sexta-feira, 16 de março de 2012

MAIS UM TERRÁQUEO HERÓI EM OUTRO PLANETA.

Filmes.
Mais um terráqueo herói em outro planeta.

Nova super produção dos estúdios Disney, John Carter: Entre Dois Mundos, que eu conferi ontem na sala 3  do Complexo Kinoplex, está amargando nas bilheterias dos Estados Unidos, e com um pouco mais de duas semanas de exibição por lá já está contabilizando para os estúdios do Mickey um prejuízo. Provavelmente pela fórmula batida de um terráqueo que vai parar em outro planeta tornando-se um herói. O herói da vez é  John Carter (Taylor Kitsch) um caubói, mais precisamente um soldado desertor que vive numa deprê por ter perdido a sua família de forma trágica e que acidentalmente vai parar em Marte, conhecido por lá como Basroom, acabando se envolvendo numa guerra que pode levar o planeta a ruína total, sendo mais um terráqueo a torna-se o salvador da pátria, ou melhor dizendo, do planeta vermelho. Se por um lado, o filme tem todos os elementos que agradam aos fãs dos gêneros ficção e aventura,  graças aos excelentess efeitos especias, que em 3D torna o filme um espetáculo para os olhos, por outro se perde num roteiro que deixa muito a desejar, sem emoção e personagens centrais nada carismáticos, em especial o casal formado por Carter e a Princesa Dejah Thoris (Lynn Collins, colírio para os olhos) que sem nenhuma química acaba não empolgando. Mas, deixando de lado as deficiências no roteiro  o fato é que no geral John Carter é um filme razoável que cumpre direitinho sua missão de divertir, sem exigir do espectador queimar seus neurônios. Nota 7,5.


Rick Pinheiro.
Cinéfilo.

quarta-feira, 14 de março de 2012

SESSÃO COMÉDIA EM DOSE DUPLA.

Filmes.
Sessão comédia em dose dupla.

Um grande desfavor que os distribuidores de filmes e principalmente dos complexos de cinema que atuam em nossa capital alagoana vem prestando ao público nacional é o número cada vez maior de exibição de filmes na versão dublada, algo que todo cinéfilo que se preze, detesta. Afinal, filmes medíocres como A Dama de Ferro, Milk - A Voz da Igualdade, entre outros, só valem a pena assistir no idioma original, onde as grandes atuações conseguem salvar estas produções do desastre geral. Mas, a minha vontade de assistir duas comédias, infelizmente exibidas aqui em Maceió apenas na versão dublada, foi maior e depois de semanas relutando resolvi abaixar a guarda e conferi-las, mesmo odiando o fato de me sentir lesado por assistir um produto pela metade. A primeira foi A Saga Molusco - Anoitecer, que conferi ontem a tarde, na sala 2 do Complexo Centerplex, que presta um desfavor a sociedade alagoana em só exibir filmes dublados. Não é a primeira vez que A Saga Crepúsculo ganha uma paródia. Mas, ao contrário do engaçadissimo Os Vampiros que se Mordam, esta nova paródia é uma decepção total, pois poucas piadas funcionam e comentem o gravíssimo erro em ficar repetindo as mesmas piadas apelativamente sujas e sem graça, principalmente sobre fratulências e sobre o pênis do Jacob  versão gorducha. Não é de hoje que este sub-gênero da comédia, que teve seu ápice nos anos 80 e foi reerguido no nosso século com a quadrilogia Todo Mundo em Pânico, mostra que esta desgastado, e este novo filme é o verdadeiro fundo do poço. A dublagem que não captou algumas piadas só estragou ainda mais um filme medíocre e decepcionante, onde pouquíssimas piadas funcionam, principalmente as que tiram onda de Johnny Deep e com o programa TMZ, piada exaustivamente repetida no filme. Em síntese, um filminho bobo e descartável, que nada acrescenta as paródias. Nota 3,0.


Depois de um intervalo de mais de duas horas, tempo suficiente para pegar o busão e regressar para a minha casa, foi a vez de conferi na sala 1 do Complexo Kinoplex Maceió, Cada Um Tem a Gêmea Que Merece nova comédia estrelada pelo figuraça Adam Sandler, que desta vez interpreta o papel duplo dos gêmeos Jack, um publicitário de sucesso que tem a missão possível de convencer o ator Al Pacino (interpretando a si próprio) a estrelar um tosco comercial de capuccino, e Jill sua irmã encalhadona e figuraça que como todos os anos, vem passar os festejos de final de ano com sua família, algo que o deixa enloquecido. Mais uma vez Sandler acerta e nos brinda com um filme divertidíssimo, que arranca risadas dos créditos iniciais, onde é mostrado a infância de Jack e Jill, até os finais, onde são exibidos divertidos depoimentos de gêmeos da vida real. Apesar de, infelizmente, assistir na versão dublada, percebe-se que o elenco, que conta também com a Sra. Tom Cruise, Katie Holmes e uma pequena, mas divertida participação de Shaquine O'Neal e Johnny Deep como eles próprios, embarcou na proposta descompromissada de Sandler e está ben a vontade, principalmente Al Pacino, que não tem medo de se auto-parodiar. Em síntese, uma comédia engraçadíssima e descompromissada que cumpre a sua função de divertir, arrancando risadas facéis sem apelar. Nota 9,5.

 
Rick Pinheiro.
Cinéfilo.

terça-feira, 13 de março de 2012

QUANTIDADE NÃO É QUALIDADE.

Filmes.
Quantidade não é qualidade.

Sinal de alerta duplo dado pelos filmes que assistir ontem na costumeira sessão de cinema das segundas. O primeiro vai para o nosso cinema nacional, que depois de décadas amargando sucessivos e merecidos fracassos e preconceitos dentro de casa, finalmente, deu uma virada e vem cada vez mais conquistando o público. O problema é que com os sucessos de bilheterias, aumentou-se o número de produções, o que acaba prejudicando a qualidade. Somente do ano passado para cá, fomos bombadeados por várias produções made in Brasil, infelizmente a maioria verdadeiras bombas, com raríssimas excessões. Billi Pig, comédia que traz Selton Mello, Grazi Massafera, Milton Gonçalves a frente de um elenco de rostos conhecidos, que assistir na sala 4, do Complexo Kinoplex, até que tem uma premissa interessante, mas, infelizmente, é mais um que fica apenas na pretensão. Wanderley (Mello, como sempre arrebentando) é um vendedorzinho de seguro de vida que só não é totalmente ferrado na vida porque é casado com a belíssima Marivalda (Massafera, supreendentemente ótima) que sonha em ser atriz. O casal está a beira da separação quando acontece algo inesperado que pode tir-lo da pindaíba: a filha do traficante Boca (Otávio Muller) é baleada e Wanderley tem a tosca ideia de se unir a um falso padre (Gonçalves, hilário), para arrancar grana do poderoso chefão do tráfico, em troca de um suposto milagre.  O filme até que supreende sendo engraçado na primeira parte, mas, depois se perde num péssimo roteiro, repleto de situações absurdas e totalmente sem graça. Salva-se do fiasco total apenas pela primeira metade e pelas ótimas atuações do trio de protagonista, que tira leite de pedra de um roteiro tão ruim. Nota 4,0.

 

O segundo sinal de alerta vai para o astro hollywoodiano Nicolas Cage que há anos vem emendando um filme atrás do outro. Do ano passado até agora foram  seis filmes, a maioria uma merda total. Mas, até que seu último filme, o thirlley O Pacto, que eu assistir na sala 6, não é tão ruim, mas, serve de sinal de alerta para Cage, que é além de não ser nenhum garotinho, há décadas é um astro consagrado, mesmo sendo canastrão, portanto, pode pisar no freio, diminuir o ritmo e escolher melhor os seus trabalhos. Na trama de seu mais novo filme, Cage "interpreta" (força de expressão é claro, não entenda literalmente) o professor de escola pública Will Gerard, que vive de boa em Nova Orleans, até que sua esposa, inexplicavelmente e do nada, é espancada e estuprada. No hospital, Will recebe a visita do misterioso Simon (Guy Pearce), membro de uma obscura organização de justiceiros, que propõe mandar o taradão psicótico para a terra do pé junto, em troca de um possível favor que ele prestará no futuro, proposta esta, estupidamente aceita pelo desesperado e revoltado professor. Seis meses depois, Simon reaparece e pede que Will retribua o favor, mandando um suposto pedófilo para a terra do pé junto. O professor fica na dúvida se topa ou tenta vira o jogo e detornar a tal organização. Está na cara que a trama é mera desculpa esfarrapada para muita ação e suspense. O filme até que tem um climão, mas se perde na superficialidade do seu roteiro regular. Diversão descompromissada. Nota 7,5.


Rick Pinheiro.
Cinéfilo.

COMOVENTE EXEMPLO DE VIDA E SUPERAÇÃO.

Filmes.
Comovente exemplo de vida e superação.

Que Sandra Bullock é uma estrela hollywoodiana de primeira grandeza ninguém pode negar. O problema é que está cada vez mais raro a gata acertar em suas escolhas, optando sempre por personagens bobinhas, inferiores ao seu inegável, em descartáveis comédias românticas. Mas, em compensação, quando acerta, simplesmente arrebenta. Um dos maiores acertos de sua carreira, que acabou lhe redendo um Oscar de Melhor Atriz, foi  interpretar Leigh Anne, a dona de casa riquíssima, casada com um dono de uma rede de restaurantes, que junto com ele e seus filhos acolhem o adolescente de QI baixo e introvertido Michael Oher, no comovente drama Um Sonho Possível que, finalmente, assistir na noite de ontem, no canal Max HD.

Com um roteiro muito bem escrito, baseado em fatos reais, o filme prende a atenção e emociona, com o exemplo de vida e superação de Michael, como também de sua família adotiva, que superou todos os preconceitos, tanto deles mesmo quanto vindo de fora, e fizeram a diferença na vida de um adolescente, com um histórico familiar bastante sofrido, que tinha tudo para ser mais a entrar na marginalidade. Além de Bullock destaque também para Quinton Aaron, que dar um show e ainda ofusca a estrela com sua excepcional atuação como Michael, injustamente não indicado ao Oscar. Em síntese, um filmaço que retrata perfeitamente um comovente exemplo de vida e superação. Nota 10,0.

Rick Pinheiro.
Cinéfilo.


Os verdadeiros Michael Oher e Leigh Anne:
Exemplo que podemos fazer a diferença no mundo caótico
e desumano em que vivemos.

FALANDO EM DI CAPRIO E DAMON...

Filmes.
Falando em Di Caprio e Damon...

Vistos recentemente em filmes dirigidos por Clint Eastwood, os astros hollywoodianos Leonardo Di Caprio (J. Edgar) e Matt Damon (Invictus e Além da Vida) estrelaram juntos sob a batuta de Martin Scorcese, no premiado com quatro Oscar, incluindo Melhor Filme, Os Infiltrados, que finalmente assistir na noite do último domingo, no canal fechado Warner, que se por um lado tem a vantagem de exibir boa parte dos seus filmes no idioma original, legendado, por outro, enche o saco do assinante com absurdos intervalos a cada dez minutos. Di Caprio e Damon estão a frente de um elenco estrelar que ainda inclue Jack Nicholson, Mark Wahlberg, Martin Sheen e Alec Baldwin.

A trama se passa em Boston, onde o recém formado policial Colin Sullivan (Damon, ótimo), recrutado desde que era pirralho pelo mafioso Frank Costello (Nicholson, brilhante como sempre), que vai progredindo no departamento de polícia, com méritos, motivo suficiente para ninguém desconfiar que ele é um infiltrado do mafioso. Por outro lado, Billy Costigan (Di Caprio, razoavelmente convicente) é recrutado por Oliven Queen (Martin Sheen), para abrir mão de sua própria identidade e se infiltra na quadrilha do poderoso chefão de Boston.

Com um enredo muito bem desenvolvido, que dosa perfeitamente a ação e o suspensem, que ganha um toque de mestre com a primorosa direção de Scorcese e interpretações excepcionais de um elenco inspiradíssimo, Os Infiltrados é um filmaço policial de primeira, bem acima da média e que se encontra no rol dos melhores filmes do gênero. Não assistir o original francês, mas duvido que seja tão bom quanto esta verdadeira obra-prima, mais uma na filmografia de Scorcese. Merecidamente vencedor nas quatro das cinco categorias que concorreu. Nota 9,8.

Rick Pinheiro.
Cinéfilo.

DUAS CINEBIOGRAFIAS DIRIGIDAS POR CLINT EASTWOOD.

Filmes.
Duas cinebiografias dirigidas por Clint Eastwood.

De coubóis de Western Spaghetti e heróis durões de filmes de ação, Clint Eastwood tornou-se um grande diretor paparicado pelos membros da Academia. Por isso mesmo foi uma grande supresa seu último filme, a cinebiografia J. Edgar, que conferi na noite do último sábado na tela do Cine SESI Pajuçara, não ter tido uma indicação sequer ao Oscar deste ano. Tudo bem que o filme que narra a trajetória do ex-poderoso chefão do FBI, praticamente que fundou o órgão estatal norte americano e o colocou nos rumos certos não é um dos melhores dirigido pelo veterano. Mas, pelo menos o filme merecia duas indicações, sendo uma para a maquiagem excecpcional e outra pela supreendente atuação de Leonardo Di Caprio que finalmente, depois de décadas saiu do costumeiro piloto automático e nos presenteia com uma brilhante atuação, num filme com roteiro razoável, bem abauxi dos padrões. Mesmo assim, é um ótimo drama, bem conduzido por Eastwood, com atuações inspiradíssimas do seu elenco, principalmente do seu protagonista. Nota 6,0.

 

Invictus, outra cinebiografia dirigida por Eastwood, estrelada por Morgan Freeman e Matt Damon, e que conferi no começo da noite de domingo no canal Max HD, é um pouco melhor que seu último filme. A trama se passa na África do Sul, no primeiro mandato como presidente do mítico líder Nelson Mandela, interpretado de forma magistral por Morgan Freeman, que aproveita a chance do país sedia a Copa do Mundo de Rúgbi, um esporte predominantemte da minoria branca e elitizada para despertar no povo o patriotismo e, principalmente, promover a tão sonhada união entre raças. De forma sábia, Mandela supreende a todos, em especial os seus partidários, apoiando e incentivando o time local que não é lá grande coisa, liderado pelo capitão Francois Piennar (Damon, no piloto automático). Um filme envolvente e emocionante, com um bom roteiro e um show de interpretação de Morgan Freeman, que consegue captar todo carisma do líder Mandela. Nota 8,5.



Rick Pinheiro.
Cinéfilo.

sábado, 10 de março de 2012

SESSÃO TRIPLA COM OSCARIZADOS.

Filmes.
Sessão tripla com oscarizados.

Nada como iniciar o final de semana assistindo bons filmes, mesmo que sejam exibidos em versões dubladas e com alguns cortes grosseiros, afinal, infelizmente, nem tudo é perfeito nesta vida. Mesmo assim, não deixa de ser um bom começo para um cinéfilo, que ama cinema, seja filmes novos ou reprises. Na noite de ontem, encarei três filmes sendo dois vencedores do Oscar de Melhor Filme e um deles, indicado na categoria e vencedor de duas estatuetas carecas nas categorias Melhor Roteiro Original e Melhor Ator. Todos exibidos pelo canal fechado TNT, aquele que ao mesmo tempo tem um dos melhores acervos de filme da TV brasileira, mas erra feio em exibi-los dublados e na maioria das vezes retalhados. Sem muito blá, blá, blá, vamos aos comentários dos filmes que revi ontem.

A sessão tripla iniciou às 19:20, com o criativo Crash - No Limite, merecidamente vencedor de 3 Oscar, nas categorias Melhor Filme, Melhor Roteiro Original e Melhor Edição. Com um elenco de excelentes atores e um roteiro muito bem escrito, o filme nos apresenta uma Los Angeles sem nenhum glamour, uma cidade formada por pessoas de várias etnias e onde impressionantemente o racismo rola solto de forma absurda e comum, onde várias tramas se desenrolam num período de 24 horas. Curiosamente, as únicas tramas desnecessárias e fracas, que ao meu ver nem influem nem contribuem com o filme  são as protagonizadas justamente pelos maiores astros do elenco, Brendan Fraser e Sandra Bullock, que interpretam, respectivamente, um promotor de justiça e sua esposa riquinha mimada e preconceituosa. Mas, nada que tire o brilho deste drama envolvente, muito bem escrito, que prende a atenção e ganha força graças as atuações explêndidas de seu elenco afiadíssimo. Em síntese, um filmaço, feito a toque de caixa (algo raro para os padrões hollywoodianos) que merecidamente ganhou as três estatuetas. Nota 9,0.


Depois de um intervalo de pouco mais de vinte minutos foi a vez de assistir o também ganhador do Oscar de Melhor Filme, Guerra ao Terror, dirigido por Kathryn Bigelow, ex-Sra. James Cameron, que ficou com cara de tacho ao perder para ela em várias categorias no Oscar em que ambos concorreram, principalmente, Melhor Diretor e Melhor Filme, uma verdadeira pegadinha dos membros da Academia contra o genial diretor que só faltou a presença do mítico e figuraça Sergio Mallandro, aparecer e gritar: "Pegadinha dos membros da Academia!". rsss... Não que Guerra ao Terror seja um filme ruim. Muito pelo contrário, já que trata-se de um filmaço de guerra que entrou para o rol dos melhores filmes de guerras de todos os tempos, fazendo com que Bigelow figure ao lado de diretores geniais do gênero como Oliver Stone (Platoon), Francis Ford Coppola (Apocalipse Now), Ridley Scott (Falcão Negro em Perigo). Mas, na minha humilde opinião não supera o Avatar de Cameron, seu  concorrente e na época o grande favorito a arrastar várias estatuetas. Deixando um pouco de lado o filmaço que arrebentou nas bilheterias, o filme da sua ex-senhora tem vários méritos. A começar pelo excelente roteiro, muito bem escrito que narra os últimos 38 dias de um grupo de elite de soldados norte-americanos que atua no Iraque, em missões suicidas de desarmamento de bombas. É inegável que Guerra ao Terror é um filmaço muito bem conduzido por Bigelow que nos presenteia com inesquecíveis sequências, que dosam perfeitamente a ação e o suspense, e de quebra, ainda tira atuações inspiradíssimas do seu elenco, principalmente de Jeremy Renner, que simplesmente arrebenta e merecidamente foi indicado por sua brilhante atuação. O filme pode não ser melhor que o seu concorrente Avatar, mas pelo menos a estatueta careca foi para o segundo melhor filme daquele ano. Em síntese, um filmaço excepcional. Nota 9,5.


Encerrei a sessão tripla com oscarizados no começo da madrugada de hoje, conferindo Milk - A Voz da Igualdade, cinebiografia dirigida por Gus Van Sant, de Harvey Millk primeiro homossexual assumido a conquistar um cargo público nos Estados Unidos e a organizar e lutar o movimento GLS, interpretado de forma magistral por Sean Penn. O diretor perde uma excelente oportunidade de fazer uma cinebiografia bem acima da média, apelando para os exageros na pupurina, ou seja, no número exagerado de sequências com beijo gay e nas atuações exageradamente afetadíssimas que beiram a caricatura. Creio eu que até mesmo a comunidade gay deve ter ficado fustrada em ver um dos mais importantes fatos, os primeiros passos do movimento que tomou conta do mundo,  ser reduzido a superficialidade e banalidade. Salva-se apenas a corajosa atuação de Penn, que consegue a proeza de ser o único no elenco a não errar na mão, não apelando aos exageros como seus colegas, numa atuação perfeita, que, merecidamente, lhe rendeu a estatueta como melhor ator. Mas, nem mesmo sua brilhante atuação  salva o filme do desastre total. Nota 1,0.


Rick Pinheiro.
Cinéfilo.

sexta-feira, 9 de março de 2012

EXEMPLO DE DETERMINAÇÃO E CORAGEM.

Filmes.
Exemplo de determinação e coragem.

Como já disse em outras ocasiões, a cerimônia do Oscar já aconteceu mas a minha maratona com os indicados deste ano continua. Diga-se de passagem, ao contrário do ano passado, este ano está sendo mais prazeroso ainda, devido ao alto nível dos indicados, onde, até agora, só assistir excelentes filmes. Caso do supreendente Histórias Cruzadas, filme que particularmente não levava muita fé e que conferi ontem, na sala 2 do Cine Lumière Farol. Ainda bem que este envolvente drama foi indicado ao Oscar, pois com certeza, não teria despertado o interesse deste cinéfilo. Ambientada na pequena cidade de Jackson, no racista Estado do Mississipi dos anos 60, a trama gira em torno da alta sociedade hipócrita e racista da época que, ao mesmo tempo que faz uma pseudo-caridade arrecadando fundos para crianças africanas  tratam os seus semelhantes negros, que criam os seus filhos e são os responsáveis diretos por todas as regalias que gozam, com o mais cruel do racismo, que ousa, em nome da saúde pública, ao absurdo de se propor e se criar uma lei que obrigam os pais de famílias, que tenham negros como empregados, a construir em suas casas um banheiro exclusivo só para negros. É nesta sociedade enojantemente racista que a jovem Skeeter (a nova queridinha dos norte-americanos Emma Stone, fraquinha, mas sem comprometer a trama), faz a diferença. Skeeter acabou de arrumar um emprego num jornalzinho local, mas sonha mesmo em ser escritora. É quando tem a ousada e arriscadíssima ideia de escrever um livro na visão das negras locais sobre suas vidas, seus trabalhos, seus patrões. Ela inicia sua jornada instigando Aibileen Clark (Viola Davis, brilhante), que a princípio reluta, mas depois resolve colocar a boca no trombone, assim como a figuraça Minny Jackson (Octavia Spencer, merecidamente agraciada com o Oscar de atriz coadjuvante pela sua brilhante atuação) e outras empregadas.

Com um enredo muito bem escrito e conduzido, adaptado de um mega sucesso editorial, Histórias Cruzadas é um drama envolvente e comovente, que prende a nossa atenção, nos fazendo ignorar as mais de duas horas de exibição. Com um elenco afiado, que ainda conta com atuações excepcionais de Jessica Chastain e de Bryce Dallas Howard, que nos provoca repulsa e raiva na pele da racista e hipócrita Hilly Holbrook, a líder da elite local, este  filmaço nos leva a refletir o absurdo que é o racismo e a não nos conformamos com um ato tão desumano e nojento como este. Um filme inspirador que  mesmo se passando na segunda metade do século passado, é bastante atual, já que nos convida a fazemos a diferença na sociedade, não engolimos goela abaixo os falsos valores e a hipocrisia impostos pela elite dominante, muito menos aceitar qualquer forma de racismo e descriminação. Merecidamente, figura na lista dos melhores filmes indicados ao Oscar e que só não recebeu a estatueta careca, pelo alto nível dos indicados deste anos. Nota 9,0.


Rick Pinheiro.
Cinéfilo.

MANTENDO O MESMO NÍVEL.

Filmes.
Mantendo o mesmo nível.

Ontem comemoramos o Dia Internacional da Mulher. E como não lembrar das grandes divas hollywoodianas e seus inesquecíveis personagens?  Como também não deixar de lembrar  as guerreiras duronas, personagens tão míticas que comprovam a frase do poeta popular, o cantor e compositor Erasmo Carlos, que afirma em uma de suas canções "Dizem que a mulher é sexo frágil, mas que mentira absurda!". É o caso, por exemplo, da tenente Ripley (Sigourney Weaver) da quadrilogia Alien, Trinity (Carie-Anne Moss) da trilogia Matrix e mais recentemente da Alice (Milla Jovovich) da franquia Resident Evil e sua contemporânea Selene (Kate Beckinsale) da franquia Anjos da Noite, cujo o último filme, Anjos da Noite - O Despertar, está em cartaz e conferi na última quarta, dia 07, na sala 3 do Complexo Kinoplex Maceió. Depois de só aparecer no finalzinho tosco do terceiro filme da franquia, finalmente, Selene volta com tudo, fazendo o que sabe de melhor: detornar  Laycans, vampiros e agora também seres humanos abelhudos, sem perder todo charme, beleza e feminilidade. Antes de comentar este novo filme, como de costume, aproveito a oportunidade para fazer alguns comentários sobre os outros filmes da franquia.

A franquia Underwold, que no Brasil ganhou o tosco título Anjos da Noite (para mim não combina nem a pau com a franquia, já que, até agora, não apareceu nenhum anjo na trama), iniciou em 2003 com o interessante Anjos da Noite - Underwold. No decorrer da trama, que não para um só instante, conhecemos que na calada da noite, os clãs dos vampiros e Laycans (= lobisomens) duelam a vários séculos. Numa destas batalhas diárias, ou melhor dizendo, noturnas, os Mercadores da Morte,  grupo de guerreiros de elite do clã dos vampiros, liderados por Selene (Beckinsale) desconfiam do interesse dos Laycans por um humano em especial, o jovem estudante de medicina Michael Corvin (Scott Speedman), que na verdade é um puro sangue, perfeito para combinar vampiros e lobisomens, originando uma nova espécie. Desobedecendo ordens dos seus superiores, Selene protege o rapaz e, obviamente, os dois se apaixonam. A saga inicia com tudo, num ótimo filme de ação, repleto de sequências eletrizantes, num ritmo acelerado, o que vem sendo, até agora, mantido na franquia. Outros pontos positivos e que também vêm sendo mantidos, é manuntenção do elenco e, principalmente, os roteiros muito bem escrito e interessante, que ao contrário da franquia teen A Saga Crepúsculo, respeita toda mitologia dos vampiros e lobisomens, com direito a luz do sol e bala de prata como inimigos fatais das criaturas, respectivamente, e acréscimos de alguns interessantes aperitivos. Em síntese, um filme de ação bem acima de média e disparado, até agora, o melhor da franquia. Nota 7,5.

 

Com o sucesso da estreia, inaugurou-se uma franquia que, a cada três anos, chega as telonas com um novo filme. O primeiro Anjos da Noite - A Evolução, de 2006, traz de volta o diretor Len Wiseman (que na vida real é casado com Beckinsale), a protagonista Selene e seu love meio vampiro, meio Laycan, numa trama que se passa coladinha com a do primeiro filme. Chega a vez do novo chefão dos vampiros, Marcus (Tony Curran) despertar e iniciar o seu reinado (os vampiros mais velhos reversam no reinado, enquanto os outros tiram uma sonequinha, algo explicado no primeiro filme) e parte com tudo para detornar  a "traidora" Selene e seu namoradinho "aberração" híbrida (no filme anterior, o cara foi mordido duplamente, uma vez por um Laycan e posteriormente por Selene), Michael (Speedman). Os pombinhos noturnos investigam e descobrem que, mesmo com todo ódio, vampiros e Laycans tem a mesma origem, o primeiro imortal Alexander Corvinus (Derek Jacobi), antepassado de Michael. O filme consegue manter o mesmo clima e pique do primeiro filme, sendo tão bom quanto este. Divertido e empolgante, um raro caso de continuação que consegue a proeza de está no mesmo nível que o original. Em síntese, nota 7,0.

 

Fazendo jus a batida regra dos terceiros filmes serem o mais fraco de uma franquia, em 2009, chega as telonas Anjos da Noite - A Rebelião, retomando, agora com mais enfase, a trágica história de amor entre o Laycan Lucian (Michael Sheen) e a vampira Sonya (Rhona Mitra), filha do terrível líder vampiresco Viktor (Bill Nighty). A trama  se passa séculos antes dos fatos dos filmes anteriores, precisamente na época do surgimento das duas espécies, sendo os vampiros aristocratas, que até vivem com uma certa cordialidade com os seres humanos, obviamente da mesma classe social, e os selvagens lobisomens, que sequer conseguem voltar a forma humana. Até que uma alteração genética origina um lobinho na forma humana, Lucian, capturado por Viktor, que utiliza este dom, até então inédito entre os Laycans, para gerar novas espécies e escravizá-los, domesticando-os através de uma coleira com pontas de pratas, que os impedem de se tranformar. O tempo passa e o inesperado acontece: sua filha única e herderia, Sonya, apaixona-se e manter um caso amoroso com Lucian. Ao descobrir do caso e que ela espera um filho, Viktor se invoca, mata sua própria filha, expondo-a a luz do sol, fato que originou o acirramento e o ódio imortal entre as duas espécies. Apesar do afastamento de Selene da trama, já que a mesma se passa antes de sua origem vampiresca, o terceiro filme da franquia consegue manter o pique e o nível da franquia, com muita ação, do começo ao fim. Nota 6,5.

 

Depois de fazer uma viagem ao passado e nos apresentar a origem do acirramento da briga entre vampiros e Laycans, voltamos ao presente, ou melhor, vamos a um futuro não tão distante em Anjos da Noite - O Despertar. Na trama do novo filme, o primeiro da franquia em 3D (um dos motivos que tornou o filme o mais caro da franquia), finalmente, os humanos descobrem que não somente vampiros e lobisomens existem, mas que as duas raças vivem no meio de nós e saindo na porrada na calada da noite. Inicia-se então uma grande perseguição, onde salve-se quem se puder. Tentando fugir, o casal Selene e Michael são emboscados pelos humanos, com a vampira capturada. Anos depois, ela é despertada dentro de uma clínica e escapa, tendo visões que acredita ser de Michael. Mas, ela descobre que trata-se dasvisões da Cobaia 1 que a descongelou, sua colega de prisão no laboratório, é uma garota de 12 anos que na verdade é sua filha hibrida. Selene parte com tudo para defender sua filhota, que passa a ser perseguida pelos Laycans e conta com ajuda inesperada de um policial humano. A heroína chupadora de sangue volta com tudo e de quebra ainda eleva o ótimo nível da franquia, num filme com muita ação do começo ao fim. O único ponto negativo, ao meu ver, é o 3D que passa um pouco despercebido devido a fotografia escura do filme. Uma pequena falha que não atrapalha em nada o resultado final deste filme empolgante. Nota 7,5.


Rick Pinheiro.
Cinéfilo.

EMOCIONANTE LEALDADE CANINA.

Filmes.
Emocionante lealdade canina.

Custou muito tempo para Hollywood produzir um filme sobre um conhecidíssimo fato ocorrido no Japão na década de 1920, a comovente história de lealdade do cachorro Hachiko ao seu dono, mesmo depois do falecimento deste. Embalado pelo sucesso do excepcional Marley & Eu, em 2009, a comovente história ganha sua versão hollywoodiana em Sempre ao Seu Lado, estrelada por Richard Gere e que foi exibida na última terça, dia 06,  na Sessão da Tarde da Rede Globo. O essencial do fato permanece, mas a trama foi totalmente americanizada e adaptada para os nossos dias. Gere, que também é um dos produtores, interpreta Parker Wilson, um professor universitário, quen entre as suas idas e vindas diárias de trem, encontra um filhote de cachorro na estação e o leva para a casa, causando a reprovação inicial de sua esposa (Joan Allen). Esgotadas todas as tentativas e bastante apegado ao fofo bichinho, a família Wilson acaba ficando com ele, que trecebe o nome de Haichi, escrito em sua coleira. Com o passar do tempo, Haichi sempre marca presença na porta da estação pontualmente às 17 horas, esperando Parker chegar. Até que um dia, ele não retorna, fazendo Haichi continuar com o ritual de espera durante mais de doze anos, tempo de sua existência.

O filme tem um roteiro muito bem escrito que apesar de fugir do cenário e época do fato, respeita-o bastante, mantendo o essencial e a tocante mensagem de lealdade. Sempre ao Seu Lado é um filmaço muito emocionante graças principalmente a sua trilha e a "interpretação" dos cães (geralmente são utilizados mais de um animal) que dão vida ao fofo e leal Haichi. Quem tem algum cão em casa com certeza vai ficar bastante sensibilizado com este filme que consegue ser tão bom  e inesquecível quanto  o estrondoso sucesso estrelado por Owen Wilson e Jennifer Aniston. Em síntese, mais um filme canino que emociona e de quebra ainda nos ensina valores que estão sendo esquecidos pelos seres humanos, mas que, impressionantemente os animais domésticos, sobretudo os cachorros fazem questão de nos lembrar. Nota 9,5.

Rick Pinheiro.
Cinéfilo.