1936-2011), ótimo, chegando a ser hilário), acaba ordenando que Rambo fique por lá. Capturado e puto da vida por voltar a ser torturado e, principalmente, pela trairagem de Muddock, Rambo chuta o pau da barraca e sozinho detorna com os vietcongues e ainda escapa do local com os prisioneiros, sequinho para acertar as contas com o safado do Muddock.

Tenho um carinho especial por este filme por ser o primeiro filme que eu assistir nos cinemas, na minha pré-adolescência, sozinho, mesmo tendo apenas 11 anos, quando a censura do filme na época era 14 anos (ao contrário de hoje, quando eu era pré  e adolescente, aparentava ser bem mais velho que a idade que tinha). Mas, deixando de lado as minhas lembranças afetivas, o fato inegável é que o filme é o marco inicial do estilo exército de homem só, muito difundido a partir de então e até hoje, na moda e bastante imitado. O roteiro perde feio para o primeiro filme, mas, o filme é tão repleto de ação adrenalitica, com direito a frases de efeitos e sequências de ação inesquecíveis, que consegue ser tão divertido, que muitos fãs acreditam que é o melhor de toda série, apesar da crítica descer o pau no filme que pegou carona no tosco e exagerado nacionalismo norte-americano da Era Reagan. Stallone está perfeito como o durão Rambo, fazendo caras e bocas, numa atuação praticamente robótica, que faz os lendários durões da era da internet Chuck Norris, Jack Bauer e o nosso Capitão Nascimento serem menininhas delicadíssimas. Não é melhor que o primeiro, mas, é compensado pela ação frenética, embalada por um trilha inesquecível, ingredientes suficientes para tornar Rambo II - A Missão, outra obra-prima do gênero, bastante imitado e até hoje insuperável e por isso (e não pelo meu saudosismo) também recebendo deste blogueiro a nota 10,0.



Seguindo a regra do intervalo de três anos e trazendo um novo diretor (Peter MacDonald, em seu único trabalho com diretor), o durão soldado volta à ativa em 1988, em Rambo III. Roteirizado mais uma vez por Sylvester Stallone, em parceria com Sheldon Lettich (responsável posteriormente pelos sucessos iniciais de Van Damme, O Grande Dragão BrancoLeão Branco: O Lutador Sem Lei e Duplo Impacto) a trama começa na Tailândia, com o herói, em busca de paz interior, residindo num mosteiro, só saindo para dar umas porradas num ringue. Visitado por Trautman (Crenna) que o convoca para uma missão no Afeganistão, dominada pelos russos, Rambo não topa, alegando que sua guerra acabou. Mas, acaba mudando de opinião e indo mais uma vez se meter na guerra dos outros, quando o seu melhor amigo é capturado, contando com a ajuda de alguns afegões, que sofrem, mas resistem bravemente contra os invasores rusos.

Mantendo o mesmo ritmo de ação frenética do filme anterior, Rambo III tem um roteiro ainda mais fraco que os filmes anteriores, e que mais uma vez é salvo pelas eletrizantes sequências de ação, muito bem realizadas. Curiosamente, Stallone, no auge de sua forma física, dispensa dublê e realiza ele próprio algumas sequências mais perigosas, como naquela em que os russos atacam uma aldeia afegã e o helicoptéro passa a poucos centímetros da cabeça do astro, montando num cavalo, e em outra que o astro se mete e passeia debaixo de um tanque. Bastante malhado pela crítica, Stallone ainda sofre o constrangimento da época que o filme ter sido lançado a ex-União Soviética já ter tirado as tropas do Afeganistão. A pseudo-denúncia política pode ter falhado, mas, o filme fez um bem danado a Stallone (saído chifre constrangedor que tinha recebido de Brigitte Nielsen com sua secretária) que encheu o bolso de grana, pois, além de na época ele ser o ator mais bem pago do mundo, ainda embolsou parte da bilheteira estrondosa que o filme fez mundo à fora. Particularmente, gosto muito deste filme, o primeiro que eu me lembre que eu enfrentei uma fila quilométrica, assistindo-o no saudoso cinema São Luiz, e que de vez em quando, o SBT exibe. Nota 9,5.



Depois do enorme sucesso da retorno de Rocky Balboa às telonas, Stallone resolve tirar o veterano John Rambo da aposentadoria, exatos vinte anos depois do último filme. Dirigido pelo próprio Stallone, Rambo IV traz o personagem vivendo na Tailândia, com uma rotina pacífica resumida a caçar cobra para vender a circo locais e, de vez em quando, prestar serviço no seu barquinho. É quando é procurado por um grupo norte-americanos de missionários cristãos que o contactado para levá-los a vizinha Birmânia que sofre com uma terrível e sem fim guerra civil. Mesmo contra-gosto e apenas para agradar a única moça do grupo, o veterano aceita levá-los. Os otários são capturados e, semamana depois, Rambo é procurado pelo pastor da Igreja que comunica o ocorrido e o pede para levar um grupo de mercenários para resgatá-los. Evidente que Rambo não se conforma apenas com a função de barqueiro e passa a fazer, de forma ainda mais exterma a única coisa que sabe fazer na vida: detornar com um exército inteiro de toscos vilões.

Pegando elementos de filmes anteriores da franquia como o desejo de voltar para casa do personagem e seus traumas (estes originam uma curta, mas empolgante sequência, com cenas dos filmes anteriores) do primeiro filme, o cenário e a caracterização do exército de vilões idêntica do segundo, e um fato da vida real como forma de pseudo-denúncia do terceiro, o filme tem um roteiro ainda mais fraco que os anteriores, apenas como mera desculpa, para o personagem detornar com os vilões. Stallone pisa na bola, exagerando na dose de cenas violentas, abusando da carnificina e amputações de membros, que tornam o filme o mais violento da série, fazendo que o anterior, eleito pelo Guiness Book nos anos 90 como o mais violento de todos os tempos, ser bobo e infantil. Provavelmente, Stallone quis conquistar uma fatia mais jovem do público, acostumada com os games violentes e as podreiras da franquia Jogos Mortais e seus similares. Mas, em compensação, acerta em cheio ao trazer parte da trilha do primeiro filme e a dá um desfecho digno e emocionante ao herói, um final perfeito, que pode vim a ser o começo, já que rumores de um quinto filme não param de pipocar. Apesar dos exageros violentos, Rambo IV mantém o bom nível de ação empolgante da franquia. Pode não ser uma obra-prima como os dois primeiros, mas, é um filmaço de ação eletrizante e divertido, mesmo apelando um pouco para à podreira trash. Nota 9,0.



Rick Pinheiro.
Cinéfilo.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

RECORDAR É REVER: RISCO TOTAL.

Depois do fiasco em duas comédias, Stallone dar a volta por cima num filmaço de ação de primeira.

Hoje, meu astro hollywoodiano favorito Sylvester Stallone está completando mais um ano de vida. E para homenageá-lo, passo a comentar um dos seus melhores trabalhos, responsável por reerguer sua  carreira nos começo dos anos 90, depois de duas tentativas fustradas de seguir os passos do seu rival de telas Arnold Shwarzenegger, se aventurando no gênero da comédia (o chatinho e quase sem graça Oscar - Minha Filha Quer Casar, e na engraçadinha e divertida Pare! Senão Mamãe Atira.). Em Risco Total, de 1993, Stallone vive Gabe Walker, um alpinista de um grupo de salvamento que após um acidente fatal com a namorada de seu melhor amigo Hal Tucker (Michael Rooker, ótimo), chuta o pau da barraca e vai embora. Meses depois, ele volta para tentar convencer sua namorada Jessie (a lindinha Janine Turner) a ir embora com ele, mas, acaba indo ajudar seu ex-amigo, que ainda tá puto da vida com ele, a resgatar um grupo de pessoas. O que Gabe e Hal descobrem é que na verdade, o grupo é formado por uma perigosa quadrilha, liderada pelo frio e calculista Eric Qualen (John Ligthow, roubando cena num show de interpretação), que acabou de realizar um ousado assalto em pleno ar. Os dois alpinistas-socorristas terão que deixar suas diferenças pessoais e lutarem contra os perigosos bandidos, para sobreviverem.

Dirigido por Renny Harlin, o mesmo que havia nos presenteado com o filmaço Duro de Matar 2, o filme tem um enredo muito bem desenvolvido, que prende a nossa atenção do começo ao fim, e nos empolga bastante. Com excelentes sequências de ação recheadas com uma trilha memorável e atuações razoáveis de um elenco competente, Risco Total é um  filmaço de ação e aventura empolgante, disparado não somente um dos melhores do gênero, como também da filmografia tanto de Harlin como de Stallone. Uma pena que seja mais um que sofre com o descaso dos programadores televisivos do nosso país que insiste em deixar mais um filmaço de primeira pegando poeira nos porões de suas respectivas emissoras. Empolgante, divertido e memorável, um filme para ser visto e revisto. Recomendado para quem curte muita ação e aventura, com uma dosagem certa de suspense e que não apela para a violência gratuita. E como seu tudo isso não bastasse, o filme ainda tem um dos melhores trailers da história do cinema, como você pode conferir logo abaixo. Nota 10,0 infinitas vezes. Imperdível!


Curiosamente, Stallone e Harlin voltam a parceria em 2001, com o menosprezado por muitos Alta Velocidade, filme que de vez em quando pinta na tela do SBT e de alguns canais por assinatura, onde o eterno Rocky Balboa interpreta um piloto de fórmula Indy que sai da aposentadoria e volta às pistas para ajudar um jovem piloto promissor, mas com temperamento forte. Um filme com um roteiro regular, mas, que diverte e empolga, graças as ótimas sequências de ação, com direito a sequências reais de corrida, e com o piloto brasileiro Maurício Gugelmin. Apesar de perder feio para Risco TotalAlta Velocidade tem seus méritos e consegue agradar e empolgar. Nota 9,0.


Rick Pinheiro.
Cinéfilo. 

quinta-feira, 5 de julho de 2012

ENGRAÇADO E INTELIGENTE.

Woody Allen continua sua viagem cinematográfica pela Europa, desta vez, na romântica Roma.

Admito que não sou fã do diretor e ator Woody Allen. Quem me acompanha sabe que tenho preferências nada refinadas, preferindo infinitas vezes uma porrada protagonizada por Stallone, Norris e cia. à  filmes mais cabeças e paparicados pela críticas, à exemplo de boa parte da filmografia de Allen. Mas, depois do interessante Meia Noite em Paris confeso que despertou o interesse em assistir Para Roma com Amor, novo filme do cineasta, que acabei de assistir na sala 2 do Complexo Kinoplex, onde ele estrela ao lado de um elenco de peso que inclui Roberto Benigni, Alec Baldwin, Penélope Cruz, Jesse Eisenberg, Elle Page, entre outros. Com um roteiro muito criativo, escrito pelo próprio Allen, o filme gira em torno de quatro tramas paralelas, muito bem desenvolvidas e bastante interessantes: Um casal de americanos (Allen, hilário, e Judy Davis) que vai a Roma conhecer a família do noivo de filha e descobre que o pai dele tem um talento especial e peculiar para cantar ópera; um pacato cidadão italiano (Benigni, engraçado e espantosamente contido, sem seus exageros habituais) que do nada torna-se uma celebridade perseguida por paparazzi; Um famoso arquiteto norte-americano (Baldwin) que encontra um jovem escritor de arquitetura (Eisenberg), que ver sua vida e sua relação com a namorada virar às  avessas com a chegada da amiga dela (a estrelinha da vez, Page, como sempre linda); e um casal de italianos recém-casados (Alessandro Tiberi e Alessandra Mastronardi), que vão a Roma em busca de uma oportunidade de vida nova, só que se desencontram, o que força o rapaz a apresentar aos seus tios uma prostituta que entra no seu quarto por acaso (Penélope Cruz, lindíssima) como seu fosse sua esposa, enquanto a verdadeira se perde pelas ruas de Roma e vai parar num set de filmagem.

Depois de Londres, Barcelona e Paris, Allen vai parar na romântica Roma e nos presenteia com um filme muito divertido, engraçado, mas, sem deixar de ser inteligente. O elenco afiadíssimo muito bem conduzido por ele e belíssimas locações na mais romântica das cidade, só tornam o filme ainda mais prazeroso e envolvente. Li críticas que dizem que o filme não é o melhor de Allen, muito menos não é nenhuma obra-prima, mas, este cinéfilo, com preferências bem rústicas, discorda e achou o filme muito bom que se iguala a A Rosa Púrpura do Cairo e Meia Noite em Paris, que para mim, são duas obras-prima do diretor. Se um cara com preferências nada cabeça gostou bastante do novo trabalho de Allen, você com certeza vai gostar também deste filme leve, envolvente e muito divertido. Embarque sem medo em Para Roma com Amor. Nota 9,0.

Rick Pinheiro.
Cinéfilo.


COMEÇANDO DE NOVO.

Cabeça de teia reinicia sua saga nas telonas em nova franquia.

Responsável junto com os X-Men pelo ponta-pé inicial da fase de ouro da Marvel, o Homem-Aranha está de volta às telonas. Desta vez, não para o quarto filme da franquia bem sucedida dirigida por Sam Raimi e estrelada por Tobey Maguire, mas, numa nova franquia (confira o porquê nesta interessante matéria dos site Adoro Cinema: http://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-100773/). O Espetacular Homem-Aranha, que estreia oficialmente em nosso país na próxima sexta, mas, que acabei de assistir a prévia na sala 5 do Complexo Kinoplex Maceió, volta às origens do herói agora interpretado de forma competente por Andrew Garfield, trazendo uma nova versão para o surgimento do herói. Se por um lado, o filme acerta em trazer o herói e seus tios bem mais nova, como também ao colocar Gwen Stack (interpretada de forma competente pela estrela da vez Emma Stone), a primeira namorada dele nos quadrinhos, como seu par romântico, mas pisa na bola feio ao distorcer um pouco o surgimento do herói.

Quando criança, os pais de Parker precisam sair misteriosamente e urgente do país, deixando-o com seus tios Ben (Martin Sheen) e May (Sally Field). O tempo passa e ele torna-se uma adolescente nerd, um zero à esquerda que sofre bulling dos seus colegas de escola. Tentando decifrar o que aconteceu com os seus pais, Parker vai a sede das indústrias Oscorp para manter contato com o cientista  Dr. Curt Connors (Rhys Ifans, ótimo) e acaba picado acidentalmente por uma aranha genéticamente modificada, o que lhe dá super-poderes. Paralelamente, Connors injeta um solo experimentar nele, tendo como efeito colateral sua transformação no terrível Lagarto.

É inevitável a comparação com a trilogia original, principalmente, por ela ter sido produzida tão recentemente. Neste caso, O Espetacular Homem-Aranha perde feio para o filme original e o segundo da trilogia, apenas superando ligeiramente o último filme. Mas, deixando de lado a comparação, é inegável que o filme faz jus ao título e ao herói, já que, com licença do trocadilho, é um verdadeiro espetáculo, com um enredo um bom mais sério que a trilogia de Raimi, mas, sem perder o bom humor e as tiradas hilárias e inteligentes ditas pelo herói. Os efeitos especiais são um show a parte e o 3D só realçam, por isso mesmo que este blogueiro indica que vale mesmo a pena pagar um pouco mais cara e assistir no formato.

O elenco competente (detalhe curioso é a presença do astro teen dos anos 80, C. Thomas Howell - que estrelou Admiradora Secreta, A Morte Pede Carona, entre outros -, irreconhecível, como o pai de um garotinho que o Aranha lutará para salvar a vida numa ponte), a hilária e mais divertida ponta costumeira do genial Stan Lee, criador do herói, e a excecpcional trilha composta e conduzida por James Horner (premiado pela inesquecível trilha de Titanic) completam os pontos positivos que tornam a nova aventura do cabeça de teia nas telonas um filmaço divertido e empolgante. Um recomeço bem acima do esperado, principalmente por este blogueiro. Nota 8,0.

Rick Pinheiro.
Cinéfilo.




quarta-feira, 4 de julho de 2012

E AÍ... RIU?

Comédia brasileira consegue ser mais machista e vulgar que as gringas.

Maldita temporada de férias onde tudo aumenta, dos preços do ingresso e da bombonière as filas quilométricas. Por isso mesmo tive que adiar em uma semana e dois dias minha ida ao cinema, mas, hoje, finalmente, conferi, na sala 6 do Complexo Kinoplex, E aí... Comeu?, comédia nacional estrelada pelo figuraça Bruno Mazzeo, dividindo o protagonismo com Marcos Palmeira e Emílio Orciollo Netto. Baseado na peça homônima de estrondoso sucesso, escrita por Marcelo Rubens Paiva, a trama gira em trono de um trio de amigos, que todo o santo dia, se reúnem num bar para conversarem sobre suas vidas. Fernando (Mazzeo, com atuação um pouco mais contida) é um cara que acabou de se separar de Vitória (Tainá Muller, com sempre linda) e está começando a se interessar por uma ninfetinha, sua vizinha (a lindinha e talentosa Laura Neiva); Já Honório (Palmeira, regular) caiu na rotina do casamento e desconfia que sua esposa Leila (Dira Paes, ótima) está pulando a cerca, enquanto que Fonsinho (Orciollo Netto, o mais engraçado do trio), é o solteirão playboyzinho do trio, que entre uma pegação e outra, tenta escrever um livro.

O filme tem um roteiro regular, que ora acerta em piadas e comentários impagáveis, ora peca por situações óbvias e piadas forçadas. O elenco, que ainda conta com Seu Jorge, Murílio Benício, Katiúscia Canório (roubando cena em uma sequência hilária), entre outros, até que embarca numa boa na comédia e cumprem direitinho seus respectivos personagens. Não chega a ser uma comédia engraçadíssima como Cilada.com (cf.: http://blogdorickpinheiro.blogspot.com/2011/07/tem-certeza-que-voce-quer-assistir.html)  muito menos um desastre total, sem graça como Muita Calma Nessa Hora (cf.: http://blogdorickpinheiro.blogspot.com.br/2010/12/volta-ao-cinema-em-sessao-dupla.html) ambos tendo Mazzeo sendo um dos roteiristas, mas, diverte, sem compromisso, mesmo apelando algumas vezes para o machismo e a vulgaridade. Nota 8,5.

Rick Pinheiro.
Cinéfilo.



FILMAÇO COM SEAGAL PERDIDO NA MADRUGADA DA GLOBO.

Em menos de uma semana, mais um filme da ótima fase física do canastrão pinta na telinha.

Após sair da net, mas precisamente, do Facebook, antes de dormir liguei a TV e fui surpreendido com a exibição de um filmaço de ação classe "B" do começo dos anos 90 e que, infelizmente, andava sumidíssimo da programação televisiva. Trata-se de Marcado para Morte (1990), terceiro filme estrelado pelo mestre de artes marciais, mas péssimo ator, Steven Seagal e na época, o primeiro assistido por este blogueiro, que até hoje considera o melhor filme do canastrão de rabo-de-cavalo. Em perfeita forma física, que o possibilitou de dar um show de porrada, Seagal é John Hatcher, um policial recém-aposentado da narcóticos que volta a sua terrinha natal e descobre que a famigerada drogas estão infestando o até então pacato local. O cara, junto com um amigo, parte para detornar os traficantes locais, um grupo de jamaicanos hastafari liderados por um tosco macumbeiro que mete medo até mesmo nos seus comparsas.

Para os fãs do gênero, principalmente, os que curtem algo mais simples, sem aprofundamento (leia-se só a porrada mesmo), Marcado para Morte é um filmaço de primeira, com um roteiro regular, repleto de furos, absurdos e frases de efeito já ditas por outros brucutus, que é compensado por sequências de ação de primeira, uma dançante trilha musical com muito reggae, interpretados pelo mestre Jimmy Cliff (uma das músicas, inclusive, tem parceria de Seagal soltando à voz, mas que, graças a Deus, não ouvimos no filme) e com o atual rechochudinho, por incrível que pareça, convencendo, mesmo apenas fazendo cara de mau, sem nenhuma expressão, mas mostrando todo seu talento marcial, seja com as próprias mãos ou usando uma espada. Em síntese, um clássico do gênero que merecia melhor atenção dos programadores globais, ao invés de ser exibido como tapa-buraco da programação da madrugada, sem nenhum aviso prévio. Nota 9,0.

Rick Pinheiro.
Cinéfilo.



Olhe a música que o mestre Cliff apareçe cantando no filme.