sábado, 5 de outubro de 2019

RECORDAR É REVER: UM AGENTE NA CORDA BAMBA.

 = Excepcional. /  = Muito bom. /  = Bom./  = Regular. / = Fraco. / Coco do Cachorrão= Preciso mesmo dizer?.

Um Agente na Corda Bamba (Tightrope).
Produção estadunidense de 1984.

Direção: Richard Tuggle.

Elenco: Clint Eastwood, Genevieve Bujold, Dan Hedaya, Alison Eastwood, Jennifer Beck, Marco St. John, Rebecca Perle, Regina Richardson, Jamie Rose, Margaret Howell, entre outros.

Blogueiro assistiu na TV aberta (Globo) e online (Netflix).

Sinopse: Wes Block (Clint Eastwood) é um policial de Nova Orleans, divorciado, que cuida de duas filhas pequenas (Alison Eastwood e Beck), que está investigando uma série de estupros seguidos de morte cometidos por um misterioso serial killer, tarefa que o leva ao submundo da cidade.

Comentários: Entre tanto lançamentos que chegam toda semana no catálogo da Netflix me chamou atenção como cinéfilo saudosista a  chegada de vários clássicos oitentistas e noventistas dos estúdios Warner Bros, como este filme policial estrelado por Clint Eastwood, abusadamente, no momento, o único disponível na plataforma de streaming. Uma pena, já que Um Agente na Corda Bamba é um dos filmes mais fracos do ator. Com um roteiro até satisfatório com uma premissa interessante, mas, desperdiçada  por  uma trama arrastadíssima,  que com o ritmo ponto morto do filme, acaba entediando bastante. Vale apenas pela curiosidade de ver o veterano ator mandando bem "pra variar" como um policial durão, e vê-lo contracenando com sua filha. Cotação / Nota: 2,5.

Rick Pinheiro.
Cinéfilo alagoano.

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

DO MENOR PARA O MELHOR: CORINGA EM LIVE-ACTION.

Não é a toa que o Coringa é um dos vilões mais icônicos, não somente das HQs, mas, de toda cultura pop. O Palhaço do Crime, rei do caos, um inimigo à altura do morcegão, é um personagem carismático, riquíssimo em suas características psicológicas, de tal maneira, que não poderia ficar limitado apenas nas páginas das HQs. No decorrer de sua trajetória, desde que apareceu pela primeira vez em 25 de abril de 1940 até agora, foram mais de vinte atores que deram vida ao personagem, seja emprestando suas vozes em animações e games (sem dúvida, o mais conhecido é o eterno Luke Skywalker, Mark Hamill) ou de corpo e alma em live-action nas telinhas e telonas. E neste último caso, os fãs do icônico vilão psicótico não têm que reclamar, já que, até agora, foi interpretado por grandes atores, a maioria premiados, um deles, inclusive, por sua atuação justamente dando vida a ele. A partir de agora, vamos listar, começando pelo mais fraco e encerrando com o melhor, intérprete em live-action do palhaço do crime. Mais rápido que uma reação psicótica imprevisível do vilão, acompanhada por uma gargalhada insana e aterrorizante, vamos a nossa lista.

6. Jared Leto em Esquadrão Suicida.

Iniciamos com a mais malhadíssima versão do Palhaço do Crime, e com razão. Mas, não faço parte do coro da maioria que detesta a atuação do ator. Tenho a plena convicção que, se sua participação tivesse sido limitada apenas as duas sequências de flashback, que mostram a origem e a prisão da Arlequina, Leto seria incluído na discussão entre os fãs sobre os três melhores intérpretes do vilão. Mas, o ganhador do Oscar de Ator Coadjuvante foi sabotadíssimo pelo roteiro e a produção do conturbada filme (leia-se, intromissão dos engravatados da Warner), e acabou sendo o reflexo deste filme problemático (inexplicavelmente, eu até gosto desta merda). O resultado do excesso de sua participação no filme acabou legando a mais ridícula versão do personagem de todos os tempos. Para ser sincero, gostaria muito que Leto tivesse uma segunda chance no personagem, de preferência, no Esquadrão Suicida de James Gunn. Mas, como está de fora, pelo menos ganhe uma pequena, mas, marcante participação o suficiente para se redimir em Aves de Rapina - Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa (título grande e feio da gota! Vai se lascar, Warner!), mesmo não estando, até agora, nem um pouquinho animado para esse filme, que temos repetir os mesmos erros grosseiros da produção de 2016 do grupo de vilões. 

5. Cameron Monaghan em Gotham.

Mesmo sendo um ator que deu vida bem recentemente ao icônico vilão. inexplicavelmente, é ignorado na maioria das matérias e listas. Uma injustiça e tanto, já que o jovem ator de vinte e seis anos, simplesmente, roubou a cena nas duas versões do Palhaço do Crime (quem assistiu o seriado, saberá o porquê da dosa dupla de Coringa). Assim com Leto, o promissor ator é prejudicado pelo roteiro de boa parte dos episódios em que marca presença. Mas, ele consegue se superar com um grande atuação, nos presenteando com uma versão psicótica e assustadora do vilão, que só não está numa posição no pódio da nossa lista por pouquinho mesmo. Mas, consegue arrancar o primeiro dos dois empates técnicos da nossa lista.

4. Cesar Romero na série Batman (1966-1968) e no filme Batman - O Homem Morcego.

O primeiro Coringa a gente não esquece, e até hoje, o saudoso Cesar Romero continua na nossa memória afetiva. Tudo bem que a versão sessentista do ator é a mais leve e gaiata da nossa lista, e nada lembra as versões mais sombrias e assustadoras do vilão, em especial, seus dois colegas de empates técnicos. Mas, impossível não lembrar com carinho do Coringa zoeiro e ao mesmo tempo zoado pelos fãs, principalmente, os que não entendem o contexto da época e a proposta do saudosíssimo seriado televisivo. Quem tiver a oportunidade de assistir algum episódio do divertidíssimo seriado no idioma original, irá conferi a excelente e impagável atuação do saudoso ator.

3. Jack Nicholson em Batman (1989).

Outra versão memorável do Coringa que está vivíssima na nossa memória afetiva. O veterano e excepcional ator Jack Nicholson dar vida a um Palhaço do Crime que transita do gaiato figuraça de Romero com a versão mais sombria, e vilanesca dos intérpretes posteriores. Nicholson leva uma ligeira vantagem em cima dos dois colegas de empate técnico, por emprestar ao personagem um cinismo e deboche cruéis, e suas expressões faciais de psicopata que deve ter feito mutos pirralhos perderem o sono. O ator reinou absoluto como o maior intérprete do vilão psicótico por quase vinte anos, sendo superado apenas por duas atuações viscerais.

2. Joaquin Phoenix em Coringa.

O segundo e último empate técnico da nossa lista, é simplesmente, entre dois espetáculos de atuações, uma verdadeira briga de cachorro grande. Mal chegou nas telonas e a versão do icônico vilão de Phoenix já está sendo considerada por muitos fãs como a melhor de todos os tempos. E com razão, já que o ator simplesmente arrebenta num filme onde ele marca presença da primeira a última cena, com uma atuação totalmente visceral, onde vemos o passo a passo de uma completíssima metamorfose psicológica e corporal de um cara com distúrbios mentais, surrado implacavelmente pela vida, até o surgimento do mais psicótico vilão da cultura pop. Uma atuação espetacular, que só não irá arrastar prêmios, por uma puta sacanagem, seja do destino ou da galera responsável em escolher as melhores atuações do ano.

1. Heather Ledger em Batman - O Cavaleiro das Trevas.

Indiscutivelmente, há uma empate técnico entre os Coringa de Phoenix e do saudoso Heather Ledger, e as comparações, mesmo que inevitáveis, são injustíssimas. Enquanto Phoenix, tem um filme, que valoriza muito mais o lado dramático e psicológico do personagem, inteirinho para brilhar, gestando o personagem até o seu nascimento, Ledger é o antagonista prontinho do épico de ação fodástico do mestre Christopher Nolan. Mas, o que seria uma desvantagem em relação ao colega de empate técnico, o saudosíssimo ator acaba ignorando com um espetáculo de atuação, onde simplesmente, traz uma perfeitíssima personificação física e psicológica do mais icônico dos vilões. E por esse minúsculo detalhe, que Heather Ledger leva vantagem e continua, na minha humilde opinião, o maior e mais inesquecível Coringa de todos os tempos.

Rick Pinheiro.
Cinéfilo alagoano.

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

A GESTAÇÃO E O NASCIMENTO DO PALHAÇO DO CRIME.

 = Excepcional. /  = Muito bom. /  = Bom./  = Regular. / = Fraco. / Coco do Cachorrão= Preciso mesmo dizer?.

Coringa (Joker).
Produção estadunidense e canadense de 2019.

Direção: Todd Phillips.

Elenco: Joaquin Phoenix, Robert De Niro, Zazie Beetz, Frances Conroy, Brett Cullen, Shea Whigham, Bill Camp, Glenn Fleshler, Josh Pais, Douglas Hodge, Dante Pereira-Olson, entre outros.

Blogueiro assistiu na sala 2 do complexo Cinesystem Maceió em 03 de outubro de 2019.

Sinopse: Inspirado nos personagens das HQs da DC Comics. Na Gotham City do final dos anos 1970 e início dos anos 1980, Arthur Fleck (Phoenix) é um cara fodidão que tem problemas mentais, que ganha a vida como palhaço de aluguel e sonha em ser um comediante de stand up comedy. Mas, Arthur só se ferra, e a cada porrada que a vida lhe dar,o coloca num caminho sem volta da psicopatia criminosa.

Comentários: Vivendo provavelmente o ápice da sua fase de ouro, as adaptações das HQs, trafegam por vários gêneros, mas, faltava uma produção com uma pegada de realismo, e que trabalhasse muito mais o psicológico dos personagens. Essa dupla lacuna acaba de ser preenchida por Todd Phillips neste filme que traz de forma totalmente autoral a origem de um dos mais cultuados vilão das HQs. Saindo totalmente da caixinha do sub-gênero, Phillips, além da direção excepcionalmente primorosa, traz o passo a passo psicológico muito bem elaborado no excelente roteiro, que transformaram um cara transtornado ferradíssimo por várias tragédias pessoais no icônico vilão psicótico.

A direção e um roteiro excepcionais, assim como outras qualidades técnicas como fotografia e trilha, reforçam o grande destaque do filme: a incrível atuação de Joaquin Phoenix, que se joga totalmente a jornada trágica do personagem, simplesmente, dando um espetáculo que nos hipnotiza do começo ao fim (literalmente falando, já que, praticamente não há nenhuma cena em que Phoenix não esteja marcando presença no decorrer das quase duas horas de duração) na gestação psicológica que, sem nenhuma pressa, transformam um cara ferrado pela vida desde sempre no mais psicótico vilões da cultura pop. Por isso mesmo, com todo respeito aos profissionais da nossa dublagem, temos aqui um filme que obrigatoriamente precisa ser assistido na versão original, para ser presenteado e ficar de queixo caído com uma das maiores atuações dramáticas da história da sétima arte, que só não será premiada, principalmente, com o Oscar, se daqui para lá, surgir outra atuação excepcional, ou por uma pura injustíssima sacanagem.

Acusado injustamente de tóxico e violento, Coringa não é nada disso. É bem verdade que não é um filme fácil de ser digerido, e mesmo sendo direto, a riqueza de detalhes no psicológico do personagem título nos leva a várias reflexões que remetem a vida real. Simplesmente um filme criativo, um marco que ultrapassa e vai muito além do sub-gênero das adaptações das HQs, sendo uma verdadeira obra-prima da sétima arte, que já nasce cult. Uma prova viva que a máxima do nosso saudoso Glauber Rocha, "uma câmera na mão e uma ideia na cabeça" está bem vivinha, e consegue superar muitas megaproduções com orçamentos infinitamente maiores. Que sirva de exemplo para os engravatados dos grandes estúdios, e deixem os diretores e roteiristas trabalharem, usarem e abusarem de sua liberdade criativa. Cotação / Nota: 10,0.

Rick Pinheiro.
Cinéfilo alagoano.