terça-feira, 13 de março de 2012

DUAS CINEBIOGRAFIAS DIRIGIDAS POR CLINT EASTWOOD.

Filmes.
Duas cinebiografias dirigidas por Clint Eastwood.

De coubóis de Western Spaghetti e heróis durões de filmes de ação, Clint Eastwood tornou-se um grande diretor paparicado pelos membros da Academia. Por isso mesmo foi uma grande supresa seu último filme, a cinebiografia J. Edgar, que conferi na noite do último sábado na tela do Cine SESI Pajuçara, não ter tido uma indicação sequer ao Oscar deste ano. Tudo bem que o filme que narra a trajetória do ex-poderoso chefão do FBI, praticamente que fundou o órgão estatal norte americano e o colocou nos rumos certos não é um dos melhores dirigido pelo veterano. Mas, pelo menos o filme merecia duas indicações, sendo uma para a maquiagem excecpcional e outra pela supreendente atuação de Leonardo Di Caprio que finalmente, depois de décadas saiu do costumeiro piloto automático e nos presenteia com uma brilhante atuação, num filme com roteiro razoável, bem abauxi dos padrões. Mesmo assim, é um ótimo drama, bem conduzido por Eastwood, com atuações inspiradíssimas do seu elenco, principalmente do seu protagonista. Nota 6,0.

 

Invictus, outra cinebiografia dirigida por Eastwood, estrelada por Morgan Freeman e Matt Damon, e que conferi no começo da noite de domingo no canal Max HD, é um pouco melhor que seu último filme. A trama se passa na África do Sul, no primeiro mandato como presidente do mítico líder Nelson Mandela, interpretado de forma magistral por Morgan Freeman, que aproveita a chance do país sedia a Copa do Mundo de Rúgbi, um esporte predominantemte da minoria branca e elitizada para despertar no povo o patriotismo e, principalmente, promover a tão sonhada união entre raças. De forma sábia, Mandela supreende a todos, em especial os seus partidários, apoiando e incentivando o time local que não é lá grande coisa, liderado pelo capitão Francois Piennar (Damon, no piloto automático). Um filme envolvente e emocionante, com um bom roteiro e um show de interpretação de Morgan Freeman, que consegue captar todo carisma do líder Mandela. Nota 8,5.



Rick Pinheiro.
Cinéfilo.

sábado, 10 de março de 2012

SESSÃO TRIPLA COM OSCARIZADOS.

Filmes.
Sessão tripla com oscarizados.

Nada como iniciar o final de semana assistindo bons filmes, mesmo que sejam exibidos em versões dubladas e com alguns cortes grosseiros, afinal, infelizmente, nem tudo é perfeito nesta vida. Mesmo assim, não deixa de ser um bom começo para um cinéfilo, que ama cinema, seja filmes novos ou reprises. Na noite de ontem, encarei três filmes sendo dois vencedores do Oscar de Melhor Filme e um deles, indicado na categoria e vencedor de duas estatuetas carecas nas categorias Melhor Roteiro Original e Melhor Ator. Todos exibidos pelo canal fechado TNT, aquele que ao mesmo tempo tem um dos melhores acervos de filme da TV brasileira, mas erra feio em exibi-los dublados e na maioria das vezes retalhados. Sem muito blá, blá, blá, vamos aos comentários dos filmes que revi ontem.

A sessão tripla iniciou às 19:20, com o criativo Crash - No Limite, merecidamente vencedor de 3 Oscar, nas categorias Melhor Filme, Melhor Roteiro Original e Melhor Edição. Com um elenco de excelentes atores e um roteiro muito bem escrito, o filme nos apresenta uma Los Angeles sem nenhum glamour, uma cidade formada por pessoas de várias etnias e onde impressionantemente o racismo rola solto de forma absurda e comum, onde várias tramas se desenrolam num período de 24 horas. Curiosamente, as únicas tramas desnecessárias e fracas, que ao meu ver nem influem nem contribuem com o filme  são as protagonizadas justamente pelos maiores astros do elenco, Brendan Fraser e Sandra Bullock, que interpretam, respectivamente, um promotor de justiça e sua esposa riquinha mimada e preconceituosa. Mas, nada que tire o brilho deste drama envolvente, muito bem escrito, que prende a atenção e ganha força graças as atuações explêndidas de seu elenco afiadíssimo. Em síntese, um filmaço, feito a toque de caixa (algo raro para os padrões hollywoodianos) que merecidamente ganhou as três estatuetas. Nota 9,0.


Depois de um intervalo de pouco mais de vinte minutos foi a vez de assistir o também ganhador do Oscar de Melhor Filme, Guerra ao Terror, dirigido por Kathryn Bigelow, ex-Sra. James Cameron, que ficou com cara de tacho ao perder para ela em várias categorias no Oscar em que ambos concorreram, principalmente, Melhor Diretor e Melhor Filme, uma verdadeira pegadinha dos membros da Academia contra o genial diretor que só faltou a presença do mítico e figuraça Sergio Mallandro, aparecer e gritar: "Pegadinha dos membros da Academia!". rsss... Não que Guerra ao Terror seja um filme ruim. Muito pelo contrário, já que trata-se de um filmaço de guerra que entrou para o rol dos melhores filmes de guerras de todos os tempos, fazendo com que Bigelow figure ao lado de diretores geniais do gênero como Oliver Stone (Platoon), Francis Ford Coppola (Apocalipse Now), Ridley Scott (Falcão Negro em Perigo). Mas, na minha humilde opinião não supera o Avatar de Cameron, seu  concorrente e na época o grande favorito a arrastar várias estatuetas. Deixando um pouco de lado o filmaço que arrebentou nas bilheterias, o filme da sua ex-senhora tem vários méritos. A começar pelo excelente roteiro, muito bem escrito que narra os últimos 38 dias de um grupo de elite de soldados norte-americanos que atua no Iraque, em missões suicidas de desarmamento de bombas. É inegável que Guerra ao Terror é um filmaço muito bem conduzido por Bigelow que nos presenteia com inesquecíveis sequências, que dosam perfeitamente a ação e o suspense, e de quebra, ainda tira atuações inspiradíssimas do seu elenco, principalmente de Jeremy Renner, que simplesmente arrebenta e merecidamente foi indicado por sua brilhante atuação. O filme pode não ser melhor que o seu concorrente Avatar, mas pelo menos a estatueta careca foi para o segundo melhor filme daquele ano. Em síntese, um filmaço excepcional. Nota 9,5.


Encerrei a sessão tripla com oscarizados no começo da madrugada de hoje, conferindo Milk - A Voz da Igualdade, cinebiografia dirigida por Gus Van Sant, de Harvey Millk primeiro homossexual assumido a conquistar um cargo público nos Estados Unidos e a organizar e lutar o movimento GLS, interpretado de forma magistral por Sean Penn. O diretor perde uma excelente oportunidade de fazer uma cinebiografia bem acima da média, apelando para os exageros na pupurina, ou seja, no número exagerado de sequências com beijo gay e nas atuações exageradamente afetadíssimas que beiram a caricatura. Creio eu que até mesmo a comunidade gay deve ter ficado fustrada em ver um dos mais importantes fatos, os primeiros passos do movimento que tomou conta do mundo,  ser reduzido a superficialidade e banalidade. Salva-se apenas a corajosa atuação de Penn, que consegue a proeza de ser o único no elenco a não errar na mão, não apelando aos exageros como seus colegas, numa atuação perfeita, que, merecidamente, lhe rendeu a estatueta como melhor ator. Mas, nem mesmo sua brilhante atuação  salva o filme do desastre total. Nota 1,0.


Rick Pinheiro.
Cinéfilo.

sexta-feira, 9 de março de 2012

EXEMPLO DE DETERMINAÇÃO E CORAGEM.

Filmes.
Exemplo de determinação e coragem.

Como já disse em outras ocasiões, a cerimônia do Oscar já aconteceu mas a minha maratona com os indicados deste ano continua. Diga-se de passagem, ao contrário do ano passado, este ano está sendo mais prazeroso ainda, devido ao alto nível dos indicados, onde, até agora, só assistir excelentes filmes. Caso do supreendente Histórias Cruzadas, filme que particularmente não levava muita fé e que conferi ontem, na sala 2 do Cine Lumière Farol. Ainda bem que este envolvente drama foi indicado ao Oscar, pois com certeza, não teria despertado o interesse deste cinéfilo. Ambientada na pequena cidade de Jackson, no racista Estado do Mississipi dos anos 60, a trama gira em torno da alta sociedade hipócrita e racista da época que, ao mesmo tempo que faz uma pseudo-caridade arrecadando fundos para crianças africanas  tratam os seus semelhantes negros, que criam os seus filhos e são os responsáveis diretos por todas as regalias que gozam, com o mais cruel do racismo, que ousa, em nome da saúde pública, ao absurdo de se propor e se criar uma lei que obrigam os pais de famílias, que tenham negros como empregados, a construir em suas casas um banheiro exclusivo só para negros. É nesta sociedade enojantemente racista que a jovem Skeeter (a nova queridinha dos norte-americanos Emma Stone, fraquinha, mas sem comprometer a trama), faz a diferença. Skeeter acabou de arrumar um emprego num jornalzinho local, mas sonha mesmo em ser escritora. É quando tem a ousada e arriscadíssima ideia de escrever um livro na visão das negras locais sobre suas vidas, seus trabalhos, seus patrões. Ela inicia sua jornada instigando Aibileen Clark (Viola Davis, brilhante), que a princípio reluta, mas depois resolve colocar a boca no trombone, assim como a figuraça Minny Jackson (Octavia Spencer, merecidamente agraciada com o Oscar de atriz coadjuvante pela sua brilhante atuação) e outras empregadas.

Com um enredo muito bem escrito e conduzido, adaptado de um mega sucesso editorial, Histórias Cruzadas é um drama envolvente e comovente, que prende a nossa atenção, nos fazendo ignorar as mais de duas horas de exibição. Com um elenco afiado, que ainda conta com atuações excepcionais de Jessica Chastain e de Bryce Dallas Howard, que nos provoca repulsa e raiva na pele da racista e hipócrita Hilly Holbrook, a líder da elite local, este  filmaço nos leva a refletir o absurdo que é o racismo e a não nos conformamos com um ato tão desumano e nojento como este. Um filme inspirador que  mesmo se passando na segunda metade do século passado, é bastante atual, já que nos convida a fazemos a diferença na sociedade, não engolimos goela abaixo os falsos valores e a hipocrisia impostos pela elite dominante, muito menos aceitar qualquer forma de racismo e descriminação. Merecidamente, figura na lista dos melhores filmes indicados ao Oscar e que só não recebeu a estatueta careca, pelo alto nível dos indicados deste anos. Nota 9,0.


Rick Pinheiro.
Cinéfilo.

MANTENDO O MESMO NÍVEL.

Filmes.
Mantendo o mesmo nível.

Ontem comemoramos o Dia Internacional da Mulher. E como não lembrar das grandes divas hollywoodianas e seus inesquecíveis personagens?  Como também não deixar de lembrar  as guerreiras duronas, personagens tão míticas que comprovam a frase do poeta popular, o cantor e compositor Erasmo Carlos, que afirma em uma de suas canções "Dizem que a mulher é sexo frágil, mas que mentira absurda!". É o caso, por exemplo, da tenente Ripley (Sigourney Weaver) da quadrilogia Alien, Trinity (Carie-Anne Moss) da trilogia Matrix e mais recentemente da Alice (Milla Jovovich) da franquia Resident Evil e sua contemporânea Selene (Kate Beckinsale) da franquia Anjos da Noite, cujo o último filme, Anjos da Noite - O Despertar, está em cartaz e conferi na última quarta, dia 07, na sala 3 do Complexo Kinoplex Maceió. Depois de só aparecer no finalzinho tosco do terceiro filme da franquia, finalmente, Selene volta com tudo, fazendo o que sabe de melhor: detornar  Laycans, vampiros e agora também seres humanos abelhudos, sem perder todo charme, beleza e feminilidade. Antes de comentar este novo filme, como de costume, aproveito a oportunidade para fazer alguns comentários sobre os outros filmes da franquia.

A franquia Underwold, que no Brasil ganhou o tosco título Anjos da Noite (para mim não combina nem a pau com a franquia, já que, até agora, não apareceu nenhum anjo na trama), iniciou em 2003 com o interessante Anjos da Noite - Underwold. No decorrer da trama, que não para um só instante, conhecemos que na calada da noite, os clãs dos vampiros e Laycans (= lobisomens) duelam a vários séculos. Numa destas batalhas diárias, ou melhor dizendo, noturnas, os Mercadores da Morte,  grupo de guerreiros de elite do clã dos vampiros, liderados por Selene (Beckinsale) desconfiam do interesse dos Laycans por um humano em especial, o jovem estudante de medicina Michael Corvin (Scott Speedman), que na verdade é um puro sangue, perfeito para combinar vampiros e lobisomens, originando uma nova espécie. Desobedecendo ordens dos seus superiores, Selene protege o rapaz e, obviamente, os dois se apaixonam. A saga inicia com tudo, num ótimo filme de ação, repleto de sequências eletrizantes, num ritmo acelerado, o que vem sendo, até agora, mantido na franquia. Outros pontos positivos e que também vêm sendo mantidos, é manuntenção do elenco e, principalmente, os roteiros muito bem escrito e interessante, que ao contrário da franquia teen A Saga Crepúsculo, respeita toda mitologia dos vampiros e lobisomens, com direito a luz do sol e bala de prata como inimigos fatais das criaturas, respectivamente, e acréscimos de alguns interessantes aperitivos. Em síntese, um filme de ação bem acima de média e disparado, até agora, o melhor da franquia. Nota 7,5.

 

Com o sucesso da estreia, inaugurou-se uma franquia que, a cada três anos, chega as telonas com um novo filme. O primeiro Anjos da Noite - A Evolução, de 2006, traz de volta o diretor Len Wiseman (que na vida real é casado com Beckinsale), a protagonista Selene e seu love meio vampiro, meio Laycan, numa trama que se passa coladinha com a do primeiro filme. Chega a vez do novo chefão dos vampiros, Marcus (Tony Curran) despertar e iniciar o seu reinado (os vampiros mais velhos reversam no reinado, enquanto os outros tiram uma sonequinha, algo explicado no primeiro filme) e parte com tudo para detornar  a "traidora" Selene e seu namoradinho "aberração" híbrida (no filme anterior, o cara foi mordido duplamente, uma vez por um Laycan e posteriormente por Selene), Michael (Speedman). Os pombinhos noturnos investigam e descobrem que, mesmo com todo ódio, vampiros e Laycans tem a mesma origem, o primeiro imortal Alexander Corvinus (Derek Jacobi), antepassado de Michael. O filme consegue manter o mesmo clima e pique do primeiro filme, sendo tão bom quanto este. Divertido e empolgante, um raro caso de continuação que consegue a proeza de está no mesmo nível que o original. Em síntese, nota 7,0.

 

Fazendo jus a batida regra dos terceiros filmes serem o mais fraco de uma franquia, em 2009, chega as telonas Anjos da Noite - A Rebelião, retomando, agora com mais enfase, a trágica história de amor entre o Laycan Lucian (Michael Sheen) e a vampira Sonya (Rhona Mitra), filha do terrível líder vampiresco Viktor (Bill Nighty). A trama  se passa séculos antes dos fatos dos filmes anteriores, precisamente na época do surgimento das duas espécies, sendo os vampiros aristocratas, que até vivem com uma certa cordialidade com os seres humanos, obviamente da mesma classe social, e os selvagens lobisomens, que sequer conseguem voltar a forma humana. Até que uma alteração genética origina um lobinho na forma humana, Lucian, capturado por Viktor, que utiliza este dom, até então inédito entre os Laycans, para gerar novas espécies e escravizá-los, domesticando-os através de uma coleira com pontas de pratas, que os impedem de se tranformar. O tempo passa e o inesperado acontece: sua filha única e herderia, Sonya, apaixona-se e manter um caso amoroso com Lucian. Ao descobrir do caso e que ela espera um filho, Viktor se invoca, mata sua própria filha, expondo-a a luz do sol, fato que originou o acirramento e o ódio imortal entre as duas espécies. Apesar do afastamento de Selene da trama, já que a mesma se passa antes de sua origem vampiresca, o terceiro filme da franquia consegue manter o pique e o nível da franquia, com muita ação, do começo ao fim. Nota 6,5.

 

Depois de fazer uma viagem ao passado e nos apresentar a origem do acirramento da briga entre vampiros e Laycans, voltamos ao presente, ou melhor, vamos a um futuro não tão distante em Anjos da Noite - O Despertar. Na trama do novo filme, o primeiro da franquia em 3D (um dos motivos que tornou o filme o mais caro da franquia), finalmente, os humanos descobrem que não somente vampiros e lobisomens existem, mas que as duas raças vivem no meio de nós e saindo na porrada na calada da noite. Inicia-se então uma grande perseguição, onde salve-se quem se puder. Tentando fugir, o casal Selene e Michael são emboscados pelos humanos, com a vampira capturada. Anos depois, ela é despertada dentro de uma clínica e escapa, tendo visões que acredita ser de Michael. Mas, ela descobre que trata-se dasvisões da Cobaia 1 que a descongelou, sua colega de prisão no laboratório, é uma garota de 12 anos que na verdade é sua filha hibrida. Selene parte com tudo para defender sua filhota, que passa a ser perseguida pelos Laycans e conta com ajuda inesperada de um policial humano. A heroína chupadora de sangue volta com tudo e de quebra ainda eleva o ótimo nível da franquia, num filme com muita ação do começo ao fim. O único ponto negativo, ao meu ver, é o 3D que passa um pouco despercebido devido a fotografia escura do filme. Uma pequena falha que não atrapalha em nada o resultado final deste filme empolgante. Nota 7,5.


Rick Pinheiro.
Cinéfilo.

EMOCIONANTE LEALDADE CANINA.

Filmes.
Emocionante lealdade canina.

Custou muito tempo para Hollywood produzir um filme sobre um conhecidíssimo fato ocorrido no Japão na década de 1920, a comovente história de lealdade do cachorro Hachiko ao seu dono, mesmo depois do falecimento deste. Embalado pelo sucesso do excepcional Marley & Eu, em 2009, a comovente história ganha sua versão hollywoodiana em Sempre ao Seu Lado, estrelada por Richard Gere e que foi exibida na última terça, dia 06,  na Sessão da Tarde da Rede Globo. O essencial do fato permanece, mas a trama foi totalmente americanizada e adaptada para os nossos dias. Gere, que também é um dos produtores, interpreta Parker Wilson, um professor universitário, quen entre as suas idas e vindas diárias de trem, encontra um filhote de cachorro na estação e o leva para a casa, causando a reprovação inicial de sua esposa (Joan Allen). Esgotadas todas as tentativas e bastante apegado ao fofo bichinho, a família Wilson acaba ficando com ele, que trecebe o nome de Haichi, escrito em sua coleira. Com o passar do tempo, Haichi sempre marca presença na porta da estação pontualmente às 17 horas, esperando Parker chegar. Até que um dia, ele não retorna, fazendo Haichi continuar com o ritual de espera durante mais de doze anos, tempo de sua existência.

O filme tem um roteiro muito bem escrito que apesar de fugir do cenário e época do fato, respeita-o bastante, mantendo o essencial e a tocante mensagem de lealdade. Sempre ao Seu Lado é um filmaço muito emocionante graças principalmente a sua trilha e a "interpretação" dos cães (geralmente são utilizados mais de um animal) que dão vida ao fofo e leal Haichi. Quem tem algum cão em casa com certeza vai ficar bastante sensibilizado com este filme que consegue ser tão bom  e inesquecível quanto  o estrondoso sucesso estrelado por Owen Wilson e Jennifer Aniston. Em síntese, mais um filme canino que emociona e de quebra ainda nos ensina valores que estão sendo esquecidos pelos seres humanos, mas que, impressionantemente os animais domésticos, sobretudo os cachorros fazem questão de nos lembrar. Nota 9,5.

Rick Pinheiro.
Cinéfilo.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

REINICIANDO SEM A VARINHA.

Filmes.
Reiniciando sem a varinha.

Um dos maiores acertos do trio de protagonistas da franquia teen modinha A Saga Crepúsculo foi cuidar de suas respectivas carreiras, buscando outros projetos com a série ainda em andamento, ao contrário dos astros da série Harry Potter que somente agora, com o termino da franquia, é que buscam tocar suas carreiras. É o caso de Daniel Radcliffe que acaba de chegar aos cinemas com o seu primeiro filme depois da franquia, o terror A Mulher de Preto, que assistir na última segunda, dia 27, na sala 6 do Complexo Kinoplex. O ex-bruxinho estrela como Arthur Kipps, um jovem advogado viúvo, ainda atormentado com a morte da esposa a cerca de quatro anos, quando deu a luz ao único filho do casal. Com seu rendmento péssimo no escritório de advocacia e prestes a tomar um pé na bunda, seu chefe o envia aos cafundó do brejo na Inglaterra para pegar algumas papeladas de uma cliente recém-falecida. Ao chega na nada hospitaleira cidadezinha, indo a tal mansão isolada no meio do nada, Kipps encara uma série de misteriosas assombrações, que tem relação com a tal mulher de preto que dar título ao filme.

Se por um lado o eterno Harry Potter acertou na escolha de um personagem totalmente oposto ao bruxinho, errou feio ao escolher um filme tão fraco, com um roteiro mediocre, repleto de clichês do gênero e muitos furos. Apesar de ter alguns sustos, principalmente por causa da trilha, o resultado final é um filme morno e chato, que faz o pior filme da série Harry Potter ser uma obra prima. Se continuar fazendo escolhas erradas como esta, Radcliffe corre o risco de fazer parte da galeria de atores de um só personagem e sucesso, fazendo companhia a figuras ilustres e até então promissoras, a exemplo do eterno Luke Skylwalker da primeira trilogia Star Wars, Mark Hamill, que além deste personagem, só tem de marcante em sua carreira ter emprestado a voz para interpretar o coringa na animção do Batman. Mais sorte e sabedoria na próxima escolha, Radcliffe. Nota 4,0.

Rick Pinheiro.
Cinéfilo.


RANKING PARCIAL DOS INDICADOS AO OSCAR DE MELHOR FILME.

Filmes.
Ranking parcial dos indicados ao Oscar de Melhor Filme.

A premiação já aconteceu, mas a minha maratona com os indicados deste ano ao Oscar de Melhor Filme continua. O espantoso é que, ao contrário do ano passado já assistir a maioria. Mais espantoso é que depois de décadas, finalmente um filme que é o meu favorito foi agraciado com a estatueta. Sem perder tempo, vamos a minha lista.


1. O Artista.
Nota: 10,0.
Comentários em: http://www.blogdorickpinheiro.blogspot.com/2012/02/ousadia-criativa-numa-belissima.html

2. A Invenção de Hugo Cabret.
Nota: 10,0.
Comentários em: http://www.blogdorickpinheiro.blogspot.com/2012/02/sessao-quadrupla-de-cinema.html

3. Meia-Noite em Paris.
Nota: 9,5.
Comentários em: http://blogdorickpinheiro.blogspot.com/2011/08/filme-cult-tambem-diverte.html

4. Os Descendentes.
Nota: 9,5.
Comentários em: http://www.blogdorickpinheiro.blogspot.com/2012/02/clooney-num-drama-comovente.html

5. Cavalo de Guerra.
Nota: 8,5.
Comentários em: http://www.blogdorickpinheiro.blogspot.com/2012/02/emocao-galope.html

Falta assistir:

* A  Árvore da Vida;
* Histórias Cruzadas;
* O Homem que Mudou o Jogo;
* Tão Perto e Tão Forte.

FINALMENTE A JUSTIÇA PREVALECEU NO OSCAR.

Opinião.
Finalmente a justiça prevaleceu no Oscar.

O título desta postagem resume bem o meu contentamento com a maioria das premiações do Oscar 2012. Sinceramente, não lembro da última vez que isso ocorreu, já que a injustiça é a marca registrada da Academia, que nem sempre premia quem de fato merece. Evidente que ainda ocorreram injustiças, a mais gritante na categoria Melhor Canção Original, onde prevaleceu o barrismo norte-americano, premiando a melosa e esquecível Man or Muppet. Outra injustiça absurda foi a premiação de Meia-Noite em Paris, na categoria Melhor Roteiro Original, que tinha como concorrente o excepcional e criativo roteiro de O Artista. Com certeza, Woody Allen, que sequer teve a consideração de marcar presença na cerimônia não ficaria chateado se a justiça fosse feita e a estatueta careca fosse para o filme francês. Por fim, outra injustiça foi na categoria Melhor Maquiagem, onde a estatueta foi justamente para o concorrente mais fraco, A Dama de Ferro, já que as maquiagens dos filmes Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2 e Albert Nobbes foram infinitamente superiores.  Mas, deixando as frequentes e absurdas injustiças, o fato é que, finalmente, depois de décadas, a justiça finalmente prevaleceu e foram premiados quem de fato merecia, em especial, com os filmes O Artista e A Invenção de Hugo Cabret, cada um com cinco estatuetas.

Quanto a cerimônia, acertaram em cheio em trazer de volta Billy Crystal (Eddie Murphy estupidamente negou ser o apresentador) que para mim ainda continua sendo um dos melhores apresentadores da festa. Crystal nos presenteou com os melhores e mais divertidos momentos da tosca mas chiquérrima cerimônia, como também as divertidas participações de Chris Rock, Will Ferrell e Zack Galifianakis. Em contrapartida, as bajulações constantes a Martin Scorcese, a desnecessária e sem graça apresentação do Cirque Du Soleil e a patética pose de modelo de Jennifer Lopez e Cameron Diaz foram as maiores chatices da festa. Mas, no geral, a cerimônia foi razoável, bem acima da média dos últimos anos, curta e direta, e de quebra ainda emocionante, graças ao alto nível dos indicados, que até fez este blogueiro aplaudir os vencedores e gritar em frente a TV alguns "Chupa Carlinhos Brown!", "Chupa Scorcese!", "Chupa Mallick!", quando estes indíviduos que particularmente não simpatizo levaram tromba nas categorias que estavam concorrendo.

Por fim, não poderia deixar de comentar as transmissões das emissoras nacionais, que mais uma vez deixaram bastante a desejar. Pelo menos a TNT começou a transmitir logo cedo, ainda com a chegada dos artistas, apesar de ter pisado feio no casal de apresentadores do pré-Oscar que abusaram no uso de expressões e pronúncias em inglês. O canal fechado também pisou feio na bola com a lenta e preguiçosa tradutora que deixou muitos diálogos passar batido. Já a Globo começou a pisar na bola logo de carra transmitindo a cerimônia apenas uma hora e meia após o seu início. E o pior foi mais uma vez escalar a tagarela Maria Beltrão que foi uma mala sem alça, sempre perdendo excelentes oportunidades de ficar calada. Como quem fala muito, mais merda está sujeito a cometer, a chata ainda soltou a pérola "A vida continua sem Oscar!", após um silêncio constrangedor ao ouvir que a música da animação Rio perdeu para a tosca canção de Os Mupperts. Pô,  além dos caras estarem concorrendo por uma música para um filme gringo, o Brasil não precisa da merda do Oscar, até porque, sem barrismo nenhum, temos um dos melhores cinemas do mundo. Como soltei após ver a tagarela se calar depois de tanto enxame que fez antes do anúncio da premiação de Melhor Canção Original: "Chupa Maria Beltrão!". O fiasco de ambas as transmissões só não foi maior, graças a presença e os comentários feitos nos devidos momentos do crítico Rubens Edwald Filho (na TNT) e do ator e cinéfilo José Wilker (na Globo), mesmo deixando o microfone aberto e deixando escapar inevitáveis tosses.

Enfim, entre poucos erros e vários acertos, fica a lição que ainda há vida inteligente entre os membros da Academia e que a justiça tarda, mas não falha. Esperamos que ela venha para ficar e que no próximo ano, ela chegue mais cedo, já no momento das indicações.

Rick Pinheiro.
Cinéfilo, surpreso e feliz com a justiça ter predominado no Oscar 2012.

EMOÇÃO À GALOPE.

Filmes.
Emoção à galope.

Para mim, Steven Spielberg é um dos mais geniais diretores de cinema ao lado de Charles Chaplin. Afinal, assim como o criador de Carlitos,  Spielberg sabe como ninguém mexer com as todas as nossas emoções, seja em filmes de aventuras e fantasiosos ou em dramas envolventes. Ambos os gênios, provavelmente, são os mais injustiçados pelos membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas por não premiarem a ambos como de fato merecem. Este ano, a injustiça contra Spielberg foi em dobro, já que além da animação As Aventuras de Tintim inexplicavelmente ter ficado de fora da categoria (provavelmente a mais injustiçada deste ano, já que, além da animação de Spielberg, Rio do nosso conterrâneo Carlos Saldanha também ficou de fora), não foi indicado para melhor diretor, mesmo com a indicação de Cavalo de Guerra, que assistir horas antes da cerimônia do Oscar na tela do Cine SESI, já que defendo que se um filme é indicado a uma premiação de Melhor Filme, obviamente seu maior responsável, o diretor, deve ser indicado por tabela. Tudo bem que Spielberg teve chances bem melhores por outras produções e injustamente não ganhou (Tubarão, E.T., A Cor Purpúra, Império do Sol, O Resgate do Soldado Ryan), afinal, além de dar o azar de entrar no páreo no mesmo ano que as obras primas O Artista e A Invenção de Hugo Cabret, Cavalo de Guerra não é o melhor do seus trabalhos. Mesmo assim, o filme não é um total fiasco e até faz jus a quase perfeita filmografia do gênio.

Baseado num espetáculo da Broadway de enorme sucesso, que por sua vez é baseado num livro homônimo, a trama gira em torno da saga do cavalo Joey, que durante a Primeira Guerra Mundial, passa por diversos donos e encara o campo de batalhas com uma coragem de um verdadeiro soldado. O filme é emocionante e envolvente, graças principalmente a mais uma dobradinha Spielberg e JohnWilliams, que mais um vez nos presenteia com uma trilha marcante, merecidamente indicada ao Oscar deste ano (Além de outros concorrentes, Williams concorre com ele mesmo por sua trilha para As Aventuras de Tintim). Cavalo de Guerra pode não ser o melhor filme de Spielberg, mas não faz feio, já que tem belíssimas e emocionantes sequências e ótimas atuações do seu elenco. Em síntese, um filmaço muito bem realizado, com um elenco afiadíssimo, feito sob medida para emocionar. Nota 8,5.

Rick Pinheiro.
Cinéfilo. 


terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

SESSÃO QUADRUPLA DE CINEMA.

Filmes.
Sessão Quadrupla de cinema.

Voltando da folia de Momo, onde curtir na paradísica cidade de Paripueira, ao abrir o jornal de domingo fui pego de supresa pelo número alto de lançamentos que chegaram as salas maceionses, num feriadão onde geralmente sequer chegam novidades por aqui (no ano passado chegou por aqui apenas a comédia Esposa de Mentirinha). Depois de selecionar os filmes e realizar inúmeros calculos com os horários de sessão, na última quinta encarei uma inédita, desgastante, porém agradável, sessão quadrupla de cinema, nas salas do Complexo Kinoplex Maceió.

Iniciei minha maratona de filmes pós-carnaval, às 14:30, na sala 2, conferindo o drama A Dama de Ferro, cinebiografia da ex-primeira ministra britânica Margaret Thatcher, interpretada de forma magistral por Meryl Streep. De cara, somos supreendidos com a ex-dama de ferro idosa, fragilizada, conversando com alucinações do seu falecido marido. No decorrer da trama, através de suas memórias, a conhecemos melhor, mostrando toda sua ousadia e determinação ainda nos tempos que era a jovem filha de um quintadeiro, passando por seu ingresso na vida política, na época predominantemente masculina, os preconceitos sofridos e superados, sua ascensão a presidência do partido conservador e, finalmente, como primeira-ministra, e as crises enfrentadas no decorrer do seu governo. Tudo isso mostrado de forma superficial e resumida, o que acabou gerando um filme decepcionante, que muito deixou a desejar. O estrago só não é maior pela brilhante atuação de Streep, que supera a mediocridade do roteiro e prende a nossa atenção do começo ao fim. De suas concorrentes ao Oscar, apenas vi a ótima atuação de Rooney Mara em Millennium e flashes das atuações de Glenn Close e Michelle Williams, mas apesar de reconhecer que o paréo será duro, dificilmente a estatueta não vá para Streep, por sua atuação tão brilhante*. Um bom exemplo que filmes gringos devem ser exibidos no idioma original, legendado. Em síntese, um filminho fraco salvo apenas pela brilhante atuação de sua protagonista. Nota 5,0.


Saindo de uma sala para a outra, foi a vez de entrar na sala 4 e conferi a comédia nacional Reis e Ratos, que reúne um elenco excepcional encabeçado por Selton Mello, que interpreta Troy, um norte-americano agente da CIA, que vive e atua no Brasil, em 1963, período pré-ditadura militar, que junto com o seu parceiro brasileiro Major Esdras (Otávio Muller, competente) precisa decifrar uma complicada conspiração para detornar com o presidente do nosso país. Uma ideia interessante que se perde num roteiro fraco e sem graça, que se salva apenas pelo seu elenco afiado, com destaque para Rodrigo Santoro e Cauã Reymond, que dão um show na pele de um seboso cafetão e bandidinho de quinta categoria e um figuraça radialista, meio médium, respectivamente. Um filminho que tinha tudo para ser bom, mas que fica apenas na promessa. Vale a pena assisitir apenas para conferi as brilhantes atuações. Nota 2,5.


Depois do decepcionante filme nacional, foi a vez de entrar na sala 5, colocar os óculos e conferi em 3D o aguardado A Invenção de Hugo Cabret, filme dirigido por Martin Scorcese, que faz sua estreia dupla, no gênero infantil e no formato 3D. Hugo Cabret (Asa Butterfield, excelente) é um órfão que reside clandestino na estação de trem, na Paris do começo dos anos 30. Antes de morrer, seu pai, vivido por Jude Law, lhe mostra um androide sentado numa escrivaninha, que acaba se tornando a obsessão do garoto, pois acredita que o mesmo tenha algum último recado do seu pai para ele. Tentandofazer a gerigonça funcionar, Hugo começa a roubar peças da lojinha de Georges (Ben Kingsley, inexplicavel e injustamente não indicado ao Oscar) até que um dia é flagrado por ele, que confisca o cardeninho com anotações feitas por seu pai. Tentando reaver o seu estimado caderninho, Hugo fica amigo da neta de Georges, Isabelle (a lindinha Chloe Moretz, também ótima) e passa a ser sua companheira de aventuras, onde descobrirão que o avô dela na verdade é o grande cineasta e pioneiro do cinema, Georges Mélies. Tudo é grandioso neste belíssimo filme, das brilhantes atuações de um elenco afiadíssimo até os cenários em tamanho real, que encantam aos olhos graças a brilhante decisão de filmar em 3D. Numa época onde o formato é usado de forma irracional, apenas para encher os bolsos dos produtores hollywoodianos, Scorcese nos presenteia com uma verdadeira obra prima, nostálgica e emocionante que, à exemplo de O Artista, é uma belíssima homenagem a sétima arte. Em síntese, filmaço para toda família, para ver e rever. Nota 10,0 é pouca para um filme tão grandioso que, se prevalecesse a justiça, deveria receber a estatueta de melhor filme, ao lado do filme francês-belga*.


Encerrando a maratona, foi a vez de colocar mais uma vez o óculos e conferi na sala 3 Motoqueiro Fantasma - Espírito de Vingança, segundo filme do herói do crânio de fogo interpretado (?) por Nicolas Cage. Jonhnny Blaze vive escondido na Europa tentando controlar que o caveirinha venha a torna, até que é convocado pelo tosco padre Monreau a encontrar e protege um garoto (Fergus Riordan) e sua mãe do chifrudo, já que ela alguns anos atrás deu para ele, gerando o pirralho. Filminho bobo e descartável, com roteiro medíocre, que faz o filme apanhar feio do original, que, aliás, não era lá grande coisa. Vale pela curiosidade de ver o astro oitentista Christopher Lambert (o Highlander em pessoa), irreconhecível e pagando um micaço como o líder de uma misteriosa seita. Nota 4,0 apenas por algumas e poucas boas sequências de ação.


Rick Pinheiro.
Cinéfilo.

* Nota: Apesar desta postagem ter sido publicada dois dias após a cerimônia do Oscar, mantive as minhas opiniões da época em que foi escrita.