domingo, 7 de novembro de 2010

UM FILME MARCANTE E DIFERENTE.

Há mais de quinze anos, é realizada, no Cine Maceió, a Sessão de Artes. Particularmente, nunca tinha ido, já sou povão,  logo, prefiro as porradas e barulheira dos filmes de ação, as gargalhadas soltas das comédias e os sustos dos filmes de terror e suspense, aos filmes, digamos, mais íntelectuais e artísticos.

Ontem quebrei este longo jejum. E não foi por ser o meu aniversário e não tivesse opção melhor para ir assistir, até porque este fim de semana está recheado de lançamentos. O motivo foi o próprio filme, O Mundo Imaginário do Doutor Parnassus, que marca a última aparição do talentoso e saudoso ator Heath Ledger, antes da sua trágica e prematura morte.

Na trama,  o Dr. Parnassus, interpretado pelo veterano excelente ator Christopher Plummer e sua trupe mambembe, percorre as ruas da atual Londres, oferecendo ao público a possibilidade de, através de um espelho, entrar em um mundo de ilimitada imaginação, controlado pela mente do estranho Doutor. Ambicionando a imortalidade, o personagem, alguns séculos atrás, faz um aposta com o encardido, na qual se ele perdesse, iria dar o seu filho mais velho ao chifrudo, quando completasse 16 anos. Arrependido e às vésperas da sua única filha, Valentina, completar a idade que o chifrudo vem resgatar a sua aposta, Parnassus faz uma última aposta com ele. Mas o aparecimento do misterioso e charmoso forasteiro Tony, vivido na maioria do filme por Heath Ledger, mudará o rumo da vida de todos.

O filme é supreendentemente brilhante, com um visual excepcional e excelentes interpretações, com destaque a Christopher Plummer e Heath Ledger, que simplesmente rouba a cena, com uma interpretação tão inesquecível quanto a do Coringa em Cavaleiro das Trevas.  Se não fosse pela sua trágica morte prematura com certeza seríamos presenteados com mais interpretações brilhantes. Uma triste ironia a partida dele, justamente quando começava a mostrar o seu talento.

Supreendente é como o diretor Terry Gillam, sobre contornar a tragédia da vida real, substituindo Ledger por excelentes atores. Numa das soluções mais brilhantes e nunca vista em casos como esse de atores que morrem em meio a realização de uma obra, toda vez que o personagem atravessa o tal espelho muda de face. Impressionante como Johnny Depp, Jude Law e Colin Farrel que assumiram o papel do forasteiro Tony, conseguiram manter a mesma interpretação de Ledger, convencendo o público que eram a mesma personagem. Mais brilhante que isso, só a atitude dos três, que na vida real eram amigos de Ledger, doarem seus cachês a filha do saudoso ator, a pequena Matilda.

Em síntese, um filme de fantasia perfeito, que não é apenas um tributo a Heath Ledger, mas também uma prova que ainda existe criatividade e originariedade no cinema norte-americano.

Rick Pinheiro.
Cinéfilo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário